terça-feira, 22 de outubro de 2013

Apicultura Açoriana











A apicultura nos Açores remonta ao início do século XVI segundo Carta a El-Rei por Gaspar do Rego Baldaya, em 1554, fazendo vários pedidos e queixas do Dr. Manoel Alvares ( ARCHIVO DOS AÇORES, 1878). 

Produz-se mel em quase todas as ilhas, sendo a produção mais significativa nas ilhas do Pico, S. Miguel e Terceira.







No âmbito regional os aspectos mais 
importantes da apicultura estão aliados ao seu papel ecológico, assegurando e garantindo grande parte da polinização das espécies agrícolas, ao seu papel social, sendo partilhada por todos os estratos sociais, e ao seu valor económico, uma vez que os produtos da colmeia são grande fonte de riqueza, não propriamente em termos de quantidade, mas no aspecto qualitativo. O arquipélago dos Açores possui condições naturais particularmente favoráveis para a apicultura e produção de mel de alta qualidade.














As características edafo-climáticas propiciam o desenvolvimento de uma vegetação abundante, rica e diversificada. Todavia e apesar das grandes potencialidades intrínsecas, o sector apresenta algumas dificuldades na comercialização, pela falta de infra-estruturas organizativas e tecnológicas e pela ausência de estudos aprofundados sobre a caracterização dos produtos apícolas produzidos na região. Como já foi referido anteriormente a apicultura é uma área muito abrangente e não se relaciona apenas com a produção de mel mas sim com muitas outras coisas. De todas elas a mais importante é sem dúvida a polinização de espécies vegetais, pois dela depende todo o equilíbrio ecológico.


Os Açores já produziram muito e bom mel como o atestam as descrições da História Insulana ( CORDEIRO, 1717 ): 

“O principal que rende esta bella parte de tal valle, (das Furnas) he mel, & cera, de forte que até os Padres da Companhia de JESUS tem alli colmeal taõ grande, que cada anno lhes dá hum quarto, ou meya pipa de mel, & algus annos pipa inteyra, & mais de pipa, & a cera correspondente; & affim cera, como o mel, excede na perfeyçaõ ao de qualquer outra parte; …”. 


Na Terceira, produzia-se “… tanto mel de abelhas, que diz Fructuoso haver homem no Porto, ou Posto Santo, que tem quinhentas colmeas, & o melhor pasto dellas.”. No Pico “… tem muytos colmeaes, muyto mel, & muyta cera …”, apenas faltando nas Flores “ Naõ tem esta Ilha commercio algum com outras Nacções …, senaõ com o Fayal, & com a Terceira, … & lhes levaõ muytos dos seus panos, & linhos, & algum gado, & muytas aves; & voltaõ-se com algum vinho, azeyte, mel, louças, & adubos, & o dinheyro que podem.”.

In: Fruter (Açores)











A madeira de Criptoméria apresenta uma série de vantagens sobre o Pinheiro para a construção de colmeias, pelo menos no ambiente húmido do Arquipélago dos Açores. Segundo os apicultores da região, enquanto uma caixa de madeira de Pinheiro pouco mais dura que 4 ou 5 anos, a de Criptoméria pode chegar aos 20 anos ou mais. 

Por outro lado é muito mais leve o que só facilita o maneio.






A sua conservação é feita com um banho de parafina em fusão para impermeabilizar. Regista-se um único senão: madeira demasiado “mole” para resistir ao formão do apicultor sempre que queremos separar as alças ou a prancheta, podendo até abrir buracos. Para o evitar devemos executar tal tarefa com cuidado.












Denominação de Origem Protegida

Mel de néctar obtido principalmente a partir dos néctares de incenso e multifloral. Pode apresentar-se com características diferentes (em 2 variantes):

Mel de Incenso — mel de cor variável, indo de quase incolor a levemente amarelado, com odor delicado, perfumado, com sabor típico a incenso e com consistência fluida, resultante do néctar recolhido das flores da espécie Pittosporum Ondulattum Hort, que faz parte da flora espontânea e existe em todas as ilhas dos Açores. Este mel é produzido entre os meses de Janeiro e Abril e a cresta inicia-se em meados de Maio (tem que ser produzido logo após a conclusão da floração do incenso de modo a que não possa haver contaminação polinífera);

Mel Multifloral - mel de cor castanha escura, com sabor agradável e consistência fluida, obtido da mistura de néctares de várias espécies de flores, nomeadamente de fruteiras tradicionais (pomóideas, prunóideas, castanheiro e citrinos), fruteiras sub-tropicais (bananeira, abacateiro, goiabeira, araçaleiro, physalis e maracujaleiro) e outras espécies (metrozidero, camélia, jarro, conteira, hortência, azália, eucalipto, malvão, alecrim, erva azeda, fava, etc.) que é produzido de Janeiro a Dezembro, efectuando-se a cresta de Março a Outubro.

Na cresta deixa-se sempre um pouco de mel para ajudar a sobrevivência das colmeias. Os quadros são desoperculados à faca, sendo seguidamente centrifugados. O mel é deixado em repouso em estufa à temperatura da colmeia, sofrendo ao fim de alguns dias uma bombagem superficial para retirar as impurezas sobrenadantes.


Apresentam-se comercialmente acondicionados em embalagens de vidro branco de 9,5 a 12,5 cm e peso entre 250 2 500 g. Estes frascos são embalados em caixas de cartão de dimensões adequadas para acondicionar 24 ou 48 frascos.

O mel de incenso é quase um ex libris dos Açores, sobretudo da Ilha do Pico, embora S. Miguel também o produza em quantidade apreciável.

A produção de mel de incenso está calculada em cerca de 40 ton/ano. Produzido na área geográfica constante do Despacho SRAP/94/3 do Secretário Regional de Agricultura e Pescas da Região Autónoma dos Açores. Reconhecida a Denominação de Origem pelo Despacho acima referido. O estatuto de Organismo privado de Controlo e Certificação foi reconhecido à Comissão Técnica para a Certificação (IAMA) pelo Despacho Normativo nº 259/93, de 30-12 da SRAP.

Registada e protegida a Denominação de Origem pelo Regulamento (CE) nº 1107/96, de 12-06.





sábado, 18 de maio de 2013

Padre Coelho de Sousa




Padre Coelho de Sousa
(Tributo à Memória)



Manuel Coelho de Sousa, pároco, orador, professor, poeta, pintor, jornalista, dramaturgo, encenador e ensaiador e escritor, nasceu a 30 de Setembro de 1924.

Em Outubro de 1937 entrou para o Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo, no qual foi ordenado em Junho de 1948.

Coelho de Sousa deu os primeiros passos como jornalista em suplementos culturais e exerceu as funções de Chefe de Redacção no jornal " A União" entre 1956 e 1962.

No ano lectivo de 62/63, Manuel Coelho de Sousa frequentou o curso de Filologia Hispânica na Universidade de Salamanca.

Em 1963 foi nomeado pároco da Vila de S. Sebastião – onde exerceu até ao dia do seu falecimento.

Coelho de Sousa, como professor, leccionou no Seminário-Colégio Padre Damião e na Secundária de Angra (Escola padre Emiliano de Andrade). 

Destacado jornalista, este reverendo assumiu o cargo de director –adjunto deste jornal em 1976, tornando-se mais tarde director, cargo que exerceu até 30 de Setembro de 1994 – curiosamente no dia em que fazia anos e no mês em que, um ano depois, haveria de se despedir do Mundo dos vivos.

Coelho Sousa, com busto na adro da Matriz de S. Sebastião e detentor de nome em rua na Vila S. Sebastião, tem recentemente na internet, um “blog” dedicado à sua “memória histórica”.

Segundo o autor do “blog”, a inicitiva “procura recuperar a memória histórica do Padre Manuel Coelho de Sousa, pároco, orador, professor, poeta, pintor, jornalista, dramaturgo, encenador e ensaiador, escritor e animador cultural que marcou a vida pública dos Açores, particularmente nas ilhas do grupo central do arquipélago e nas suas projecções na América do Norte, a partir da década de 50 do século passado até à sua morte em 1995”.


“Aquém e Além”

"Em Poemas de Aquém e Além, Coelho de Sousa confirma a sua vocação de sacerdote-poeta” – escreveu José Enes, no prefácio da primeira edição do referido livro.

A temática do livro gira ao redor do seu drama íntimo de doação total a Cristo, diz José Enes, que descreve o Coelho de Sousa como “orador sagrado, poeta e desenhista”.

Padre Coelho, assim conhecido por muitos, escreveu ainda as "Três de Espadas" (1979); "Na Rota da Emigração Amiga" (1983); "Migalhas" (1987) e "Boa Nova" (1994). 



Fonte: A União

sábado, 4 de maio de 2013

Santo Cristo dos Milagres



Senhor Santo Cristo dos Milagres
(A origem do culto)

A documentação disponível atribui ao Papa Paulo III (1534-1549) a oferta da imagem a religiosas que se terão deslocado a Roma no sentido de obter uma Bula Pontífica que as autorizasse a instalar o primeiro convento da Ilha de São Miguel, na Caloura ou no Vale de  Cabaços. Contudo, do confronto de diversos documentos levanta-se a hipótese de tal doação poder ser atribuída ao seu antecessor, o Papa Clemente VII (1523-1534).
 
Em virtude do Convento da Caloura, erguido sobre um rochedo à beira-mar, se encontrar demasiado exposto aos ataques de piratas e corsários, então abundantes nas águas do arquipélago, cedo as religiosas ter-se-ão transferido para outros estabelecimentos religiosos, entretanto constituídos na ilha: o Convento de Santo André, em Vila Franca do Campo, e o de Nossa Senhora da Esperança em Ponta Delgada. Entre as que a este último se dirigiram, refere-se o nome de Madre Inês de Santa Iria, uma religiosa oriunda da Galiza, que levou consigo a imagem do "Ecce Homo" (1541), que lá permanece até aos nossos dias.
 

O culto ao Senhor Santo Cristo

O culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres tomou impulso a partir dos séculos XVII e XVIII, dentro dos princípios adotados pela Igreja Católica no Concílio de Trento, no sentido da defesa da importância do culto e da adoração de imagens, um dos princípios de divergência em relação à Reforma Protestante.
 
Deve-se à irmã Teresa da Anunciada o atual culto ao Senhor Santo Cristo. Esta religiosa deu entrada no Convento da Esperança no século XVII, juntamente com uma sua irmã, Joana de Santo António. De origem nobre e de personalidade forte, a profunda devoção que a irmã Anunciada alimentava, e as suas características de santidade, fizeram com que fosse comumente tratada como "Madre", cargo que, na realidade, nunca desempenhou.
 
Desde o momento em que deu entrada no convento, Teresa da Anunciada adotou uma atitude de profunda devoção e entrega à antiga imagem do "Ecce Homo", com a qual estabeleceu uma íntima relação e à qual chamava carinhosamente de "seu Senhor" e "seu Fidalgo".
 
As duas irmãs terão tido a sua atenção despertada, e terão despertado a da população em geral, para o carácter milagroso da imagem. Joana de Santo António, antes de ser transferida para o Convento de Santo André, terá alertado nomeadamente para o poder milagroso de uma estampa que cobria a abertura do peito da imagem.
 
Teresa da Anunciada não se poupou a esforços para engrandecer a imagem do "Ecce Homo", apelando à vassalagem e entrega por parte de todos à mesma. Embora com entraves por parte de uma abadessa do convento, conseguiu que se erigisse uma capela condigna para a imagem, assim como que a imagem fosse ornada com todas as insígnias próprias de majestade. Para esses fins, contou com as esmolas de inúmeros crentes em toda a ilha, do reino e mesmo das colónias, assim como o apoio da própria Coroa.

Pedro II de Portugal, por alvará de 2 de Setembro de 1700, concedeu uma tença de 12.000 réis para manter constantemente acesa uma lâmpada  de azeite diante do altar do Senhor Santo Cristo. Foi ainda a irmã Anunciada quem organizou e instituiu a procissão anual do Senhor Santo Cristo dos Milagres, com o apoio e a colaboração da população.
 
Na atualidade, quando das festas em honra do Senhor Santo Cristo, uma multidão acorre ao Campo de São Francisco e ao Convento da Esperança que, por esta altura, assumem o papel de santuário, numa manifestação de profunda devoção, fé e respeito. Além de se prestar homenagem à imagem do Senhor, são pagas as promessas feitas.
 
Ao longo do restante do ano, a imagem encontra-se guardada numa capela do convento, localizada em frente e em sentido oposto ao altar-mor da igreja, separada da nave por um gradeamento.

A procissão

A primeira procissão em homenagem ao Senhor Santo Cristo ter-se-á realizado por iniciativa da irmã Anunciada, com o apoio da população da ilha, na sequência de uma crise sísmica prolongada, e com o intuito de aplacar a ira divina. Para esse fim, a imagem foi transportada para o altar-mor da igreja do convento, ponto a partir do qual terá partido a procissão, que percorreu todas as igrejas e conventos de Ponta Delgada. De acordo com documentos da época, mal a imagem surgiu à porta da igreja o povo se encheu de grande comoção e a crise sísmica terá parado.
 
A data desta primeira procissão é ponto de controvérsia entre os estudiosos: de acordo com o pesquisador Urbano de Mendonça Dias ter-se-á realizado a 11 de Abril de 1700; Luciano Mota Vieira, por outro lado, aponta o ano de 1698..
 
O fato é que, após a primeira procissão, a mesma tem-se repetido anualmente até à atualidade, sem interrupções, salvo raras excepções, por motivos meteorológicos.
 
No dia de Sábado muitos devotos prestam homenagem ao Senhor Santo Cristo e pagam promessas, por vezes de joelhos no chão, no Campo de São Francisco. À tarde, a imagem é entregue pelas irmãs do convento à irmandade responsável pela festa e levada em procissão para o altar-mor da igreja do convento, onde pernoita até domingo (atualmente, por motivo de escassez de espaço, a imagem pernoita na Igreja de São José, contigua ao Campo de São Francisco).
 
Na noite de Sábado para Domingo muitos devotos afluem, em romaria, de todas as direcções, para passarem a noite em adoração. Na tarde de Domingo realiza-se então a grande procissão, cortejo que percorre as principais artérias da cidade, passando por igrejas e mosteiros.
 
Saliente-se nas festas a exuberante iluminação que decora o Convento da Esperança e o Campo de São Francisco, motivo de grande atracção para locais e para turistas.




 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

José Orlando Bretão (1939-1998)






José Orlando Bretão
(Recordando o Dramaturgo e o Pintor)

Real República dos Corsários das Ilhas
Fundada em 1958
José Orlando de Noronha da Silveira Bretão nasceu em Angra do Heroísmo a 14 de Abril de 1939 e faleceu na mesma cidade a 24 de Outubro de 1998. Foi um advogado, dramaturgo e estudioso do folclore açoriano, em especial das danças de Carnaval e das Festividades do Espírito Santo. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi dirigente associativo e co-fundador da Real República Corsários das Ilhas.

Membro activo do movimento estudantil, no ano de 1962 esteve detido na prisão política de Caxias, fazendo parte do grupo de quarenta universitários presos pela PIDE em Coimbra naquele ano. Advogado em Angra do Heroísmo, foi consultor Jurídico do movimento sindical desde Janeiro de 1969 e participou desde então em todas as principais lutas reivindicativas dos trabalhadores terceirenses, antes e depois de 25 de Abril. Especialista de Direito do Trabalho, participou em vários encontros nacionais e regionais sobre Direito Laboral. Foi, nos Açores e durante vários anos, praticamente o único advogado que se dispôs a prestar serviço no movimento sindical unitário.

Foi co-fundador do Círculo de Iniciação Teatral da Fanfarra Operária, onde encenou várias peças de teatro e dirigiu cursos de formação. Sócio efectivo do Instituto Histórico da Ilha Terceira e do Instituto Açoreano de Cultura, foi Presidente da Academia Musical da Ilha Terceira, Sócio Honorário da Sociedade Recreativa Nossa Senhora do Pilar das Cinco Ribeiras e Sociedade Filarmónica Recreio de Santa Bárbara. Foi co-fundador das Cooperativas Culturais Unitas e Centelha, em Coimbra, e da Sextante e Semente, nos Açores.  

Foi Presidente da Assembleia Geral do Cine-Clube da Ilha Terceira e das Assembleias Gerais do Teatro Experimental de Angra O OUTRO TEATRO e da Associação Cultural Oficina d’Angra. Pintor naïf , está representado em  várias colecções públicas e particulares. Foi o primeiro Delegado do F.A.O.J. nos Açores, organismo que viria a dar origem às Casas da Cultura. Em Fevereiro de 1997 foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Municipal de Prata Dourada, pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Em 21 de Fevereiro de 1998, numa cerimónia que teve lugar no Museu de Angra do Heroísmo, foi celebrado um acordo entre JOSÉ ORLANDO DE NORONHA DA SILVEIRA BRETÃO e a então designada Casa da Cultura de Angra do Heroísmo, segundo o qual ficava entregue à guarda da Casa da Cultura a colecção de textos, fotografia e gravações vídeo e áudio de Danças de Entrudo, Bailinhos e Comédias do teatro popular da ilha Terceira, resultante de uma recolha efectuada pelo investigador ao longo de trinta anos. Pelo acordo assinado, a Casa da Cultura da Terceira comprometeu-se a proceder à salvaguarda da colecção recebida, facultando-a aos estudiosos da matéria para análise e investigação.

Ao ser criado o Centro de Conhecimento dos Açores, a Colecção José Noronha Bretão - Teatro Popular da Ilha Terceira, transitou para o referido Centro, estando disponível ao público interessado no fenómeno cultural do teatro popular da ilha Terceira.

A pintura de Zé Van der Hagen Bretão










Brasão dos Silveira
Willem van der Haegen, por vezes designado por Willelm van der Hagen ou Willelm van der Haagen, aportuguesado para Guilherme da Silveira, nobre flamengo que segundo James H. Guill no Livro " A History of the Azores Islands. Volume 5, pag. 140", era Neto de João I de Borgonha, que em 1470, desembarcou na Ilha do Faial a convite de Joss Van Hurtere, seu 1.º Capitão do Donatário. Liderando uma segunda vaga de povoadores, leva consigo sua família e familiares, mestres de mais variados ofícios. Sentindo posteriormente alguma má vontade e rivalidade por parte de Hurtere, decide abandonar a ilha. Hagen fixa-se nas Quatro Ribeiras, na Ilha Terceira, fazendo sua lavoura de trigo e cultivo de pastel (Isactis Tinctoria Lin.), antes produzido na Picardia e na Normandia, que exportava para a Flandres. Indo a Lisboa, encontra-se com D. Maria de Vilhena, viúva de D. Fernão Teles de Meneses e tutora de Rui Teles, seu filho. Esta cede os direitos de exploração da ilha em troca do pagamento dos direitos sobre as Ilhas das Floreiras - nome por que eram então conhecidas as ilhas das Flores e do Corvo.

"Solar dos Tiagos". Topo - São Jorge
Por volta de 1478, Hagen ter-se-á fixado na Ilha das Flores, no sítio denominado Ribeira da Cruz. Devido ao isolamento das demais ilhas e dificuldades nas comunicações, a exploração agrícola da ilha não era aliciante dada a dificuldade em exportar. Decide então abandonar a ilha, retornando para a Ilha Terceira, e desta para a Ilha de São Jorge onde se fixou definitivamente no sítio do Topo. Viveu com tanta abundância que somente de dízimo da seara que cultivava, segundo diz Gaspar Frutuoso, pagava cada ano 50 a 60 moios (Livro 6.º das Saudades da Terra). Veio a falecer cerca de 1500, estando sepultado na ermida anexa à Solar dos Tiagos, na vila do Topo, hoje em ruínas.

O apelido flamengo Haag que significa bosque, acabou por ser vertido em português por Silveira. Outra variação deturpada do seu nome é Guilherme Vanderaga.

As famílias com o apelido Silveira nos Açores, regra geral, descendem do flamengo Willem van der Hagen. Os seus descendentes espalharam-se por todas as ilhas dos Açores, embora na Ilha Graciosa surja outro ramo onde os Silveiras ali estabelecidos constituem um ramo dos Silveiras do continente português.



José Orlando Bretão

Estudioso do Teatro Popular Terceirense

Aquele que maior contribuição deu ao estudo do fenómeno terceirense que são as Danças e Bailinhos de Entrudo, apesar de já ter partido, há anos, é sempre lembrado quando chega a época do Carnaval.

Sem dúvida que José Orlando Bretão, foi quem deu o maior contributo para o seu estudo, verdadeiramente cientifico, técnico e histórico. E, igualmente quem mais divulgou esta forma de teatro popular, junto das maiores autoridades nacionais do teatro que desconheciam a força, valor e interesse desta manifestação cultural da ilha Terceira, nos Açores.

In: Bago D'Uva



terça-feira, 16 de abril de 2013

Emanuel Félix (1936-2004)


Emanuel Félix
(Recordando)


Emanuel Félix Borges da Silva nasceu em Angra do Heroísmo a 24 de Outubro de 1936 e faleceu no dia 14 de Fevereiro de 2004 na mesma cidade. Poeta, ensaísta, autor de contos e crónicas, crítico literário e de artes plásticas. Foi considerado o introdutor do concretismo poético em Portugal, que cedo rejeitou, tendo passado pela experiência surrealista.Fundou e foi co-director da revista Gávea (1958).

Foi co-director da revista Atlântida, do Instituto Açoriano de Cultura. Iniciou os seus estudos nos Açores, tendo, porém, feito quase toda a sua preparação técnico-profissional no estrangeiro, designadamente no Instituto Francês de Restauro de Obras de Arte (Paris), na Escola Superior de Belas-Artes do Anderlecht e na Universidade Católica de Lovaina, onde se especializou no Laboratório de Estudo de Obras de Arte por Métodos Científicos do Instituto Superior de Arqueologia e História da Arte da mesma Universidade.Efectuou visitas de estudo e frequentou estágios de longa duração em institutos superiores e serviços científicos de museus de Paris, Ruão, Bruxelas, Liége, Amsterdão, Londres, Roma, Florença, etc.



Emanuel Félix estreia como poeta com o premiado título O Vendedor de Bichos,combinada com uma delicada intensidade emotiva." no qual revelava uma voz ímpar e inovadora. "O seu nome tornou-se mais do que todos uma referência incontornável na poesia escrita nos Açores, mas, muito mais do que isso, alcandorou-se aos níveis mais altos da poesia nacional. A sua poesia evidencia um fino esmero estético e uma grande maestria e pureza estilística.Da sua produção literária cita-se: Vendedor de Bichos (Poesia) Lisboa, 1965; Angra no Último Quartel do Século XVI, Angra do Heroísmo, 1967; A Palavra O Açoite (Poesia) Coimbra, 1977; A Viagem Possível (Poesia, 1965/81) Angra do Heroísmo, 1984; Seis Nomes de Mulher (Poesia) Angra do Heroísmo, 1985; António Dacosta - Esboço de um Roteiro Sentimental, Angra do Heroísmo, 1988; O Dragoeiro (Dracaena Draco da Macaronésia) Chave da Grande Obra em Jerónimo Bosch, Angra do Heroísmo, 1988; Conceito e Dinâmica do Património Cultural, Angra do Heroísmo, 1989; O Instante Suspenso (Poesia) Angra do Heroísmo, 1992; A Viagem Possível (2ª edição refundida e actualizada) Lisboa, 1993; Os Trincos da Memória (Ficção Narrativa) Ponta Delgada, 1994; Iconografia e Simbólica do Espírito Santo nos Açores, Praia da Vitória, 1995; Habitação das Chuvas (Poesia), Angra do Heroísmo, 1997. 


Por ocasião do 50º aniversário da sua estreia literária, a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo organizou uma grande exposição comemorativa. Dessa exposição foi editado o catálogo Emanuel: 50 Anos de Palavras (1952-2002).




O ano de 2003 marcou a saída de Emanuel Félix: 121 Poemas Escolhidos(1954-1997), numa edição das Edições Salamandra, uma riquíssima coletânea de seus poemas ou melhor: “ o seu testamento poético”.

domingo, 17 de março de 2013

Augusto Gomes



Augusto Gomes


Nascido em Angra do Heroísmo, a 6 de Maio de 1921, tendo falecido em Novembro de 2003, Augusto Gomes foi Escritor, Investigador, Contista, Jornalista e Autor consagrado de muitas publicações especializadas na área da Culinária, da História e da Etnografia das Ilhas dos Açores. 

Tendo frequentado a antiga Escola Madeira Pinto (Angra do Heroísmo), completaria os seus estudos com o Curso Comercial da antiga Escola António Augusto de Aguiar, no Funchal, em 1940.

Várias vezes premiado em Concursos Literários, de Contos e em Jogos Florais, Augusto Gomes foi assíduo colaborador da Imprensa, da Rádio e Televisão Açorianas. 

Homem de Teatro, escreveu, ensaiou e interpretou as Revistas Alagado pingando, Em mangas de camisa, Talvez te enganes e Faz-me cócegas, tendo também ensaiado e desempenhado o papel principal (“Ti Cândido”) na Opereta Glória ao Divino (1959) de Frederico Lopes, e interpretado a figura de Frei João da Ribeira no Auto Ao mar... (1960) de Coelho de Sousa. Escreveu ainda e ensaiou a Opereta Regional Amor Campestre, levada à cena pelo Grupo Teatral do Posto Santo. 

Entre outras, Augusto Gomes foi também autor das seguintes obras, muitas delas esgotadas ou com edições sucessivas: 

- Cozinha Tradicional de S. Miguel, Prefácio de Silveira Paiva, Angra do Heroísmo, 1988; Cozinha Tradicional de Santa Maria, Prefácio de Maria da Conceição Bettencourt Medeiros, Angra do Heroísmo, 1998; O Peixe na Cozinha Açoriana e Outras Coisas Mais, Prefácio de João Vieira Gomes, Angra do Heroísmo, 2001; Perdoe pelo Amor de Deus, Prefácio de Manuel Coelho de Sousa, Angra do Heroísmo, 1981; Alma da nossa Gente, Prefácio de Jorge Forjaz, Angra do Heroísmo, 1993; Teatro Angrense, Elementos para a sua História, Prefácio de Joaquim Ponte, Angra do Heroísmo, 1993; Filósofos da Rua, Introdução de Sérgio Ávila, Prefácio de Luísa Brasil, Angra do Heroísmo, 1999, e Danças de Entrudo nos Açores, Prefácio de Eduardo Ferraz da Rosa, Angra do Heroísmo, 1999. 

No seu Estudo Introdutório a um dos últimos livros de Augusto Gomes, o Dr. Eduardo Ferraz da Rosa escreveu assim: 

- “Se em Filósofos da Rua bem diversificada e exemplarmente revelou Augusto Gomes o seu pendor evocativo de Contista e Cronista [...], já em A Alma da nossa Gente os usos, costumes, festas, ritos, utensílios, artefactos, devoções, hábitos, crenças, valores, etc., do Povo da Ilha Terceira [...], reaparecem à evidência possível de e para uma visão maravilhada das nossas tradições mais ancestrais. 

“ Naquilo que traduzem, assumidamente entre modelos realistas e ficcionados, das tessituras humanas, socio-históricas e de muitas das topografias referenciais, concretas e imaginárias da Ilha Terceira e da Cidade de Angra do Heroísmo, os livros e os registos coloquiais directos de Augusto Gomes preservam com dignidade um estilo de discurso e de memória locais, marcando e reflectindo uma época, uma linguagem geracional, uma gramática social e uma paisagem poética internamente coerentes. 

“E depois, por todo o conjunto desse articulado e complementar labor de criação, investigação e conteúdo de arquivo patrimonial antropológico, as obras deste terceirense [...] deixam palpitar e entretecer, exactamente pelos tempos e espaços acima e abaixo das múltiplas e respectivas gerações da nossa terra insular, muito do mais decisivo perfil signitivo da alma da Pátria Açoriana”.