quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Alto da Memória


O ALTO DA MEMÓRIA


O Alto da Memória ou Outeiro da Memória localiza-se no cimo do Jardim Duque da Terceira, no centro histórico da cidade e Concelho de Angra do Heroísmo.

Neste local o capitão do donatário João Vaz Corte Real fez erguer a primeira fortificação da antiga Angra, o chamado Castelo dos Moinhos, cerca de 1474. Esta fortificação, longe do mar, traduzia uma concepção ainda tardo-medieval, europeia e mediterrânica, de defesa em acrópole.

O obelisco que o caracteriza atualmente foi erigido no século XIX em homenagem à passagem de D. Pedro IV de Portugal pela Terceira, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1824).

De evidente simbologia maçónica, teve a sua pedra fundamental lançada a 3 de Março de 1845, estando concluído em 1856. Essa primeira pedra foi recolhida no cais da cidade, sendo uma das que o imperador havia pisado quando de seu desembarque naquele local, em 1832. As pedras do antigo castelo foram reaproveitadas para a construção do obelisco.

Este monumento foi praticamente destruído pelo grande terramoto de 1980, que provocou enormes estragos nas ilhas do Grupo Central do arquipélago.

Foi reconstruído e reinaugurado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo em 25 de Abril de 1985.

De seu miradouro o visitante desfruta de uma vista abrangente Angra do Heroísmo e a sua baía, bem como do Forte de São Sebastião, da Fortaleza de São João Batista, do Monte Brasil, da Serra do Moirão e da Serra da Ribeirinha.



A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV, o monarca que se deslocou aos Açores, em 1832, para liderar as tropas que lutavam pela implantação do regime liberal.

A ideia de erguer-lhe um monumento foi decidida em 1835, mas contratempos vários foram adiando o projecto. 





Rua da Sé

Uma cerimónia de grande pompa que movimentou todas as autoridades da ilha. Um cortejo saído da Câmara Municipal subiu a Rua da Sé, passando pela Rua do Rego em direcção à Miragaia para terminar no largo do antigo Castelo dos Moinhos.

Com os donativos que foram sendo recolhidos, a pirâmide ficou concluída em 1856. Após uma pausa nas obras, os trabalhos de ordenamento do espaço circundante iniciaram-se em 1862, desconhecendo-se a data em que foram concluídos. O lado do quadrado da base da pirâmide tem 6,82 m e a altura atinge os 21,76 m.









Vistas do Alto da Memória
 sobre Angra do Heroísmo







segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Os Condes da Praia da Vitória


Brasão de Armas dos Condes
da Praia da Vitória

Os Condes da Praia da Vitória


1º. Conde da Praia da Vitória
Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara (Angra, Palácio de Santa Luzia, 25 de Abril de 1807 - Angra do Heroísmo, Palácio de Santa Luzia, 25 de Outubro de 1870), 1.º Visconde de Bruges e 1.º Conde da Praia, de seu nome completo Teotónio Simão de Ornelas Bruges Paim da Câmara de Ávila e Noronha Ponce de Leão Borges de Sousa e Saavedra, foi um notável vulto da história local terceirense e da história nacional que desempenhou um papel determinante no sucesso da causa liberal nos Açores e no arranque do processo que levaria à vitória do liberalismo na guerra civil portuguesa.

Sendo um rico terratenente da ilha Terceira, a sua adesão foi determinante no sucesso da causa liberal na ilha. Liderou, com apenas 21 anos de idade, o movimento político-militar de 22 de Junho de 1828 que restaurou o liberalismo na Terceira e abriu caminho para que a ilha se transformasse no trampolim a partir do qual a causa liberal se imporia em Portugal. Encarregue de diversas missões determinantes para o sucesso da causa e seu principal financiador, foi por duas vezes Secretário de Estado dos Negócios da Guerra do governo da Regência de Angra. Posteriormente, ocupou diversos cargos governativos nos Açores, entre os quais presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, sendo nessa função o primeiro presidente de Câmara eleito no país, e administrador-geral do Distrito de Angra do Heroísmo.

Fragata "Amazona"
Foi eleito deputado às Cortes para a legislatura de 1834 A 1836 pela Província Ocidental dos Açores, sendo entretanto feito Par do Reino a 1 de Outubro de 1835, um dos primeiros a receber tal distinção após a implantação da Monarquia Constitucional. Era figura destacada da Maçonaria.

Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara nasceu na freguesia de Santa Luzia, da cidade de Angra, a 25 de Abril de 1807, filho de André Eloy Homem da Costa Noronha e de Rita Pulquéria de Ornelas Bruges Paim da Câmara, ambos da melhor aristocracia açoriana.

1810 - Relação dos Deportados
A sorte fez de Teotónio o herdeiro de pelo menos 25 vínculos diversos, criando nele o maior morgado terceirense e o mais rico terratenente da ilha. Esta posição transformou-o no mais influente homem da ilha, já que contava entre os seus rendeiros e foreiros boa parte dos lavradores terceirenses.

Cedo aderiu à causa liberal, provavelmente por convívio com os deportados trazidos para Angra pela fragata Amazona. A sua riqueza permitindo-lhe ocupar rapidamente lugares de liderança entre os poucos liberais da ilha. Essa posição permitiu-lhe, com apenas 21 anos de idade, ser o líder incontestado da revolta liberal de Angra, um movimento político-militar que com a colaboração do Batalhão de Caçadores nº. 5, então aquartelado no Castelo de São João Baptista do Monte Brasil, restaurou a 22 de Junho de 1828 o liberalismo na Terceira.

D. Maria II
Quando a Terceira ficou isolada como único bastião liberal da monarquia portuguesa, com um governo totalmente desprovido de recursos, empenhou toda a sua fortuna na defesa da causa do liberalismo, sustentando à sua custa as tropas aquarteladas na ilha e mantendo o funcionamento da estrutura administrativa até que fosse possível a chegada de reforços. Apesar da sua juventude, foi-lhe por duas vezes confiado cargo de Secretário de Estado dos Negócios da Guerra do governo da Regência de Angra, sendo nessas funções responsável pela manutenção das forças sitiadas na ilha.

Quando em 1831 se tornou necessário enviar uma deputação a Paris, onde se encontrava então a jovem rainha D. Maria II, para lhe jurar fidelidade em nome dos liberais acantonados na Terceira, a presidência coube a Teotónio Paim de Bruges. Empreendeu então a perigosa viagem, sempre com risco de apresamento pelas forças portuguesas afectas a D. Miguel I, tendo-se havido brilhantemente na sua missão, convidando D. Pedro IV a assumir pessoalmente o comando das forças liberais. Deixou uma impressão tal junto do soberano que terá contribuído para a sua decisão de partir para aos Açores e dali lançar a sua ofensiva.

D. Pedro IV
Durante a sua missão a Paris, esteve em Inglaterra e França e  a acompanhar o exército liberal emigrado e o próprio D. Pedro IV.

Após o seu regresso a Angra, desempenhou as funções de membro da Junta Consultiva e recebeu no seu palácio de Santa Luzia (sito no local onde hoje existe o Observatório Meteorológico José Agostinho) o imperador D. Pedro IV, sendo o principal apoio local na organização da recepção real.

Por decreto real de 7 de Dezembro de 1831 foi nomeado presidente da comissão encarregada de contrair nos Açores um empréstimo de um milhão de réis para apoio ao exército liberal. No dia seguinte foi-lhe concedido o título de Visconde de Bruges.

1832/1982 - O embarque dos Bravos do Mindelo
Terminada a guerra civil, logo em 1834 foi eleito deputado às Cortes Gerais Extraordinárias da Nação pelo círculo da então Província Ocidental dos Açores, mas não consta que tenha prestado juramento. No ano seguinte, por decreto de 1 de Outubro de 1835, foi nomeado Par do Reino, entre os primeiros nomeados do novo regime. Tomou posse na Câmara dos Pares a 26 de Fevereiro de 1836, passando, durante as suas idas a Lisboa, a frequentar a Câmara onde se dedicou essencialmente à defesa dos interesses do seu círculo.

Em 1836 foi nomeado administrador-geral do Distrito de Angra do Heroísmo, funções que exerceu até 1839. No ano de 1847, no contexto da Patuleia, foi eleito Presidente da Junta Governativa de Angra pela Nação e Rainha, ligada à Junta do Porto.

1849 - Câmara Municipal de
Angra do Heroísmo
Desempenhou, por várias vezes, as funções de Presidente da Câmara Municipal de Angra, sendo nessas funções, logo em 1833, o primeiro presidente eleito de um município português.

Optou pela ala setembrista do liberalismo, sendo líder do respectivo partido na ilha Terceira. Aderiu ao Partido Histórico, sendo o seu líder no Distrito de Angra do Heroísmo até ao seu falecimento.

Por carta régia de 6 de Agosto de 1863 foi-lhe concedido o título de Conde da Vila da Praia da Vitória. Era também fidalgo cavaleiro da Casa Real, comendador da Ordem de Cristo e tinha o posto honorário de Coronel Comandante do Batalhão de Voluntários da Rainha. Foi condecorado com a Medalha n.º 9 das Campanhas da Liberdade.

11 de Agosto de 1829 - Batalha da Praia
Esteve envolvido em múltiplas iniciativas de beneficência, devendo-se-lhe a fundação de escolas, asilos e outras instituições benemerentes nas três ilhas que formavam o então Distrito de Angra. Em consequência dessas actividades e da sua intervenção como financiador da causa liberal, foi obrigado a vender a maior parte das suas terras, sendo essa venda uma das razões que permitiram a quase inexistência de latifúndios na ilha Terceira e o equilíbrio sócio-económico de que a ilha beneficia desde os finais do século XIX.

Pedra de Armas da
Câmara Municipal de
Angra do Heroísmo
O processo de desagregação da poderosa Casa dos Condes da Praia terminaria duas gerações depois com a renúncia ao título de 3.º Visconde de Bruges, por insuficiência económica, feita pelo seu neto Teotónio Octávio de Ornelas Bruges que nasceu em Lisboa a 10 de Março de 1861 e faleceu em Angra do Heroísmo a 2 de Novembro de 1906.

Atestando a enorme influência e popularidade de que gozava, o seu funeral foi a maior manifestação popular da história da ilha, juntando cerca de 20 000 pessoas, um número jamais batido.

O conde da Praia tinha casado duas vezes, a primeira, a 16 de Março de 1833, com Elvira Esmeraldo Monteiro, filha de um abastado comerciante da Madeira, e a segunda, a 25 de Abril de 1853, com Emília Amélia de Almeida Tavares do Canto, filha de um destacado morgado miguelista. Teve filhos de ambos os casamentos.


2º Conde da Praia da Vitória
Seu filho, Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paím da Câmara, 2º Visconde de Bruges e 2º Conde da Praia da Vitória, nascido em Angra a  14 de Dezembro de 1833 e falecido no Funchal a 20 de Janeiro de 1889, sucedeu-o na liderança do Partido Histórico, sendo eleito deputado, continuando a sua obra política.

Foi governador civil do Distrito de Ponta Delgada durante o período que decorreu de 13 de Setembro de 1869 a 11 de Outubro de 1877, num total de mais de oito anos, uma proeza notável num período marcado pela instabilidade política.

Por decreto de 24 de Dezembro de 1864 foi feito 2.º Visconde de Bruges, título que havia pertencido a seu pai e que este tinha trocado pelo de Conde da Praia.

Foi adido à legação de Portugal em Bruxelas.

Em 1886, foi sócio fundador da Sociedade Promotora das Artes e Letras da cidade de Angra do Heroísmo.

23-SET-1875 - Carta expedida de Londres,via Lisboa, Franca de Porte de Lisboa para
 São Miguel e, posteriormente, Terceira, endereçada ao Conde da Praia da Vitória


Após a morte de seu pai, ocorrida em Outubro de 1870, herdou a posição de líder do Partido Histórico no Distrito de Angra do Heroísmo, cargo que manteve, após o Pacto da Granja, no Partido Progressista.

Recebeu também em herança a grande casa vincular paterna, a maior da ilha Terceira, mas já muito afectada pelas enormes despesas que aquele fizera no apoio à causa liberal durante a Regência de Angra.

Diz-se que o património que recebeu estava crivado de dívidas, razão pela qual foi forçado a vender a maioria dos bens que herdou.


Por esta altura foi confirmado, por decreto de 9 de Novembro de 1870, no título de 2.º Conde da Vila da Praia da Vitória, sucedendo também no título a seu pai.

Brasão de Armas do 2º Conde
da Praia da Vitória
Par do Reino por sucessão no lugar de seu pai, não se lhe conhecem intervenções relevantes na Câmara dos Pares.

Voltou a ser eleito deputado para a legislatura de 1884-1887, tendo prestado juramento nas Cortes a 28 de Fevereiro de 1885. As suas intervenções parlamentares versaram apenas questões relativas ao seu círculo eleitoral, tendo apoiado outros deputados açorianos em projectos relativos a obras públicas, navegação e fiscalidade no arquipélago.

Faleceu no Funchal a 20 de Janeiro de 1889. Durante a sua carreira foi agraciado com a grã-cruz da Imperial Ordem de Francisco José da Áustria e feito comendador da Ordem Militar de Cristo e da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Era ainda oficial da Academia de França.

Câmara Municipal de Angra do Heroísmo
No salão nobre dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo existe um retrato a óleo de Teotónio de Ornelas Bruges, visconde de Bruges, executado pelo pintor italiano Giorgio Marini. O retrato foi descerrado em cerimónia realizada a 1 de Janeiro de 1874, recordando aquele que, logo após a instauração do regime constitucional, foi o primeiro Presidente de Câmara eleito em Portugal.





25 de Abril de 1907
Auto comemorativo do centenário natalício

O centenário do nascimento do Conde da Praia foi celebrado a 25 de Abril de 1907 com grande pompa e circunstância, merecendo edição especial dos periódicos angrenses e larga cobertura pela imprensa de todas as ilhas açorianas.






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sábado, 19 de janeiro de 2013

Biodiversidade Açoriana




BIODIVERSIDADE NOS AÇORES


O conceito de Biodiversidade inclui a variabilidade entre os organismos vivos, incluindo os ecossistemas, e ainda a diversidade dentro de cada espécie, bem como a diversidade genética e alélica. Em julho de 2008, estavam classificados nos Açores 23 SIC (sítios de importância comunitária) e 15 ZPE (zonas de proteção especial). A Crista Média-Atlântica (CMA) atravessa o arquipélago entre as ilhas do Grupo Central e do Grupo Ocidental. As ilhas Graciosa, das Flores e do Corvo foram classificadas pela UNESCO como Reserva da Biosfera.



Biodiversidade terrestre

No arquipélago ocorrem cerca de 227 espécies de aves, 33 das quais nidificam anualmente nas ilhas, sendo um terço aves endémicas. Das espécies de avifauna mais importantes se destaca o priolo (Pyrrhula murina), uma ave terrestre rara, endémica dos Açores em perigo de extinção, cujo habitat se confina à Floresta Laurissilva existente no nordeste da Ilha de São Miguel. Esta espécie foi muito abundante no século XX, chegando a ser uma praga para a fruticultura.


O painho-das-tempestades-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi) é uma ave marinha endémica presente no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, na Ilha Graciosa. Assume particular importância o cagarro (Calonectris diomedea borealis), em que 65% da população mundial se reproduz nos Açores e o garajau-rosado (Sterna Dougallii), em que cerca de 59% da população europeia escolhe as ilhas para nidificar.

A águia-de-asa-redonda (Buteo buteo ssp. rothschildi) é única ave rapina presente em todo o arquipélago, com excepção das ilhas do Grupo Ocidental. É vulgarmente chamada de milhafre dos Açores. Em rigor, não é um milhafre (Milvus migrans) ou um açor (Accipiter gentilis). Na Ilha Terceira, é chamada de "Queimado".

O morcego-dos-açores (Nyctalus azoreum) é o único mamífero terrestre endémico dos Açores.


Espéceis infestantes

As espécies invasoras provocam grandes danos nos ecossistemas e meios urbanos e são já a segunda maior causa de extinção de espécies a nível mundial a seguir à perda de habitat.

Estão presentes três espécies de roedores - vulgarmente designados de ratos: ratazana preta ou rato de quinta (Rattus rattus), ratazana castanha ou rato de esgoto (Rattus norvegicus) e murganho ou rato doméstico (Mus musculus). A sua presença causa importantes prejuizos na produtividade agricola e pecuária e são uma ameçaça à avifauna. Estima-se que mas de 50% dos ratos das ilhas de São Miguel e Terceira são portadores da batéria Leptospirose. Esta infeção, por vezes fatal, afeta os profissionais do setor agro-pecuário.

O escaravelho japonês (Popillia japonica Newman) é um inseto introduzido acidentalmente na Ilha Terceira a partir dos EUA, muito provavelmente através da Base das Lajes. Foi identificado pela primeira vez em 1970. O inseto foi detetado na Ilha de Faial em 1996, na altura confinado apenas ao Monte da Guia, mas rapidamente se alastrou na ilha. Foi detetado nas ilhas de São Miguel (numa área restrita) em 2003, do Pico em 2006 e das Flores (no cais das Lajes das Flores) de 2007.


Atualmente, são conhecidas três espécies de térmitas nos Açores: a térmita de madeira húmida (Kalotermes flavicollis), a térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) e a térmita subterrânea (Reticulitermes grassei). A térmita de madeira seca constitui atualmente a praga urbana mais preocupante nos Açores, com impatos económicos e patrimoniais. Na cidade da Horta, poderá encontrar térmitas subterrâneas. As térmitas devoram todos os tipos de madeira, mas as menos afetadas são as madeiras mais duras. Têm suscitado uma preocupação considerável junto dos cidadãos e da comunidade científica. A sua deteção oficial só se deu em 2002, quando a praga já ocupava extensas áreas das cidades de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta. Prevê-se que nas próximas décadas, elas possam invadir outras ilhas do arquipélago. Foi encontrado um percevejo californiano (Belonochilus numenius Say) na zona do Monte Brasil, na Ilha Terceira. Em alguns casos reportados, se pode transformar numa praga. Aconselham uma elevada atenção à existência desta espécie em árvores ornamentais usadas em parques e em zonas urbanas das cidades.

A proliferação de espécies vegetais invasoras, mais do que a utilização dos solos, é a maior ameaça atual à biodiversidade nos Açores. No que respeita à flora exótica, é de salientar que a hortênsia (Hydrangea macrophylla) assume na Ilha das Flores um papel de invasora de relevo, ao contrário das restantes ilhas onde a dispersão desta espécie se encontra mais ou menos controlada, sendo a conteira ou roca-da-velha (Hedychium gardnerarum Sheppard) e o incenso (Pittosporum umdulatum) que assume o papel de invasoras mais importantes, ocupando já grandes áreas nas ilhas mais populosas do arquipélago, com especial destaque para Ilha de São Miguel. Nos últimos anos, há uma preocupação crescente com uma nova invasora evadida dos quintais e jardins, o gigante (Gunnera tinctoria) originária do Brasil. Esta está a expandir rapidamente na Ilha de São Miguel.

Estas espécies causam grandes dificuldades às plantas endémicas, devido ao seu grande desenvolvimento e competitividade. A perda de floresta endémica compromete também as espécies animais que dela dependem.

Em 2002, no porto da Horta, Ilha do Faial, foi descoberta a alga infestante caulerpa webbiana.

No litoral, a floresta laurissilva é composta principalmente por espécies como o Pau-branco (Picconia azorica) e a Faia-da-terra (Myrica faya). Após a faixa litoral, encontramos uma laurissilva termófila cujos representantes, para além do Pau-branco e Faia-da-terra, são ainda o Louro-das-ilhas (Laurus azorica), a Ginja-do-mato (Prunus azorica), o Folhado (Viburnum tinus ssp. subcordatum) e o Sanguinho (Frangula azorica). Por último, encontramos uma laurissilva de altitude a qual, para além do Louro-das-ilhas, é caraterizada pela presença do Azevinho (Ilex perado ssp. azorica). As espécies endémicas são aquelas que ocorrem apenas no arquipélago devido a processos de especiação - Neo-endemismos - ou extinção de populações noutros locais onde também ocorriam - Paleo-endemismos.

O primeiro caracol endémico foi encontrado nos Açores em 1845. Lagartixa (Lacerta dugesii)

Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica)

São fauna cinegética açoriana: coelho (Oryctolagus cunniculus), codorniz (Coturnix coturnix conturbans Hartert), galinhola (Scolopax rusticola), narceja (Gallinago gallinago), perdiz-vermelha (Alectoris rufa), patos, Pombo-das-rochas (Columba livia atlantis).

Biodiversidade marinha



Além das reservas da biosfera, o arquipélago dos Açores possui áreas classificadas e reconhecidas internacionalmente por razões ambientais e cientificas com o estatuto de Rede Natura 2000, Património Natural da Humanidade, Áreas RAMSAR e Áreas Marinhas Protegidas ao abrigo da Convenção OSPAR, e outras de âmbito nacional e internacional.

Grande variedade de espécies, quer de algas, corais de profundidade, invertebrados e peixes.
peixes pelágicos e/ou demersais

O mar dos Açores apresentam uma grande diversidade de espécies de cetáceos (ao todo 23 espécies), cuja frequência varia sazonalmente. Devido à ausência de plataforma continental é possível ver espécies pelágicas (), que em outras regiões não se aproximam tanto da costa. Durante os meses de Verão, as ilhas são uma região privilegiada para a sua observação e investigação cientifica.

O Espaço Talassa comprovou a existência de 4 espécies de cetáceos nos Açores, que não estavam incluídas na lista de espécies oficiais. São a Baleia de Bryde (Balaenoptera edeni), a Baleia piloto de barbatanas compridas (Globicephala melaena), a Baleia de bico de Blainville (Mesoplodon densirostris) e o Golfinho de Fraser (Lagenodelphis hosei). No dia 5 de janeiro de 2009, é observada uma Baleia-franca boreal (Eubalaena glacialis). Este é o primeiro registo confirmado nos Açores desde 1888, ano em que o último exemplar desta espécie foi capturado. Durante 121 anos decorridos entre estas duas ocorrências, existem apenas três observações não confirmadas da espécie, todas elas na primeira metade do século XX.

Estão registadas 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. O tubarão-baleia (Rhincodon typus) foi avistado ao largo da Ilha de Santa Maria. Vive habitualmente em oceanos quentes e de clima tropical, é a maior das espécies de tubarão e o maior peixe conhecido. Nos Açores, é também conhecido como Pintado, em virtude do seu dorso estar repleto de pequenas manchas esbranquiçadas.

De entre as espéceis marinhas costeiras consideradas perigosas, temos a caravela-portuguesa (Physalia physalis) e peixe-aranha (Echiichthys vipera).

Investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç) identificaram e capturaram três exemplares do abadejo-cometa (Benthocometes robustus) que, até agora, não estava referenciada no arquipélago. A sua presença nunca tinha sido confirmada nos mares dos Açores, embora alguns estudos efetuados em 1993 e 1997 tivessem assinalado como duvidosa a sua presença.

Registaram-se 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. A diversidade entre estas espécies é extrema, variando desde o pequeno Tubarão-anão até ao Tubarão-baleia. De um modo geral, podemos dividir os tubarões dos Açores em dois grandes grupos: espécies pelágicas e de profundidade.


Grande-tubarão-branco (Carcharodon carcharias) Tubarão-mako ou Rinquim (Isurus oxyrhinchus) Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvieri) Tubarão-touro (Carcharhinus leucas) Tubarão-de-pontas-brancas-oceânico (Carcharhinus longimanus) Tubarão-azul ou Tintureira (Prionace glauca)


Outras espécies das ilhas que mesmo não sendo endémicas estão presentes de forma constante: águia de asa-redonda (Buteo buteo rothschildi), garajau-comum (Sterna hirundo), tentilhão (Fringilla coelebs moreletti).

Ao nível das espécies foi realçada a ocorrência da toninha-brava (Tursiops truncatus) e da tartaruga-careta (Caretta caretta).

Floresta Laurissilva


Desde o ínicio do povoamento das ilhas, os Açores sofreram uma grande desforestação. A presença da Floresta Laurissilva é atualmente residual, se encontrando em manchas isoladas em todas as ilhas, sendo as maiores e mais significativas na Ilha do Pico (no Planalto Central e reserva florestal do Caveiro), na Ilha Terceira (na Serra de Santa Bárbara) e no nordeste da Ilha de São Miguel.

O ecossistema florestal com árvores de grande porte maioritariamente lauráceas - loureiro das ilhas (Laurus azorica), o vinhático e o barbusano - um autêntica relíquia viva com origem na Era Terciária.

É enorme importância nos ecossistemas oceânicos os montes submarinos (64 de grandes dimensões e 398 de menores dimensões) e as fontes hidrotermais de grande profundidade - atualmente cinco.

Os Açores têm apenas 31,8% do seu território florestado, isto é, 74,7 mil hectares. De acordo com os últimos dados das Estatísticas Agrícolas 2010, do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é um valor que está abaixo da média nacional (que é de 38,7%) e da Madeira (que atinge os 42,4%). Segundo INE, a região têm apenas 10,9% do território tem floresta natural, enquanto que na Madeira isso representa 20,15% do território. Segundo o Inventário Florestal da Região, realizado em 2007 pela Direção Regional dos Recursos Florestais (DRRF), com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG), dá 71,5 mil hectares de área florestada. Isso que reduz a área para 30% do total. E onde o INE refere 25,4 mil hectares de floresta natural, o IFR dá 22,9 mil, reduzindo-a para 9,9%.
A Ilha do Corvo é a ilha com menor espaço florestado - apenas 2,89% - enquanto que a ilha das Flores é a que tem maior espaço florestado (49,3%). Em relação à floresta natural, é de novo o Corvo com o menor espaço (apenas 0,8%), enquanto que São Jorge é que tem a maior mancha de floresta natural (17,24%).

Em termos dos espaços florestais - o total florestado menos os espaços naturais, a espécie com maior predominância é o incenso, uma planta invasora sem utilidade comercial e que impede o desenvolvimento de outras plantas na sua proximidade. Muito utilizada antigamente como sebe viva no interior das quintas (com predominância para os laranjais), acabou por ser a mais significativa espécie florestal dos Açores. O incenso ocupa 49,25% da área florestada açoriana, o que é dramatico. Para se ter uma ideia, a criptoméria japónica, que é a segunda espécie mais importante e dá às ilhas o seu estilo florestal, ocupa apenas 25,5% da área florestada.

As situações mais graves ocorrem precisamente nas ilhas onde há mais área florestada – o que lhes retira boa parte da importância. Na Ilha dss Flores, 72,67% é incenso, e na Ilha do Pico, 78,4% é imenso. Na Ilha do Corvo, esse valor atinge os 79,5%. Na Ilha de São Miguel representa apenas 23,2% da sua área florestal – o que representa apenas 15% do total.




Hidrotermalismo de grande profundidade


Atualmente, são conhecidas cinco fontes hidrotermais de grande profundidade (Lucky Strike, descoberta em 1992, Menez Gwen, em 1994, Rainbow, em 1997, Saldanha, em 1998 e Ewan, em 2006), todas elas localizadas a sul do arquipélago açoriano, e a serem alvo de estudos científicos.

Duas das fontes hidrotermais – "Menez Gwen", com uma área de cerca de 10 mil hectares, e "Lucky Strike", com mais de 19 mil hectares – foram classificadas de Sítios de Interesse Comunitário (SIC) da região biogeográfica da Macaronésia, mercê do elevado interesse científico de que se revestem, designadamente na área do estudo da biodiversidade marinha de grande profundidade.

Localizados entre 140 e 180 milhas a sudoeste da Ilha do Faial, os dois campos hidrotermais encontram-se entre os 800 e os 1700 metros de profundidade, expelindo fluidos que chegam a ultrapassar os 330 graus Celsius de temperatura, o que não impede a proliferação, nas respetivas áreas, de inúmeras formas de vida.

A fonte hidrotermal "Rainbow", com uma área de cerca de 2 215 hectares, situa-se a uma profundidade de 2 300 metros e a 40 milhas para além do limite da Zona Económica Exclusiva (ZEE), embora dentro da área de alargamento da plataforma continental portuguesa (EMEPC). A 5 de agosto de 2007, a Comissão Internacional Oslo-Paris (OSPAR) aceitou a jurisdição de Portugal sobre a fonte hidrotermal Rainbow.


Maravilhas naturais dos Açores


  • Floresta Laurisilva da Serra da Tronqueira, Nordeste
  • Gruta do Carvão, Ponta Delgada
  • Lagoa do Vulcão do Fogo
  • Lagoa das Furnas e Parque Botânico Terra Nostra
  • Área Portegida das Sete Cidades - uma das 7 Maravilhas de Portugal (zona aquática não-marinha)
  • Caldeira Velha (MNR), Ribeira Grande
  • Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico - uma das 7 Maravilhas de Portugal (grandes relevos)
  • Gruta das Torres (MNR)
  • Fajã de Santo Cristo, Ilha de São Jorge
  • Centro Histórico de Angra do Heroísmo - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Algar do Carvão (MNR)
  • Paisagem Portegida do Monte Brasil, Angra do Heroísmo
  • Rocha dos Bordões (MNR), Ilha das Flores
  • Ilha das Flores - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha do Corvo - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha Graciosa - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Caldeira da Graciosa (MNR)
  • Furna do Enxofre (MNR)
  • Pedreira do Campo (MNR), Ilha de Santa Maria
  • Paisagem Portegida do Monte da Guia
  • Caldeira do Faial (RN)
  • Vulcão dos Capelinhos, Ilha do Faial

Blocos Filatélicos 















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