sábado, 15 de julho de 2017

A Ilha do Pico



1848 - Ilha do Pico





A Ilha do Pico é a segunda maior ilha do Arquipélago dos Açores. Dista 8,3 Km da Ilha do Faial e 15 Km da Ilha de São Jorge. Tem uma superfície de 447 km²; uma linha de costa com 151,84 km de comprimento, um número de 31 ilhéus entre grandes e pequenos. Conta com uma população residente de 14 114 habitantes (em 2011). Mede 42 km de comprimento por 20 km de largura.

Deve o seu nome a uma majestosa montanha vulcânica, a Montanha do Pico, que culmina num pico pronunciado, o Pico Pequeno ou Piquinho. Esta é mais alta montanha de Portugal e a terceira maior montanha que emerge do Atlântico, atingindo 2 351 metros acima do nível do mar.

Da Descoberta e Povoamento


 Na época dos descobrimentos, na fase henriquina, a ilha foi designada como ilha de São Dinis, conforme consta no testamento do Infante.

Posteriormente, na cartografia do século XIV, encontra-se denominada como "ilha dos Pombos".

Acerca do seu primeiro povoador, nas Lajes do Pico, Frei Diogo das Chagas refere:
"O primeiro homem que se pratica por certo haver entrado nesta Ilha para a povoar foi um Fernando Álvares Evangelho, o qual vindo a buscar a tomou pela parte do Sul, (…) saltou em terra onde se diz o penedo negro, e com ele um cão que trazia, e o mar se levantou de modo que não deu lugar a ninguém mais saltar em terra, e aquela noite se levantou vento, de modo a que a caravela no outro dia não apareceu, e ele ficou na Ilha com seu companheiro, o cão; e nele esteve um ano sustentando-se da carne dos porcos, e outros gados bravos, que com o cão tomava (pois o Infante quando as descobriu, em todas mandou deitar gados, havia nelas, quando depois se povoaram, muita multiplicação deles) (…).
 
" (CHAGAS, Diogo (Frei). Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. Secretaria Regional de Educação e Cultura/Universidade dos Açores, 1989.)
Frei Agostinho de Monte Alverne, entretanto, acrescenta:
"Outros dizem que os primeiros povoadores foram os que mandou Job Dutra, da ilha do Faial, porque estando à sua janela, vendo esta ilha do Pico pela parte sul, mandou um barco de gente para a povoar por esta parte, onde hoje é a freguesia de São Mateus. E é esta ilha tão fragosa, que, povoando-a estes por esta parte e os outros pela outra, dois anos estiveram sem saberem uns dos outros, nos quais o capitão Job Dutra mandou pedir a capitania e a alcançou, e uns e outros povoadores se avistaram e festejaram muito.
 
" (Frei Agostinho de Monte Alverne. Crónicas da Província de São João Evangelista (v. III). Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1988. p. 191
Em 29 de dezembro de 1482, a ilha foi integrada na Capitania do Faial pela Infanta D. Beatriz, em virtude de Álvaro de Ornelas, seu primeiro capitão donatário não ter tomado posse efetiva da ilha por volta de 1460.

Em 1501, Lajes do Pico foi elevada a Vila e sede de concelho por D. Manuel I. Em 1542 foi a vez de São Roque do Pico e em 1712 (1723?), a de Madalena, confirmando a sua importância económica como porto de ligação com o Faial, e também como local de residência dos proprietários dos extensos vinhedos da zona, já então produtora de vinho, o Verdelho do Pico.

Além da agricultura (trigo, pastel), da pecuária e da pesca, a economia da ilha, desde o início do povoamento, foi marcada pelo cultivo da vinha e a produção de vinho. Sobre elas, o Padre António Cordeiro registou:
"O maior fruto, e mais célebre desta Ilha do Pico é o seu muito e excelente vinho, e quantas mil pipas dê cada ano (…) as outras ilhas, as armadas, e frotas, os estrangeiros o vão buscar, e o muito que vai para o Brasil, e também vem para Portugal; a razão deu-a já o antigo Frutuoso, Liv. 6 cap. 41, dizendo que o vinho do Pico não só é muito, mas justamente o melhor, (…), porque é tão generoso e forte, que em nada cede ao que na Madeira chamam Malvazia; antes parece que este vence aquele, porque da Malvazia, pouca quantidade basta para alienar um homem do seu juízo, não se acomoda tanto à saúde; porém o vinho passado do Pico, emprega-se mais em gastar os maus humores, confortar o estômago, alegrar o coração, e avivar, e não fazer perder o juízo, e uso da razão, além de ser suavíssimo no gosto, e muito 'confortativo', ainda só com o cheiro; e por isso é muito estimado, (…).

" (Pe. António Cordeiro. História Insulana das ilhas a Portugal Sujeitas no Oceano Ocidental. Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981. p. 474.)
A sua cultura foi apurada, ao longo dos séculos, com o auxílio dos frades Franciscanos, Dominicanos e, mais tarde, Jesuítas, nos séculos XVII e XVIII.


Cultura da Vinha da ilha do Pico






A Zona da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (Zona Norte) cuja existência se deve à Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, localiza-se da freguesia de Santa Luzia, Concelho de São Roque do Pico, Arquipélago dos Açores.


Esta importante zona de cultura tradicional da vinha da ilha do Pico dá forma a um local de paisagem protegida constituindo-se numa vasta área paisagística situada ao longo de várias núcleos populacionais, como é o caso das povoações do Lajido, dos Arcos, do Cabrito e de Santana.

A cobertura do solo é profundamente marcada pela pedra basáltica queimada de cor preta trabalhada numa extensa malha de muros de pedra em forma de currais destinados a dar protecção às vinhas.


Estes currais adquirem várias formas pela sua adequação ao substrato rochoso, sendo no entanto na sua grande maioria uma forma rectangular ou quadrangular, com aqui ali alguma forma semicirculares, onde predominantemente se procede à cultura da figueira.


Todo este espaço é atravessado por caminhos geralmente cobertos de bagacinas vermelhas ou então na mesma pedra dos muros, onde surgem pequenos núcleos de edifícios construídos junto à orla marítima. Estas construções, geralmente pequenas, tem a sua origem na necessidade de produção, armazenamento e escoamento do vinho e da aguardente.


Dentro dessas construções encontram-se adegas, casa de alambiques, habitações sazonais, casas solarengas, poços de maré, portos, rampas de varadouro e ermidas de diferentes evocações, conforme a orientação religiosa das populações residentes.

Nestes locais e durante muitos séculos produziu-se um dos mais famosos vinhos Verdelhos dos Açores, vinho esse que foi exportado para a Europa continental, chegando a encontrar-se à mesa dos czares da Rússia.

Este vinho tem o segredo da sua qualidade nas lavas negras, onde a pedra de cor preta e praticamente ausentes de terra eram fortemente aquecidas pelo sol, dando assim origem a este vinho licoroso elevando-lhe o teor alcoólico.


A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico é um sítio classificado pela UNESCO desde 2004, compreendendo uma área de 987 hectares na Ilha do Pico, a segunda maior do arquipélago dos Açores.


A zona classificada inclui um notável padrão de muros lineares paralelos e perpendiculares à linha de costa rochosa, onde as vinhas são cultivadas em chão de lava negra.

Os muros foram construídos para protecção dos milhares de pequenos e contíguos lotes rectangulares (designados currais ou curraletas) da resalga proveniente da água do mar e do vento marítimo mas deixando entrar o sol necessário à maturação das uvas.

A diversidade da fauna e da flora aqui presentes estão directamente associados com uma rica presença de espécies endémicas das florestas da Laurissilva características da Macaronésia, algumas muito raras e protegidas por lei, como é o caso da Myrica Fava, frequentemente utilizada para fazer abrigos.

Registos desta vinicultura, cujas origens datam do século XV, manifestam-se na extraordinária colecção existente em casas particulares, solares do início do século XIX, adegas, igrejas e portos.

A belíssima paisagem construída pelo homem neste local é remanescente de uma prática antiga, muito mais vasta na região açoriana.

A sua cultura foi apurada, ao longo dos séculos, com o auxílio dos frades Franciscanos, Dominicanos e, mais tarde, Jesuitas, nos séculos XVII e XVIII.


Museu do Vinho na Ilha do Pico
(Antigo Convento dos Carmelitas)


Baleação na Ilha do Pico

 

 
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