domingo, 17 de fevereiro de 2013

Moinhos Açorianos



MOINHOS DE VENTO AÇORIANOS

Faial - Moinho de Vento da Lomba
Um moinho de vento, em sentido restrito, é um moinho que usa as hélices como elemento de captação e conversão da energia eólica para outro tipo de energia apropriada para movimentar outros mecanismos.

É essa a utilização tradicional da energia do vento em terra. Em sentido lato, chama-se moinho de vento a qualquer motor movido a energia eólica, quer este motor esteja contido num edifício, como nos moinhos neerlandeses, que não são propriamente moinhos e sim bombas de água, quer seja apenas um sistema de pás montado no topo de uma torre, como nas modernas turbinas eólicas, geradoras de electricidade para movimentar as bombas centrífugas. A partir de 1970, os moinhos de vento nos Países Baixos foram sendo substituídos, no bombeamento de água, por motores elétricos que acionam bombas tipo parafuso de Arquimedes.



História e Tipologias

Faial - Moinho de origem flamenga
As primeiras referências conhecidas a moinhos de vento datam do século X. Crê-se que aparelhos movidos a vento eram utilizados no Tibete em rituais e práticas oratórias. No Oriente, este tipo de estrutura mecânica começou por ter aplicação prática para facilitar o trabalho do homem, sendo utilizada para a elevação (ou bombagem) de água. No Ocidente, terá sido inicialmente aplicada pelos Persas à moagem de cereais. Na Europa, o mais antigo de moinho de vento conhecido trabalhava em Inglaterra em 1185.

Crê-se que os primeiros moinhos de vento possuiriam uma tipologia de eixo vertical com velas dispostas em seu redor. Contudo, essa tipologia acabou por ser substituída pela de eixo horizontal que hoje conhecemos. Em Portugal, a sua existência é citada num documento de 1303, contudo é de admitir que a sua introdução tenha sido anterior a esta data.

Moinho fixo de pedra
(São Miguel, Terceira, Graciosa e Faial)
São sobejamente conhecidos os modelos de moinho de vento utilizados no norte da Europa, caracterizados por estrutura piramidal, de grande dimensão, compostos por uma torre de madeira com quatro pás de madeira no topo. Exemplos deste modelo são os típicos moinhos de vento neelandês e inglês.

O moinho de vento tipo mediterrânico, grupo ao qual pertence a maioria dos moinhos de vento portugueses, tomou uma forma particular, distinta da do norte da Europa. De menor dimensão, são, geralmente, compostos por uma estrutura cilíndrica construída em pedra, com cúpula cónica de madeira (denominada capelo) e um número variável de velas de pano cuja origem se pode associar ao velame das embarcações.

Moinho giratório de madeira
(São Jorge, Terceira e Faial)
Em muitos dos moinhos de vento do norte da Europa, as pás são orientadas para o vento por rotação de toda a torre, ao passo que nos moinhos de vento de tipo mediterrânico apenas o capelo sofre este movimento permanecendo a restante estrutura fixa.

Com a revolução industrial e a banalização de outras formas de produção de energia cinética mais eficientes (da qual é exemplo o motor eléctrico), este tipo de tecnologia caiu em desuso, tendo muitos dos moinhos sido demolidos, conservados como atração turística e até mesmo transformados em residências pessoais.


Estrutura e engenho



Atafona. São João do Pico
O moinho de tipo mediterrânico é composto por um corpo de pedra com quatro a seis metros de altura e sensivelmente o mesmo diâmetro e cuja forma, embora se assemelhe a um cilindro, é, na verdade, um tronco de cone. Em torno do topo deste corpo central, existe uma calha, denominada frechal, sobre a qual assenta uma cúpula móvel, de forma cónica e à qual se dá o nome de capelo. Tipicamente, no vértice do capelo, é montado um cata-vento, cujo eixo se prolonga na vertical para o interior do moinho, fazendo rodar um dispositivo indicador que permite ao moleiro (operador do moinho) determinar a direcção do vento sem dele sair.

Moinho de mão. Arrifes - São Miguel
Construído em madeira, em alvenaria ou em palha de centeio, o capelo é atravessado na diagonal por um mastro, eixo ou pião de madeira, que se estende por cerca de cinco metros para o seu exterior.

Nesse prolongamento exterior, encontram-se fixadas em forma de cruz as varas ou braços, onde se fixam as velas de pano com formato triangular. Dois dos vérticas das velas estão fixos a uma vara, o que permite que estas sejam enroladas na respectiva vara quando o moinho de vento se encontra imobilizado, ou então estendidas sendo o terceiro vértice atado à vara que sucede aquela onde a vela está fixa.

Atafona de mão. Arrifes - S. Miguel
Esta situa-se mais atrás e dá uma inclinação à vela a qual permite que ao ser actuada pelo vento faça imprimir ao moinho um movimento de rotação. Estas varas de auxílio à armação e esticagem das velas, são denominadas vergas e estão colocadas de forma a dividirem a meio o ângulo formado pelas varas.

Dado que assenta sobre o frechal o capelo possui mobilidade rotacional, possibilitando ao moleiro orientar as velas na direcção do vento. A rotação do capelo é feita utilizando um dispositivo existente no seu interior ao qual se dá o nome de sarilho. Este dispositivo, que se assemelha ao cabrestante de um navio, é composto por um eixo horizontal e em torno do qual se enrola mecânicamente uma corda, com o auxílio de duas manivelas colocadas em posição oposta em cada uma das extremidades. Uma das pontas da corda está fixa no eixo do sarilho e na outra existe um gancho que se prende a uma de várias argolas fixadas perto do topo do corpo do moinho. Enrolando o sarilho, a corda estica e obriga o capelo a rodar sobre si mesmo, para a direcção conveniente.

Moinho fixo de pedra. Corvo
A imobilização do moinho era feita rodando o capelo para uma posição em que o vento não propulsionasse as velas, fazendo com que o mastro perdesse velocidade. Quando imobilizado, as velas eram enroladas nas varas e estas últimas presas a algum de diversos marcos dispostos em torno do moinho através de uma corda denominada cabresto.

Fixada no mastro existe uma grande roda dentada, normalmente com os dentes dispostos na lateral, denominada entrosa. Ao centro do moinho existe um eixo vertical, no topo deste eixo existe um carreto no qual engrenam os dentes da entrosa, de tal forma que fazem rodar o carreto independentemente da posição do capelo. Deste modo, a energia cinética de rotação gerada no mastro devido à propulsão dada pelo vento ao ser captado pelas velas, é transmitida pelo eixo central até à base do moinho onde faz rodar as mós que móem o cereal sendo assim a energia eólica aproveitada. Todas estas estruturas e engrenagens móveis descritas eram talhadas em madeira rija (tipicamente carvalho, sobreiro ou azinheiro), por artífices especializados nesse tipo de trabalho, a quem se dava o nome de engenheiros (ou seja, os homens que fabricavam os engenhos).

Moinho giratório de madeira
(São Jorge, Terceira e Pico)
Aplicações dos moinhos

Moagem de Cereais

Os moinhos de vento podem ser aplicados à moagem de cereais. Neste caso, a energia que chega à base do moinho através do seu eixo central é utilizada para fazer rodar uma mó. Uma mó é uma pedra maciça, esculpida em forma de anel cilindrico achatado, de faces sulcadas e a cujo centro vazio se chama olho da mó. Numa instalação para moagem existem duas mós, sendo uma delas estática, denominada poiso e assente no chão do moinho, sobre a qual se coloca uma segunda mó com uma folga ligeira de modo a que não impeça o movimento de rotação, denominada corredor, com raio idêntico ao do poiso mas com altura inferior (em moinhos de vento da região do Ribatejo um poiso pesava tipicamente 1200 kg, enquanto que um corredor pesava oitocentos kg).

Faial - Moinho da Lomba
O corredor está suspensa no eixo vertical, sendo fixa a este através de um suporte metálico regulável em altura de nome "segurelha". A necessidade de regular a altura do corredor deve-se ao facto ao desgaste em altura das faces, a que ambas as mós estão sujeitas com o desenrolar da actividade de moagem, por efeito da fricção. Quando os sulcos das mós desaparecem, cabe ao moleiro criar novos sulcos para que a moagem do cereal seja possível, acto ao qual se chama o "picar da mó" e que é realizado com o auxílio de ferramentas cuja forma e função se assemelham à de uma picareta, daí o seu nome "picão" ou "picadeira".

Moinho de Vento de pedra e giratório
Arrifes - São Miguel
A moagem do cereal é feita depositando-o em grão na folga existente entre o poiso e o corredor. A rotação do corredor fricciona os grãos contra o poiso, esmagando-os repetidamente até que, lentamente, se transformam em farinha, sendo este o nome atribuído ao pó a que se reduzem os cereais moídos. O cereal em grão é depositado numa caixa com fundo em cone ou pirâmide invertida, denominada tegão, à qual se liga uma calha ou quelha que conduz o grão para o olho do moinho e o deposita na folga entre o poiso e o corredor. A energia centrífuga provocada pela rotação do corredor faz com que o grão (e o produto da sua moagem) se desloque desde o olho até a circunferência da mó, onde é recolhido já em farinha.

Elevação de água

Os moinhos de vento podem ser aplicados à elevação ou bombagem (bombeamento) de água. Neste caso, a energia que chega à base do moinho através do seu eixo central é utilizada para fazer rodar um parafuso de Arquimedes.

Graciosa - Moinho das Fontes
Uma engrenagem colocada no eixo central é ligada a um parafuso colocado no interior de um tubo cilíndrico ou semi-cilíndrico oco, posicionado num plano inclinado na diagonal com a extremidade mais baixa colocada abaixo da linha de água. Eles foram muito utilizados nos Países Baixos com esta finalidade para drenagem dos pôlderes (terras baixas). Actualmente, a maior parte das bombas tipo parafuso são accionadas por energia eléctrica em vez da energia eólica.

A rotação e disposição do parafuso fazem com que o movimento de rotação arraste um volume de água ao longo do tubo até ao topo, onde é captada na extremidade mais elevada.






Fonte: Wikipédia


1947 - Ribeira dos Moinhos
Angra do Heroísmo

A origem dos Moinhos de Vento nos Açores


Moinho - Biscoitos - Terceira
Frederico Lopes afirma que, na Ilha Terceira, “(…) a ajuizar pelo que rezam as crónica Inácio Romeiro, vigário da Fonte do Bastardo, em 1818, realizou experiências para a construção do primeiro moinho de vento num dos cabeços que circundam a povoação,logo seguido de outro, em São Sebastião, que serviriam mais tarde de modelo aos restantes (…)”, como de resto, todos os investigadores têm sido unânimes em aceitar o séc. XIX como período provável da construção dos mais antigos moinhos de vento dos Açores, pelo facto de existirem até então numerosos relatos acerca das atafonas (moinhos de tracção animal) e das azenhas (moinhos de água), não acontecendo o mesmo em relação aos moinhos de vento.

Moinho - Nordeste - São Miguel
Em relatos minuciosos da ilha de São Miguel em 1838, os irmãos Joseph e Henry Bullar, entre referências a moinhos de água e atafonas não referem a existência de moinhos de vento, o que leva a crer que só desta data em diante possam ter vindo a surgir os primeiros moinhos de vento nesta ilha.

Recuando mais no tempo essa possibilidade, um artigo do Sr. Hugo Moreira, sobre os moinhos de vento da ilha de São Miguel, publicado no jornal A Ilha, de 11 de Abril de 1964, cita como alusão mais antiga à existência de moinhos de vento em São Miguel, a que se encontra numa escritura datada de 20 de Setembro de 1633: “(…) sita além de Santa Clara ao moinho de vento (…)”, facto que apontaria o período da ocupação castelhana – desde aproximadamente 1580 até 1640 – como época provável para o surgimento dos primeiros moinhos de vento nos Açores.


Moinhos - São Jorge
Não deixa de parecer estranho que só quase dois séculos após a existência deste na ilha de São Miguel, tenha surgido o primeiro na ilha Terceira, bem como nas restantes ilhas em que não há testemunhos de tais moinhos existirem, até ao início do século XIX.

Facto é a quase total falta de semelhanças construtivas e mecânicas entre os moinhos de torre espanhóis e os açorianos.





Moinho de Vento
Lombeek (Roosdall). Bélgica. Flandres.
Analisando-os paralelamente podemos verificar que a torre dos moinhos espanhóis é cilíndrica, ao passo que a dos açorianos é tronco-cónica; a cúpula cónica dos moinhos castelhanos, em pouco se assemelha à da maioria dos açorianos em termos morfológicos, sendo a segunda geralmente semiovóide com bico ou piramidal de secção octogonal; o velame com grade ao centro do penal, também não coincide com o velame de grade lateral dos moinhos açorianos; o rabo de um único caibro, não parece ter existido nos moinhos dos Açores, onde geralmente é utilizado o rabo de três barrotes; tal como o mecanismo motor que, entre outras características distintas, no moinho espanhol utiliza a entrosga geralmente entre o carretel e o velame, ao contrário dos moinhos açorianos, em que esta engata entre o carretel e a culatra (ponta terminal anterior do mastro).

Normalmente designados como do tipo “holandês”, a grande maioria dos moinhos de torre açorianos revela, segundo vários estudiosos, grande afinidade com os moinhos de torre da Flandres.


Texto parcial de Luís Bettencourt in “Moinhos de Vento dos Açores”



1971 - Série filatélica "Moinhos dos Açores"

Moinho da Caldeira - Corvo

Santa Maria (Rebentão)


Moinhos do Faial

São Miguel - Feteiras

Terceira - Doze Ribeiras

Graciosa - Moinhos
Em primeiro plano um "Forno de Telha"




domingo, 10 de fevereiro de 2013

Naufrágios de São Miguel



Naufrágios de São Miguel

Os naufrágios ocorridos na ilha de São Miguel localizam-se, essencialmente, nos séculos XIX e XX.

A importância crescente da ilha de São Miguel nas rotas de navegação atlânticas é reflectida no número de naufrágios ocorrido ao longo dos séculos nas suas costas. A navegação inglesa, baseada no comércio da laranja, é a grande vítima dos temporais do século XIX que, mais uma vez, fizeram sentir a falta tremenda que havia - e há - em São Miguel de um porto abrigado.

Século XVI

Em 1542 afunda-se a nau espanhola San Juan, sem que se saiba algo sobre o local do sinistro. O mesmo sucede, em 1567, com a nau Nuestra Señora de la Concepción. Um ano depois, a 17 de Fevereiro de 1568, uma caravela carregada de trigo dá à costa na Relva após ter permanecido 8 dias virada sobre si própria. A 4 de Agosto do mesmo ano, dá de través uma nau Almirante, a cerca de 3 léguas de Vila Franca.

No ano de 1580 soçobra outra nau espanhola algures na costa micaelense. A 4 de Agosto de 1582, dão à costa duas naus da Armada do Marquês de Santa Cruz. Em Setembro do ano seguinte dá também à costa, próximo de Vila Franca do Campo, a nau Santa Catalina, provinda da Nova Espanha. Desta nau conseguiu-se, mais tarde, salvar a artilharia.

Dois anos depois, em 1585, são afundadas por dois navios ingleses cinco embarcações que se encontravam surtas no porto da cidade. A 8 de Junho de 1587 naufraga o galeão São Filipe, da armada de 1586, proveniente da Índia. No ano de 1591 naufragam a nau de Pero de Martin e o navio Vengeance. Dois anos mais tarde o mesmo sucede às naus de Cristobal de Eraso e de Francisco de Leyva. Em 1595, encalha uma nau de Índia - comandada por Vasco Borges - como último recurso na sua fuga desesperada aos piratas ingleses.

Um ano depois, afunda-se a nau Madalena e, em Novembro de 1597, a nau São Francisco vara em terra e é queimada pelos ingleses.

Século XVII

Em 1600 naufraga a nau San Gregório. Três anos depois, o mesmo sucede à nau espanhola Nuestra Señora de los Reyes. Em 1615, afunda-se uma outra nau e, em 1632, o mesmo acontece com a embarcação São Nicolau Tolentino. Em 1644, perde-se na costa de São Miguel um patacho português. A 3 de Janeiro de 1651, naufraga na Ponta da Galera o galeão português da Armada do Brasil, São Pantaleão. Deste naufrágio resultam cerca de 300 mortos, salvando-se 30 pessoas. Os naufrágios no século XVII terminam com o afundamento, em 1686, do navio Saint Andre.

Século XVIII

Em 1713 naufraga a embarcação francesa La Louise, provinda da Martinica e comandada pelo capitão Bennoist Gomme. Em 1722 o mesmo sucede a outro navio francês. Em 1724 perde-se o navio Aurengzeb e, em 1736, soçobra o Lazare Resuscité. Em 1737, dá à costa o Saint Michel, comandado pelo capitão Michel Giraudel.

Em Janeiro de 1779, dão à costa dois navios. A 25 de Agosto do mesmo ano, um temporal violento ocasiona o naufrágio de cinco embarcações dando uma delas - uma escuna - à costa a leste da baía do Forte da Salvação, em Ponta Delgada.

Finalmente, em 1793, naufragam um navio e um bergantim, algures na costa da ilha de São Miguel.

Século XIX

Os naufrágios de século XIX iniciam-se com o afundamento, a 13 de Fevereiro de 1807, da embarcação Woodcock, com 4 peças de artilharia a bordo. A 10 de Agosto de 1831, naufraga no porto de Ponta Delgada, o paquete do Pernambuco, morrendo todos os oficiais da sua guarnição. A 27 de Janeiro de 1841, dá à costa da freguesia da Relva uma chalupa inglesa, a Jane. A 25 de Março do mesmo ano, o mesmo sucede à escuna inglesa Mariana. A 8 de Maio, soçobra uma embarcação local que se dirigia para Vila Franca do Campo, morrendo 9 pessoas.

A 10 de Abril de 1843, naufraga sobre a bateria Duque de Bragança, em Ponta Delgada, o iate Paquete dos Açores. A 15 de Fevereiro de 1844, dá à costa no areal da ponta do paredão de São Francisco, o iate Nova Sociedade.

Um ano depois uma tempestade que se inicia a 20 de Abril de 1845 faz afundar na restinga do Cerco, em Ponta Delgada, a escuna inglesa Gem. Um dia depois, a mesma tempestade provoca o afundamento pelas 16.00 horas, no Areal do Rosto de Cão em São Roque, do iate costeiro Melitão.

A 24 de Dezembro de 1846, a escuna inglesa Herbert dá à costa na calheta do Corpo Santo, em Ponta Delgada. A 30 de Janeiro de 1847 afunda-se o iate Tio e Sobrinhos. A 30 de Dezembro de 1849, o patacho português Novo Viajante dá à costa nos calhaus do mercado do Corpo Santo.

A18 de Julho de 1850 naufraga na Lagoa, mais precisamente no Porto dos Carneiros, o vapor Luso. A 4 de Maio de 1853 dá à costa, na Praia de Vila Franca do Campo, o iate português Boa Esperança. A 1 de Novembro do mesmo ano, Vila Franca volta a assistir a um naufrágio, desta feita o do brigue inglês Jan Berd ocasionado por uma tempestade que irá ainda provocar uma outra vítima um dia mais tarde, fazendo soçobrar nos calhaus da vila outro brigue inglês, o Sane Berel, que provinha de Calcutá.

A 14 de Março de 1856, dá à costa no Castelinho de São Pedro, um brigue português, tendo sido arrematados os seus salvados. A 13 de Setembro do mesmo ano, a galera americana Kentucky naufraga no areal de São Roque. Também no mesmo ano, mas a 30 de Novembro, afunda-se no Faial da Terra o brigue francês Beffrei, comandado pelo capitão Lupé.

A 24 de Agosto de 1857, afunda-se nos rochedos de Santa Clara, o palhabote São Salvador, junto a Ponta Delgada. A 3 de Dezembro do mesmo ano, naufraga na costa da Relva a barca S. Slick, com derrota de Boston para Liverpool. A 10 de Fevereiro de 1858, afunda-se em Ponta Delgada a escuna inglesa Ariel, comandada pelo capitão Blamay. A 30 de Novembro do mesmo ano, perde-se o iate Três Amigos, devido ao seu abalroamento pelo navio King Arthur. Um mês depois, uma explosão a bordo faz soçobrar, defronte de Vila Franca, o vapor Kearsage. A 4 de Junho de 1859, naufraga em frente da Maia, um barco de pesca, morrendo 10 homens. A 21 de Maio de 1860 dá à costa, no Calhau do Laguim, em Ponta Delgada, o patacho Liberdade, comandado pelo Capitão Urbano José Teles.

Continuamos, no artigo desta edição, a relação dos naufrágios ocorridos na ilha de São Miguel. A 26 de Janeiro de 1861, uma tempestade inusitada provoca uma verdadeira hecatombe entre os navios que estavam ancorados em Ponta Delgada Assim, devido à agitação do mar e à direcção do vento perde-se nos penedos do Castelo de São Pedro a escuna Bijou, nos calhaus de Belém em São Roque naufraga a escuna Orange Blossom, na Lagoa, junto a uma rocha, deu à costa Escuna Fanny Gann morrendo toda a tripulação, no areal do Rosto de Cão perde-se a escuna Blue Jacket, no calhau do Corpo Santo naufraga a escuna Frolie, no Calhau do Laguim, em Ponta Delgada, destroça-se a escuna Serpent e, finalmente, dá à costa, na Rocha Quebrada do Pópulo a escuna Mignon, naufragando assim, de uma só assentada, sete navios. A 12 de outubro do mesmo ano, perde-se no Laguim a escuna portuguesa Rainha dos Açores. Dois anos mais tarde, a 31 de Outubro de 1863, soçobram defronte de Rabo de Peixe duas embarcações de pesca. Quatro meses depois, a 1 de Janeiro de 1864 uma outra tempestade provoca o afundamento em Ponta Delgada do brigue Joanna e na Ponta da Galera da escuna Alfred. A mesma tempestade provoca também a perda a cerca de dez milhas a leste de Ponta Delgada da escuna Inglesa Alfred Bridgewater, morrendo os 7 tripulantes.

A 17 de Março do mesmo ano é abalroada a escuna Inglesa Asis, vindo dar à costa no areal de S. Roque. A 4 de Janeiro de 1865 perde-se pelas 19.00 horas, no Cais da Alfândega de Ponta Delgada, o iate português Constante. No dia seguinte o mar tempestuoso faz naufragar, também em Ponta Delgada, a escuna portuguesa União Vencedora. A 21 de Dezembro de 1865 embate no calhau do Laguim o patacho português São José 2º, ocasionando um morto. A 30 de Novembro de 1866 naufraga a cerca de 250 milhas náuticas a nordeste de Ponta Delgada a barca Robert Leonard. A 6 de Janeiro de 1867 perde-se na Ponta de São Pedro, Ponta Delgada, a escuna Queen of the Fleet. A 31 de Outubro do mesmo ano, o patacho Stanley naufraga na plataforma da doca de Ponta Delgada. Um nova tempestade, ocorrida a 1 de Novembro de 1867 provoca os naufrágios da escuna Annie na Nordela, costa da Relva, da escuna Arabella, comandada pelo capitão Adams - que se perde na Pranchinha, Ponta Delgada - das escuna Keiraso e Mary Blake, comandadas, respectivamente, pelos capitães Blake e Brown - que naufragam na plataforma da doca de Ponta Delgada - e do iate Oliveira, que dá à costa.  A 16 de Janeiro de 1868 naufraga no Corpo Santo da Ribeira Grande, o vapor da laranja Genova. A 8 de Dezembro do mesmo ano, soçobra pelas 11.00 horas da amanhã junto ao Forte de Santo António, na Ribeira das Taínhas, a escuna inglesa Cleanner, comandada por George Cooles. A 29 de Janeiro de 1869, naufraga na doca de Ponta Delgada outro vapor do comércio da laranja.

A 6 de Janeiro de 1871 soçobra em Ponta Delgada o lugre Alfred. Será também nesse ano que se perderá o iate Sympathia junto a Vila Franca do Campo. A 31 de Março de 1872 desaparece junto à praia do Porto Formoso, a barca Jane A. Bishop, salvando-se  10 pessoas de um total de 11 tripulantes. A 6 de Janeiro de 1877, naufraga no Baixio de São Pedro, em Ponta Delgada, a escuna inglesa Queen. A 22 de Fevereiro do mesmo ano, afunda-se no Cais da Alfândega a barca Mistletoe, com um carregamento de ferro e petróleo.

A 25 de Junho de 1877 naufraga no Ilhéu de São Lourenço a embarcação Algorna. A 30 de Setembro de 1880 perde-se no mar alto um barco de pesca, desaparecendo os sete tripulantes. A 2 de Outubro de 1880, uma tempestade afunda na bacia da doca de Ponta Delgada os vapores ingleses Benalla - posteriormente recuperado, Robinia e Stag. A 21 de Dezembro de 1885, afunda-se defronte de Vila Franca do Campo a barca alemã Maria, comandada pelo capitão Fack's. A 19 de Março de 1892, perde-se na Baixa de São Pedro, Ponta Delgada, o brigue português São Tomé. A 15 de Março de 1893, morrem sete pessoas no naufrágio de embarcação junto das Feteiras. A 8 de Dezembro de 1894 afunda-se junto ao Castelo de São Pedro, em Ponta Delgada, o patacho alemão Adlheid, morrendo duas pessoas. A 1 de Fevereiro de 1895, naufraga defronte das Alcaçarias de São Pedro o vapor Inglês Ituni, afundando-se a meio da bacia da doca. A 28 de Janeiro de 1897, perde-se no calhau do Laguim o vapor inglês Oakfield. No mesmo ano, a 19 de Outubro, naufraga na Vila do Nordeste o patacho Rolando. A 23 de Janeiro, afunda-se nos calhaus situados entre o cais da Alfândega e a igreja, o vapor inglês Cromarty. Finalmente, o século XIX encerra-se com o naufrágio, a 3 de Setembro de 1899, da barca portuguesa Helena em Ponta Delgada.

Século XX

A 26 de Janeiro de 1902 afunda-se a cinquenta milhas náuticas da ilha de São Miguel a barca Portuguesa Nova Lide. A 2 de Março de 1905 naufraga na Baixa do Tufo - situada entre Vila Franca do Campo e a Ribeira Quente - o vapor costeiro Maria Amélia, pertencente a Laurénio Tavares. A 14 de Fevereiro de 1912, perde-se a galera norueguesa de 1237 toneladas Sterling, junto a Ponta Delgada. A 5 de Abril do mesmo ano, afunda-se defronte da Ponta Garça a embarcação de pesca 144 P. S, morrendo quatro homens. A 6 de Julho de 1914 outro barco de pesca se afunda, defronte de Rabo de Peixe, fazendo desta vez 3 mortos.

A 8 de Agosto de 1916 naufraga na Atalhada, costa do Pópulo, a galera Langdale, com um carregamento de farinha para França. A 9 de Março de 1917, incendeia-se em Lombo Gordo, concelho do Nordeste, o iate inglês Maggie Belle. A 16 de Dezembro de 1920, encalha junto ao Gazómetro, na Calheta, o vapor americano Yellowstone de 4270 toneladas de arqueação. Quinze dias depois, a 2 de Janeiro de 1921, perde-se nos rochedos da Calheta, em Ponta Delgada, outro vapor americano, o Faraby de 3659 toneladas e com 324 pés de comprimento. A 25 de Setembro de 1922 afunda-se na Vila do Nordeste uma embarcação de pesca, salvando-se três dos sete pescadores.

A 8 de Dezembro de 1923 naufraga na costa da Ribeira Grande, o iate Cabo Verde. A 6 de Fevereiro de 1927, encalha defronte do Porto de Ponta Delgada, junto à Calheta, o vapor italiano M. T. Cicerone, de 6333 toneladas e com 34 tripulantes a bordo. A 30 de Dezembro do mesmo ano, desaparece no mar, junto a Vila Franca do Campo, uma embarcação de pesca morrendo dez pessoas. A 25 de Março de 1929, afundam-se na Ponta Gorda os barcos de pesca dos Arrais Manuel Subica e José da Vila.


A 15 de Setembro de 1945, um golpe de mar faz soçobrar, junto das Capelas, um barco de pesca, morrendo 3 dos 13 tripulantes. A 16 de Janeiro, afunda-se a cerca de 800 metros a sul da Igreja de São Roque, o cargueiro liberiano Dori, encontrando-se actualmente a cerca de  a 18 metros de profundidade. Finalmente, e para encerrar o rol dos naufrágios ocorridos na ilha de São Miguel, falta apenas referir o naufrágio, a 18 de Março de 1973, na Ponta da Ajuda, costa dos Fenais, do barco de pesca Alexandrina que se despedaçou e originou 6 mortos.



Texto de Paulo Monteiro 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Museu do Vinho dos Biscoitos


Museu do Vinho dos Biscoitos







Museu do Vinho dos Biscoitos é um museu dos Açores localizado na freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, ilha Terceira, arquipelago dos Açores.


Este museu que procura contar os 430 anos de história da cultura da vinha na freguesia dos Biscoitos e que igualmente procura integrar-se na tradicional paisagem de produção de vinho dos biscoitos, actualmente Região Demarcada, foi inaugurado em 2 de fevereiro de 1990, durante as comemorações do centésimo aniversário da Casa Agrícola Brum pelos herdeiros de Francisco Maria Brum, antigo produtor de vinha da freguesia dos Biscoitos.



Neste museu é possível ver todo o processo de produção de vinho, desde o cultivo da videira até à maturação da vinha e à transformação desta em vinho ou nos seus subprodutos.

Aqui encontram-se também toda uma colectânea de alfaiais agrícolas ligadas ao amanho do corrais onde a videira é cultivada de forma a ficar abrigada das inclemências dos clima.

O edificio do museu propriamente dito encontra-se localizado à Canada do Caldeiro, a 50 metros do centro da Freguesia dos Biscoitos, a 18 km da cidade de Angra do Heroísmo e a 22 km da cidade da Praia da Vitória.

O museu é a fachada de uma propriedade com 10 alqueires, para além dos mais 60 que englobam a exploração de Verdelho e é constituído pelas seguintes secções: uma adega destinada ao Vinho Verdelho, uma destilaria, uma Sala etnográfica, uma Sala de provas, uma Casa típica onde é feito o engarrafamento do Verdelho do Museu, uma Casa típica que é a sede da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, um campo ampelográfico, uma latada, vários pátios que alojam peças de lagares, uma torre, uma eira, um palheiro com dois pisos.

Neste museu encontram-se vários tipos de produtos vitivinícolas feitos com as vinhas da região como é o caso:
  • Brum, (I), vinho Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região Determinada (VLQPRD), do tipo licoroso feito com as castas de Verdelho dos Açores e Terrantez (vestígios), que alcança teor alcoólico de 17º vol. ou 134 g/litro.
  • Brum, (II), vinho VLQPRD, do tipo licoroso feito com as castas de Verdelho dos Açores e Terrantez (vestígios), que alcança teor alcoólico de 17º vol.
  • Donatário, vinho do tipo branco, feito com as castas de Verdelho dos Biscoitos, que alcança um teor alcoólico de 12%.
  • Chico Maria, (I), do tipo Seco, licoroso, elaborado com as castas de Verdelho dos Açores e que alcança um teor alcoólico de 17%.
  • Chico Maria, (II), do tipo meio seco e licoroso, elaborado com as castas de verdelho dos Açores e vestígios de Terrantez da Terceira, alcançado um teor alcoólico de 18%.
  • Chico Maria, (III), do tipo doce e licoroso, elaborado com as castas de Verdelho dos Açores e vestígios de Terrantez da Terceira, alcançado um teor alcoólico de 19%.


Canto ao Vinho!
(Autora: Azoriana)

Ó vinho delicioso
Que adoças a garganta
Para mim és glorioso
És do bago que me encanta.

És o nectar fabuloso
Que no paladar se planta
És o bom vinho, famoso,
Que até o humor levanta.

Cálice de tom divino
Maresia do lendário
De sabor puro e fino.

Casa Brum, Chico Maria,
Nobre Museu, Donatário,
Resistência mais Confraria.

Casa Agrícola Brum


Administrada pela quinta Geração dos Brum esta empresa continua a laborar no campo da vitivinicultura. Fundada por Francisco Maria Brum, em 1890, na sua Casa das Fontinhas, sete anos depois muda-se para os Biscoitos, onde principiara um importante trabalho de reconversão da vinha com puas vindas de pés francos recolhidos, inicialmente, no Porto Martins e na Caldeira das Lajes, que foram enxertadas em bacelos vindos do Continente, os chamados localmente “resistentes” ao filoxera. Homem de espírito dinâmico e sem esmorecimento perante adversidades recuperou vastas áreas de biscoito que ia adquirindo para implantação de novas cepas.

Manuel Gonçalves Toledo Brum seguiu as pisadas do pai e constrói nova adega cujo filho, Fernando Linhares Brum, não fugindo à regra dos antecessores, com produção acrescida, dota a Casa com adequadas infraestruturas ao contexto então vivido.

Reconhecendo e louvado o seu esforço e empenho como empresário, em 1987, o Presidente da República Portuguesa Doutor Mário Soares, em 10 de Junho, atribuiu o Grau de Comendador da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial (Classe de Mérito Agrícola) a Fernando Brum.


À frente dos destinos da Casa Agrícola Brum Lda. dedicando-se aos campos da Agricultura, Pecuária e Silvicultura, Luís Mendes Brum sempre privilegiou o desenvolvimento da vitivinicultura, área que domina com grande à vontade levando tal como os seus antecessores a modernizar uma das adegas destinadas a vinhos tranquilos, com equipamentos vindos da Itália. Procedendo ao lançamento do branco “Donatário” hoje uma referência no vinho dos Açores assim como o “Da Resistência”.

Aquando da passagem do testemunho aos seus filhos, em Dezembro de 2007, foi apresentado o branco “Ramo Grande”. No dia do centenário da empresa a Casa Brum abriu ao público o Museu do Vinho (dos Biscoitos).

Foi mais um alto serviço prestado a nível regional e nacional, recebendo anualmente milhares de visitantes. Como espaço cultural ao serviço da população, vem disponibilizando as suas instalações para a Festa da Vinha e do Vinho dos Biscoitos para outras acções culturais. Luís Mendes Brum foi o principal impulsionador do movimento que levou à criação da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos. Os vinhos desta Casa Agrícola são elaborados com base na casta Verdelho, como os generosos Seco, Meio – Seco e Doce com a marca “Chico Maria” em homenagem ao seu fundador e os tranquilos “Donatário”, “Da Resistência” e “Ramo Grande".







A Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos
encontra-se profundamente ligada a esta entidade museológica
sendo um dos seus principais dinamizadores.

1844 - Planta da freguesia de São Pedro,
freguesia dos Biscoitos. Terceira

A planta da freguesia de S. Pedro dos Biscoitos da ilha Terceira referida nesta página,foi traçada e colorida por Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello em 1830. Patrício gravou e estampou a mesma em 1844. A Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos reeditou, 300 exemplares, de parceria com o Instituto Histórico da Ilha Terceira, tendo o mesmo sido apresentado durante as comemorações do X Aniversário da Confraria no Palácio Municipal de Angra do Heroísmo em 10 de Março de 2003.


Na mesma existem referências às Ermidas, Canadas, atalhos e Ruas da Freguesia como por exemplo: Rua Longa, Canada dos Boiões, Rua do Mangas, Caminho da Rocha, Canada do Caldeira, Canada da Galega ( hoje com a designação de Tenente Coronel), Canada das Vinhas, Canada do Rego, Canada da Obra, entre outras.



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