segunda-feira, 25 de março de 2013

Vulcões Açorianos






VULCÕES AÇORIANOS





Existem actualmente 26 vulcões activos nos Açores. Dezoito em terra e oito submersos.




Segundo o Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos da Universidade dos Açores, esta classificação designa tanto os sistemas vulcânicos com potencial para entrar em erupção como os que registaram actividade nos últimos 10 mil anos.



São 26 os vulcões activos no arquipélago açoriano, segundo a classificação do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos do Observatório Vulcanológico e Sismológicos da Universidade dos Açores (UA).



Este organismo baseia-se na interpretação do “Catalogue of the Active Volcanoes of the World (CAVW)” que denomina um vulcão ou sistema vulcânico activo como aquele que se encontra em erupção ou que tem potencial para entrar em erupção, incluindo todos os que registaram actividade durante o Holocénico, ou seja, há 10.000 anos atrás.









Entre os 26 sistemas vulcânicos activos nos Açores, dezoito localizam-se em terra e oito são submarinos.

Por ilhas, São Miguel é a ilha com mais vulcões activos, possuindo cinco fenómenos desta natureza, designadamente o vulcão Sete Cidades, o sistema vulcânico fissural dos Picos e do Congro, o vulcão Água de Pau (Fogo) e o vulcão Furnas.

Logo a seguir, o Faial, e a Terceira possuem três vulcões com actividade.

Além do sistema vulcânico localizado na Horta e no Capelo, há ainda a registar o vulcão da Caldeira do Faial.

Na Graciosa existe o sistema vulcânico da Vitória e o vulcão Caldeira da Graciosa; em São Jorge o sistema de Manadas; nas Flores, o sistema vulcânico das Lagoas; no Pico, além do vulcão com o nome da ilha, que constitui o ponto mais elevado do país, existe ainda um sistema vulcânico fissural; e na mais pequena ilha, o vulcão do Corvo.



Serra de Santa Bárbara (Terceira)


 
   
Terceira vulcânica

Na ilha Terceira, além do vulcão Santa Bárbara e do Pico Alto, está identificado um sistema vulcânico fissural da Terceira, que atravessa toda a ilha segundo a orientação geral oeste/noroeste, desde o flanco noroeste do Vulcão de Santa Bárbara até à extremidade Sudeste da mesma, apresentando uma zona axial com cerca de dois quilómetros de largura.

Segundo o Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos, o segmento activo deste sistema vulcânico situa-se na região central da ilha, onde se observam diversos alinhamentos definidos pela presença de falhas e fracturas.

“Nos últimos 10.000 anos ocorreram cerca de 12 erupções sendo a mais recente a erupção histórica de 1761 durante a qual foram formados os cones de escórias do Pico do Fogo e do Pico Vermelho e produzidas as escoadas lávicas que avançaram até à freguesia dos Biscoitos”.






Assim, além do Vulcão dos Cinco Picos, que corresponde a um antigo vulcão central com caldeira, cujos flancos NE e SW, ainda preservados, definem a Serra do Cume e Serra da Ribeirinha, respectivamente, estão ainda identificado o Vulcão Guilherme Moniz; o Vulcão do Pico Alto; o Vulcão de Santa Bárbara; e o Graben das Lajes.

Guilherme Moniz (Terceira)


Vulcões submersos

Vulcão submarino
Serreta (Ilha Terceira
)
Também debaixo do mar, os Açores possuem vulcões activos, ao todo, conforme referido, oito: o sistema vulcânico submarino do Esporão do Mónaco, da Sabrina, Afonso Chaves, D. João de Castro, da Crista João Valadão, da Crista da Serreta, das Velas e do Cachorro.

Toda esta geomorfologia açoriana reflecte a localização única das ilhas: “o arquipélago dos Açores localiza-se na zona onde contactam as placas litosféricas americana, eurasiática e africana, facto que se traduz na existência de importantes sistemas de fracturas nesta região do Atlântico Norte. Por outro lado, na vertical dos Açores, a alguns quilómetros de profundidade, existem condições para se gerar magma. Este peculiar enquadramento geodinâmico reflecte-se na actividade sísmica e vulcânica registada na região”.

Desde o início do seu povoamento, no século XV, refere o Centro de investigação, que os sismos e erupções vulcânicas marcaram o arquipélago.

“Importantes movimentos de massa, quer associados a terramotos ou a erupções vulcânicas, quer gerados na sequência de condições meteorológicas extremas ou simples processos de erosão costeira, têm igualmente afectado as diversas ilhas”.


Centro de vulcanologia

 
O Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) constituído estatutariamente em 1997, é uma unidade pluridisciplinar de investigação da UA, fazendo parte do CIVISA – Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores.

O CVARG é membro da World Organization of Volcano Observatories (WOVO) e parceiro da Fundação Gaspar Frutuoso (FGF), sendo as suas actividades 

dirigidas para a prevenção e da previsão de desastres, catástrofes e calamidades naturais, privilegiando a cooperação técnica e científica nacional e internacional no domínio da Vulcanologia e dos fenómenos associados, incluindo erupções vulcânicas, sismos, explosões de vapor, libertação de gases tóxicos, movimentos de massa e maremotos, entre outros.

Humberta Augusto
haugusto@auniao.com

Lagoa do Fogo (São Miguel)

LAGOA DO FOGO

A Lagoa do Fogo é uma das maiores lagoas dos Açores e a segunda maior da Ilha de São Miguel, e é classificada desde 1974 como reserva natural.



Faz parte integrante da Rede Natura 2000, pelo facto de ter sido classificada como zona especial de conservação, aprovado por Decisão da Comissão Europeia no dia 28 de Dezembro de 2001, nos termos da Directiva Habitats 92/43/CEE do Conselho. Esta lagoa de águas muito azuis ocupa uma área de 1 360 ha, que é bastante tendo em atenção as dimensões da própria ilha.


A lagoa do Fogo, ocupa a grande caldeira de vulcão adormecido do fogo. Este vulcão dá forma ao grande maciço vulcânico da Serra de Água de Pau, localizado no centro da Ilha de São Miguel. Todas esta zona é rodeado por uma densa e exuberante vegetação endémica.

Esta caldeira vulcânica, tal como o vulcão que lhe deu forma é a mais jovem da Ilha de São Miguel e ter-se-á formado há cerca de 15 000 anos. A sua configuração actual é resultado do último colapso, tido como importante e que ocorreu no topo do vulcão, há aproximadamente 5 mil anos. A última erupção data de 1563.


Esta lagoa, é também a mais alta da Ilha de São Miguel, facto que se deve a se encontrar no cimo de uma montanha cujo ponto mais alto se eleva a 949 metros. Localiza-se no topo do grande Vulcão do Fogo, também conhecido como vulcão de Água de Pau. A caldeira tem forma de colapso tem forma elíptica e dimensões aproximadas de 3 x 2,5 km. As paredes desta caldeira chegam a atingir desníveis de 300 metros.


A lagoa, devido a se encontrar no centro da cratera, localiza-se a uma cota bastante mais baixa, encontrando-se a 575 metros. A profundidade máxima atingida nesta lagoa são os 30 metros. Dentro de todo o perímetro da reserva natural, lagoa, cratera, e vertentes da mesma, destacam-se bastantes espécies de plantas endémicas dos Açores: é o caso do cedro-do-mato, o louro e o sanguinho. Surgem ainda a malfurada, a urze e o trovisco-macho.



A principal fauna, aqui representada pelos pássaros de pequenas dimensões é muitas vezes acompanhada por aves de grande porte como as aves de rapina. Assim, surge nos ares da lagoa, além das aves caracteristicamente terrestres como o pombo-torcaz-dos-Açores, o milhafre ou queimado, a alvéola-cinzenta e o melro-preto, as aves marinhas como a gaivota e o garajau-comum.



LENDA DA LAGOA DAS FURNAS



A Lenda da Lagoa das Furnas é uma tradição da ilha de São Miguel..

Trata-se de uma tentativa popular para explicar as formações geológicas deixadas nas ilhas pelos vulcões que lhe deram origem e forma.


Segundo a lenda, há muitos anos no local onde actualmente está localizada a Lagoa das Furnas, existia uma bonita aldeia onde as pessoas viviam felizes, faziam muitas festas e viviam quase sem trabalhar.

Numa bela manhã de céu e sol claro, como era costume fazer na aldeia, um rapaz saiu de casa para ir a uma fonte próxima buscar água para as lides domésticas e para dar de beber aos seus animais.

Mas a água que costumava ser sempre de agradável paladar estava estranhamente salgada, parecia água do mar e o rapaz teve uma premonição que ia acontecer alguma coisa estranha na sua aldeia e com os seus conterrâneos.

Correu para casa dos seus vizinhos para contar o que lhe acontecera, o que vira e o que pensara sobre o caso. Ninguém acreditou nas apreensões do rapaz, e alguns dias depois ele teve de voltar à fonte para ir buscar mais água.

No lago em frente à nascente, para onde corria a bica da água, os peixes saltavam na água e desta para terra, onde acabavam por morrer. Definitivamente convencido de algo ia acontecer à sua aldeia, correu para junto da população, mas novamente ninguém acreditou nele, a não ser o seu avô.

O idoso disse às pessoas da aldeia que parassem com os bailes e com as festas; que um dos mais ligeiros habitantes da aldeia fosse a correr até ao pico mais alto em redor para ver o mar e olhar para o norte, para tentar ver se havia alguma ilha no horizonte, alguma terra à vista a norte. Como ninguém o levou a sério, só o idoso e o seu neto subiram ao monte mais alto.

Quando lá chegaram, via-se no horizonte terra nova, uma ilha despontava pelo meio da bruma. Aflito, o idoso gritou para os aldeões que fugissem para a igreja, vinha aí grande desgraça, no horizonte encontrava-se a ilha encantada das Sete Cidades. Novamente ninguém ligou, nem ao idoso nem ao seu neto. Possivelmente nem o ouviram de tão alta era a música. Desceram ambos o monte, e depois de passarem pela igreja foram tratar dos animais e da vida imediata.

Passou um, dois dias e nada acontecia. O rapaz e o avô resolveram sair da aldeia para levarem os animais ao mercado da aldeia vizinha e por lá se demoraram alguns dias a negociar. Quando voltavam à sua aldeia, à medida que se foram aproximando foram-se apercebendo que as coisas estavam diferentes. Havia terra revoltada e montanhas novas. Ao chegar ao lugar onde devia estar a sua aldeia, esta tinha desaparecido e no seu lugar encontrava-se uma grande lagoa de águas cristalinas e tranquilas. Fora um cataclismo que soterrara para sempre a aldeia.

As pessoas da ilha de São Miguel, reza a lenda, acreditam que os aldeões continuam a viver debaixo das águas da lagoa, e que as borbulhas de gás vulcânico que se vê a sair da água são as pessoas a cozinhar lá no fundo. Dizem que os fumos, tipo fogo-fátuo que por vezes se elevam das águas junto com um cheiro a pão de milho cozido, são as mulheres a aquecer o forno escondidas nos fundos e nas reentrâncias da bela lagoa.






LENDA DA LAGOA DAS SETE CIDADES


A Lenda da princesa e do pastor no reino das Sete Cidades é uma tradição oral da ilha de São Miguel. Versa sobre a origem das lagoas da caldeira do vulcão das Sete Cidades que, apesar de unidas, têm duas cores diferentes, sendo uma verde e outra azul. Esta lenda faz parte do complexo lendário das Sete Cidades, um reino antigo e mítico, perdido algures no grande mar oceano ocidental.


Os réis desta terra encantada tinham uma linda filha que não gostava de se sentir presa entre as muralhas do castelo e saía todos os dias para os campos.

Adorava o verde e as flores, o canto dos pássaros, o mar no horizonte. Passeava-se pelas aldeias, pelos montes e pelos vales.

Durante um dos seus passeios pelos campos conheceu um pastor, filho de gente simples do campo que vinha do trabalho com os seus rebanhos. Conversaram quase toda uma tarde das coisas da vida, e viram que gostavam das mesmas coisas. Dessa conversa demorada veio a nascer o amor e passaram a encontrar-se todos os dias, jurando amores eternos.



No entanto a princesa já com o destino traçado pelos seus pais, tinha o casamento marcado com um príncipe de um reino vizinho. E quando o seu pai soube desses encontros com o pastor, tratou de os proibir, concedendo-lhe no entanto um encontro derradeiro para a despedida.

Quando os dois apaixonados se encontraram pela última vez, choraram tanto que junto aos seus pés aos poucos foram crescendo duas lagoas. Uma das lagoas, com águas de cor azul, nasceu das lágrimas derramadas pelos olhos também azuis da princesa.

A outras, de cor verde, nasceu das lágrimas derramadas dos olhos também verdes do pastor.

Para o futuro ficou, reza a lenda, que se os dois apaixonados não puderam viver juntos para sempre, pelo menos as lagoas nascidas das suas lágrimas ficaram juntas para sempre, jamais se separando.



domingo, 17 de março de 2013

Augusto Gomes



Augusto Gomes


Nascido em Angra do Heroísmo, a 6 de Maio de 1921, tendo falecido em Novembro de 2003, Augusto Gomes foi Escritor, Investigador, Contista, Jornalista e Autor consagrado de muitas publicações especializadas na área da Culinária, da História e da Etnografia das Ilhas dos Açores. 

Tendo frequentado a antiga Escola Madeira Pinto (Angra do Heroísmo), completaria os seus estudos com o Curso Comercial da antiga Escola António Augusto de Aguiar, no Funchal, em 1940.

Várias vezes premiado em Concursos Literários, de Contos e em Jogos Florais, Augusto Gomes foi assíduo colaborador da Imprensa, da Rádio e Televisão Açorianas. 

Homem de Teatro, escreveu, ensaiou e interpretou as Revistas Alagado pingando, Em mangas de camisa, Talvez te enganes e Faz-me cócegas, tendo também ensaiado e desempenhado o papel principal (“Ti Cândido”) na Opereta Glória ao Divino (1959) de Frederico Lopes, e interpretado a figura de Frei João da Ribeira no Auto Ao mar... (1960) de Coelho de Sousa. Escreveu ainda e ensaiou a Opereta Regional Amor Campestre, levada à cena pelo Grupo Teatral do Posto Santo. 

Entre outras, Augusto Gomes foi também autor das seguintes obras, muitas delas esgotadas ou com edições sucessivas: 

- Cozinha Tradicional de S. Miguel, Prefácio de Silveira Paiva, Angra do Heroísmo, 1988; Cozinha Tradicional de Santa Maria, Prefácio de Maria da Conceição Bettencourt Medeiros, Angra do Heroísmo, 1998; O Peixe na Cozinha Açoriana e Outras Coisas Mais, Prefácio de João Vieira Gomes, Angra do Heroísmo, 2001; Perdoe pelo Amor de Deus, Prefácio de Manuel Coelho de Sousa, Angra do Heroísmo, 1981; Alma da nossa Gente, Prefácio de Jorge Forjaz, Angra do Heroísmo, 1993; Teatro Angrense, Elementos para a sua História, Prefácio de Joaquim Ponte, Angra do Heroísmo, 1993; Filósofos da Rua, Introdução de Sérgio Ávila, Prefácio de Luísa Brasil, Angra do Heroísmo, 1999, e Danças de Entrudo nos Açores, Prefácio de Eduardo Ferraz da Rosa, Angra do Heroísmo, 1999. 

No seu Estudo Introdutório a um dos últimos livros de Augusto Gomes, o Dr. Eduardo Ferraz da Rosa escreveu assim: 

- “Se em Filósofos da Rua bem diversificada e exemplarmente revelou Augusto Gomes o seu pendor evocativo de Contista e Cronista [...], já em A Alma da nossa Gente os usos, costumes, festas, ritos, utensílios, artefactos, devoções, hábitos, crenças, valores, etc., do Povo da Ilha Terceira [...], reaparecem à evidência possível de e para uma visão maravilhada das nossas tradições mais ancestrais. 

“ Naquilo que traduzem, assumidamente entre modelos realistas e ficcionados, das tessituras humanas, socio-históricas e de muitas das topografias referenciais, concretas e imaginárias da Ilha Terceira e da Cidade de Angra do Heroísmo, os livros e os registos coloquiais directos de Augusto Gomes preservam com dignidade um estilo de discurso e de memória locais, marcando e reflectindo uma época, uma linguagem geracional, uma gramática social e uma paisagem poética internamente coerentes. 

“E depois, por todo o conjunto desse articulado e complementar labor de criação, investigação e conteúdo de arquivo patrimonial antropológico, as obras deste terceirense [...] deixam palpitar e entretecer, exactamente pelos tempos e espaços acima e abaixo das múltiplas e respectivas gerações da nossa terra insular, muito do mais decisivo perfil signitivo da alma da Pátria Açoriana”.













Pedro de Merelim


Pedro de Merelim







Pedro de Merelim, pseudónimo de Joaquim Gomes da Cunha (São Pedro de Merelim, 1913 - Angra do Heroísmo, 2002), foi um militar, historiador e etnógrafo dos Açores. No Exercito Português alcançou o posto de Sargento.


Biografia


Nascido no Concelho de Braga, veio para os Açores integrado no Corpo Expedicionário Português enviado paro o arquipélago durante a Segunda Guerra Mundial.

1943 - Sobrescrito, censurado, isento de franquia, expedido
de Angra do Heroísmo para Lisboa, da Expedição Militar aos Açores


Fixou-se em Angra do Heroísmo, onde desenvolveu um importante labor de investigador da história e tradições locais, tendo publicado volumosa obra sobre esses temas.


1957 - Sobrescrito e carimbo comemorativo (Velas - São Jorge) da visita presidencial aos Açores.
Edição do Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo


É o autor da frase "E Portugal já foi só aqui!", publicada no número especial do jornal terceirense "A União" em 1957, quando da visita do então presidente da República, General Craveiro Lopes.


1957 - Bilhete Postal  com carimbo comemorativo da Visita Presidencial
a Angra do Heroísmo, do General Craveiro Lopes.

1959 - Sobrescrito e carimbo comemorativo das Festas da Cidade
de Angra do Heroísmo. Edição do Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo,
onde se pode constatar a inscrição
"PORTUGAL JÁ FOI SÓ AQUI"


Cumprido o serviço militar, fixou residência em Lisboa, mas logo é reincorporado por ocasião da II Guerra Mundial, vindo cumprir serviço na ilha Terceira, onde se fixa. Passa aos quadros do Exército, após a guerra, e dá largas à sua verdadeira vocação, que é a de jornalista, usando o pseudónimo de Pedro de Merelim.


Pertenceu ao corpo redactorial do jornal A União, durante 38 anos, chegando a exercer o cargo de redactor-chefe e chefiou o gabinete de notícias do Rádio Clube de Angra.


Escreveu milhares de textos (artigos, reportagens, locais, crónicas de viagem) que publicou em jornais açorianos, do continente e da Guiné-Bissau.

Foi correspondente entre 1953 e 1972 de O Primeiro de Janeiro (Porto) e colaborador de O Século e do Jornal do Comércio, ambos de Lisboa.



O mais importante do seu trabalho é constituído por obras que versam temas de grande relevância local e regional, num total de 22 títulos, e por artigos publicados na Atlântida, revista do Instituto Açoriano de Cultura.


Foi autodidacta, por não ter podido beneficiar de formação de nível superior e, por isso, nem sempre manuseou da forma mais adequada as normas da investigação; Pedro de Merelim foi, no entanto, um historiógrafo exemplar, pela sua grande seriedade e probidade intelectual, no que constitui um exemplo para qualquer investigador.



Legou o seu espólio, em vida, à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra.



Obra

  • Guia Turístico da Terceira, Agência Teles, Angra do Heroísmo, 1948.
  • A Terceira ajoelhada aos pés da Virgem de Fátima, Tipografia Moderna, Angra do Heroísmo.
  • Subsídios para a história do futebol na ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1956.
  • Asilo de Mendicidade, sumário histórico no 1.º centenário da fundação, Angra do Heroísmo, 1960.
  • Notas sobre os conventos da ilha Terceira, 3 volumes, A União, 1960, 1963 e 1964.
  • Memória histórica da edificação dos Paços do Concelho, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1966 (reeditado em 1973 e em 1984).
  • Os Hebraicos na ilha Terceira, revista Atlântida (1968), reeditado pelo autor em 1995.
  • Filarmónica recreio dos Artistas, edição da Filarmónica, Angra do Heroísmo, 1967.
  • Memória sobre o Serviço de Incêndios, 78 pp., Associação de Bombeiros Voluntários de Angra, 1969.
  • Caixa económica da Santa Casa da Misericórdia de Angra, Santa Casa da Misericórdia de Angra, 1971.
  • Toiros e touradas na ilha Terceira, União Gráfica Angrense, 1970.
  • Memória histórica do Salão Municipal, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1970.
  • Rádio Clube de Angra, 192 pp., edição do Radio Clube de Angra, Angra do Heroísmo, 1972.
  • As 18 paróquias de Angra, 874 pp., Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1974.
  • Fernando Pessoa e a ilha Terceira, 123 pp., Colecção Ínsula, Angra do Heroísmo, 1975.
  • A laranja na ilha Terceira, 91 pp., inserto em A União, 1976.
  • Serviços Municipalizados de Angra, 201 pp., Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1979.
  • Cooperativas que houve na Terceira, Angra do Heroismo.
  • Freguesias da Praia, 2 volumes, 797 pp., Direcção Regional de Orientação Pedagógica, Angra do Heroísmo, 1983.
  • Merelim (São Pedro), 545 pp., Junta de Freguesia de Merelim, 1989.
  • Adenda à Monografia de Merelim (São Pedro), Junta de Freguesia de Merelim, 1995.
  • Açorianos ministros de Estado, edição do autor, Angra do Heroísmo, 1996.
  • Monografia da Agência Teles, Agência Teles, Angra do Heroísmo, 1996.

sábado, 16 de março de 2013

Os Jesuítas nos Açores




A Companhia de Jesus

A história dos jesuítas em Portugal está dividida em quatro períodos: o primeiro vai de 1540 a 1759, o segundo de 1829 a 1834, o terceiro de 1848 a 1910, e o quarto e último do exílio à actualidade.

PRIMEIRO PERÍODO ( 1540 a 1759 )


Inácio de Loiola
Fundador da Companhia de Jesus
A vinda dos jesuítas para Portugal deve-se ao rei D. João III a quem Diogo de Gouveia indicara a existência de um grupo de clérigos capazes de converter a Índia. Então Inácio de Loiola enviou para Portugal o navarro Francisco Xavier e o português Simão Rodrigues.

O primeiro partiu no ano seguinte para a Índia enquanto que o segundo ficou encarregue de criar a Província de Portugal, que foi criada em 1546 tendo sido a primeira província da Ordem.

Foi graças a alguns benfeitores, com especial destaque para a família real, que o crescimento da Companhia de Jesus em Portugal se deu de uma maneira extremamente rápida. Em 1542, foi fundado o Colégio de Jesus em Coimbra que tinha como objectivo a formação dos membros mais novos da Ordem.

HISTÓRIA DOS JESUÍTAS EM PORTUGAL
Simão Rodrigues. Pintura a óleo
 sobre tela existente na Residência
 de S. Roberto Belarmino
(Casa de Escritores), Lisboa.
Foi no entanto em Lisboa no ano de 1553 que foi inaugurado o primeiro Colégio no qual os jesuítas deram aulas públicas: O colégio de Santo Antão. Em 1559, foi fundada pelo Cardeal D. Henrique a Universidade de Évora e entregue à Companhia de Jesus.

Com o decorrer do tempo, a acção pedagógica dos jesuítas foi-se espalhando a outras cidades do país como Braga, Bragança, Funchal, Angra, Ponta Delgada, Faro, Portalegre, Santarém, Porto, Elvas, Faial, Setúbal, Portimão, Beja e Gouveia. À medida que iam aumentando o número de casas, ia também aumentando o número de jesuítas: 400 em 1560, 620 em 1603, 662 em 1615, 639 em 1639, 770 em 1709, 861 em 1749 e 789 em 1759.

Os jesuítas em Portugal chegaram a dirigir cerca de 30 estabelecimentos de ensino que formavam a única rede escolar orgânica e estável do País. O ensino era gratuito e aberto a todas as classes. Em meados do século XVIII, o número total de alunos rondava os 20000 numa população de 3000000 de habitantes.

Mas, em Portugal, os jesuítas não estavam só ligados à educação. Também davam catecismo e entregavam-se aos ministérios sacerdotais e a obras de caridade. Ocupavam-se dos presos, visitavam hospitais, assistiam os condenados à morte e, indiferentes aos perigos, excediam-se em generosidade por ocasião de epidemias e calamidades.

Convento de São Francisco
Angra do Heroísmo
Uma das prioridades da Companhia de Jesus era a actividade missionária. Assim, à medida que os portugueses foram chegando cada vez mais longe, os jesuítas acompanharam a sua expansão. Em 1542, Francisco Xavier desembarcou em Goa com dois companheiros e, depois de percorrer várias regiões da Índia, esteve em Malaca e nas Molucas, chegando ao Japão em 1549. Veio a falecer em 1552 quando estava prestes a entrar na China. Apesar disso, as missões continuaram e os jesuítas chegaram a Macau, ao império do Grão Mogol, à China, a Pegu, a Bengala, à Cochinchina, ao Cambodja, ao Tibete, a Tonquim, ao Sião e ao Laos. Em África, os jesuítas estiveram no Congo, em Angola, na Etiópia e em Moçambique. Mais tarde iniciaram uma missão que passava por Cabo Verde e que os levaria depois à Guiné e à Serra Leoa. A primeira expedição ao Brasil deu-se em 1549 e, a partir daí, verificaram-se numerosas levas de missionários.
Convento de São Francisco - Horta
(Colégio dos Jesuítas)

Toda esta actividade foi bruscamente interrompida por decisão do Marquês de Pombal em 1759 ao decretar a expulsão dos jesuítas de todos os territórios portugueses. As causas desta decisão foram sobretudo de ordem ideológica e política. Para A Companhia de Jesus constituía um obstáculo à implementação do seu projecto político iluminista e centralizador.



Igreja do Colégio em Angra do Heroísmo
(Colégio dos Jesuítas)

Uma vez que os jesuítas dominavam o sistema de ensino em Portugal e no Ultramar e tinham um património cultural invejável, eles constituíam um motivo mais do que suficiente para se tornarem uma ameaça para a implementação do sistema. Foi então que o Marquês de Pombal iniciou uma campanha anti-jesuítica tendo feito uma série de acusações contra os jesuítas que foram espalhadas por toda a Europa.




SEGUNDO PERÍODO ( 1829 a 1834 )


HISTÓRIA DOS JESUÍTAS EM PORTUGAL
Planta do Forte de S. Julião da Barra.
Do "Catalogus Provinciae Lusitana 1892"
Em 1814 a Companhia de Jesus foi restaurada pelo Papa Pio VII. No entanto, os jesuítas só regressaram a Portugal em 1829. Por intermédio do rei D. Miguel, chegaram a Lisboa oito jesuítas que traziam como superior o belga P. Filipe José Delvaux. Abriram um noviciado e iniciaram actividades apostólicas entre a população de Lisboa e dos arredores. Em 1832, D. Miguel entregou-lhes o Colégio das Artes, em Coimbra, mas devido à guerra civil as aulas só se iniciaram no ano seguinte. Em 1834 o exército liberal ocupou Coimbra e os jesuítas foram presos e escoltados até Lisboa tendo ficado presos no forte de S. Julião da Barra donde partiram para Itália.

Nesta curta passagem por Portugal, o número de jesuítas foi de 24 e para além de terem retomado as actividades escolares, estiveram também empenhados em dar assistência aos feridos da guerra civil e às vítimas da epidemia de cólera que ocorreu em 1833.

TERCEIRO PERÍODO ( 1848 a 1910 )


HISTÓRIA DOS JESUÍTAS EM PORTUGAL
CARLOS RADEMAKER
 Fotografia existente no Arquivo da Cúria Provincia
l da Prov. Port. da Companhia de Jesus.
O principal responsável por este regresso a Portugal foi Carlos João Rademaker, que tinha entrado para a Companhia de Jesus em Itália, em 1846.

Rademaker veio para Portugal com o intuito de restaurar a Província de Portugal. Em 1858, deu início ao Colégio de Campolide, tendo tido a colaboração de mais dois jesuítas, um português ainda dos tempos de D. Miguel e um espanhol. Nos anos seguintes juntaram-se mais jesuítas principalmente vindos de Itália e abriu-se um noviciado no lugar do Barro. Em 1863, foi constituída oficialmente a Missão Portuguesa que teve como primeiro superior o italiano P. Francisco Xavier Fulconis. Ainda em 1863, os jesuítas tomaram conta do Orfanato de S. Fiel que transformaram em Colégio.

No início de 1880, a Missão contava nove comunidades com 137 jesuítas. Estavam reunidas então as condições para ser restaurada a Província de Portugal da Companhia de Jesus.

Os dois Colégios, Campolide e S. Fiel, além de outros importantes estabelecimentos de ensino, foram locais de intensa actividade científica. Em S. Fiel, em 1902, foi criada a revista Brotéria que, dirigida pelos professores do Colégio, publicava artigos de investigação nomeadamente nas áreas da botânica e da zoologia.

Em relação à actividade missionária, os jesuítas tiveram uma difícil missão na Zambézia para onde foram enviados entre 1880 e 1910. Os jesuítas da Província de Portugal estiveram também presentes na Índia, Macau e Timor.

Em Outubro de 1910 a Companhia de Jesus foi pela terceira vez expulsa e espoliada dos seus bens em Portugal.

O ambiente de perseguição existia desde os últimos anos da monarquia, mas foi depois da revolução republicana que o governo provisório da República restaurou a lei pombalina de 1759. Os membros da Província de Portugal eram nessa altura 360.



QUARTO PERÍODO ( DO EXÍLIO À ACTUALIDADE )


Depois de consumada a expulsão, a política seguida teve duas vertentes: em primeiro lugar, conservar na Europa o núcleo central da Província de Portugal, constituído pelas casas de formação e algumas residências. Em segundo lugar, reforçar as missões na Índia que, por se encontrarem em território inglês, podiam ser mantidas e, simultaneamente, procurar novos campos de actividade, principalmente no Brasil.

Depois de temporariamente se terem instalado na Holanda e na Bélgica, as principais casas estabeleceram-se em Espanha: o noviciado, o juniorado e filosofado em Santa Maria de Oya, na Galiza, o Colégio para os alunos portugueses em La Guardia, no lado espanhol do rio Minho, a Escola Apostólica em S. Martinho de Trebejo e a redacção da revista Brotéria e do Mensageiro do Coração de Jesus em Pontevedra.


Apesar do exílio, a Província de Portugal aumentou os seus efectivos. Em 1925 eram 380, 179 sacerdotes, 84 irmãos e 117 estudantes. A partir de 1923, abriram algumas residências em Portugal. As casas de formação e o Colégio de La Guardia regressaram em 1932. A Constituição de 1933 aboliu as leis de excepção por motivos religiosos, e o decreto de 12 de Maio de 1941, que reconhecia a Companhia de Jesus como corporação missionária, permitiram normalizar a situação jurídica dos jesuítas em Portugal.

Durante os anos quarenta e cinquenta, os principais centros da presença dos jesuítas adquiriram o estatuto que ainda mantêm. Nos anos setenta, apesar de terem diminuído o número de efectivos, aumentaram a sua presença a Sul do Tejo, principalmente em zonas pobres e pertencentes à classe operária.

Para além da educação, os jesuítas continuaram a publicação regular da Brotéria e surgiram novas revistas de investigação como a Revista Portuguesa de Filosofia e Economia e Sociologia. A publicação da Verbo. A Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, resultou da colaboração entre a editorial Verbo e as instituições culturais da Companhia de Jesus.

Em relação à actividade missionária, os jesuítas estiveram sempre presentes na Índia portuguesa, até à anexação pela União Indiana, em 1961 de Goa, Damão e Dio. Expulsos da Índia, os jesuítas foram para Macau, Moçambique, Timor e Angola. A descolonização abalou profundamente a actividade missionária tendo muitos missionários, vítimas de inúmeras perseguições, tido que regressar à Europa.


Fonte: www.educ.fc.ul.pt








Símbolos da Companhia de Jesus

IHS é a abreviação do nome de Jesus em grego ou da escrita latina do nome como se usava na Idade Média: Ihesus.Trata-se de um trigrama cristológico propagado no século 14 pelo pregador São Bernardino de Sena. No século 16, foi retomado com a significação de “Jesum habemus socium”, que quer dizer, em português, “Temos Jesus como companheiro”.

Depois de São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola foi quem mais contribuiu para a difusão do monograma. O fundador da Companhia utilizou o símbolo no início de suas principais cartas e escritos. Em forma impressa, usou o IHS como carimbo das principais publicações – por exemplo, na primeira edição do livro dos Exercícios Espirituais e, também, no carimbo oficial da Ordem.



                      Os Jesuítas nos Açores






O primeiro Colégio de Jesuítas de Angra situava-se na Rua de Jesus, segundo pormenor da carta de Linschoten, e foi cedido por João da Silva Canto ao grupo de doze religiosos da Companhia de Jesus, chegados a Angra em 1570. 
          

Colégio dos Jesuítas - São Miguel
Colégio dos Jesuítas - Faial
No período da descoberta portuguesa, os Açores ficaram dependentes da Ordem de Cristo, quer na vertente espiritual, quer na temporal. O governo temporal da Ordem de Tomar era administrado pelo Grão-Mestre, responsável pela construção, conservação e provisão de parte das igrejas insulares. As capelas-mores e as sacristias (com os respectivos paramentos e ornamentos, incluindo os sinos) eram da responsabilidade do administrador da Ordem, enquanto que o resto dos edifícios (que incluía a torre dos sinos, a pia baptismal, o cruzeiro, os confessionários, o lajeamento do edifício e do adro) era uma competência dos seculares, Competia ainda ao governador da Ordem a nomeação dos sacerdotes insulares e o respectivo sustento económico, sustentado pela arrecadação do dízimo. Esta obrigatoriedade permanecerá sempre adstrita ao governador da Ordem de Cristo e após 1495 será a dinastia de Avis a responsável por todos os sectores de cariz temporal da Igreja açoriana. No plano espiritual, competia ao Prior de Tomar a fiscalização dos preceitos religiosos, designando frades da Ordem para garantir o acompanhamento espiritual dos povoadores e escolhendo visitadores para a observação dos regulamentos canónicos.

Em 1514, com a criação da Diocese do Funchal, a tutela espiritual das ilhas açorianas é transferida para o bispo madeirense, numa fase que durará vinte anos.





Colégio dos Jesuítas - Santa Maria
O desenvolvimento do arquipélago dos Açores e a política de gestão religiosa do Império ultramarino encabeçada por D. João III permite à coroa portuguesa a fundação da Diocese de Angra, sedeada na nova cidade de Angra, desvinculando-se da tutela do bispo do Funchal. A bula Aequum reputamus, de 3 de Novembro de 1534, designa o rei de Portugal como Padroeiro da diocese, com incumbências diversas, nomeadamente a apresentação ao Papa dos nomes dos bispos e a apresentação ao bispo de todas as dignidades do Cabido e dos sacerdotes das nove ilhas. Desta forma, a partir de 1534, a coroa portuguesa passa a conjugar a jurisdição temporal (como administradora da Ordem de Cristo) com os benefícios de Padroeira. Apesar da articulação entre a esfera espiritual e temporal, os reis portugueses serão, compreensivelmente, mais eficientes no cumprimento da primeira competência e menos zeladores da segunda. Esta circunstância, que se manterá operacional até ao Liberalismo, vai provocar a deterioração patrimonial de muitas igrejas e ermidas nas ilhas dos Açores, bem como múltiplas queixas por parte de um clero paroquial, economicamente dependente das receitas de um tesouro régio que privilegia outras áreas de investimento. 


Além da estrutura paroquial, as fontes mais antigas referem a importância da espiritualidade franciscana, registada desde os primeiros tempo do povoamento. Logo em 1446, os franciscanos instalam-se em Santa Maria. Ao longo do século XVI, a Ordem de S. Francisco edifica sete conventos nas ilhas mais povoadas: três em São Miguel, dois na Terceira, um em Santa Maria e um no Faial. O desenvolvimento dos conventos franciscanos no arquipélago conduz a que, em 1640, a custódia açoriana seja elevada à categoria de Província. A partir de então, observa-se um novo fôlego franciscano, com a fundação de mais conventos, agora em zonas e ilhas mais periféricas: em São Miguel, os conventos de São Sebastião na vila do Nordeste (1643) e de Nossa Senhora da Ajuda, nos Fenais da Ajuda (1681); em São Jorge, o de São Diogo no Topo (1650); nas Flores, o de São Boaventura em Santa Cruz (1642); no Faial, o de Santo António na Horta (1710); e no Pico, o de São Pedro de Alcântara, em São Roque (1720). 


Colégio dos Jesuítas
Angra do Heroísmo



Este dinamismo leva a que, em 1717, a Província se divida em duas custódias: a de São Miguel, com tutela sobre as duas ilhas do grupo oriental; e a da Terceira, que engloba as ilhas do grupo central e ocidental. Em suma, na primeira metade do século XVIII, os Açores possuem dezoito conventos franciscanos dispersos por todas as ilhas, com excepção da do Corvo. Em relação a outras ordens, refiramos os Carmelitas Calçados, que se instalam na Horta em 1649) e os Jesuítas, que fundam colégios em Angra (1570); em Ponta Delgada (1591) e na Horta (1648). Por sua vez, a presença de ordens religiosas femininas nos Açores foi marcada pela segunda ordem franciscana, as clarissas. Distribuíram-se por 15 conventos: seis localizados na Terceira; seis em São Miguel; dois no Faial e um em São Jorge. No decurso de Seiscentos, foi a vez das Concepcionistas fundarem dois conventos: um em Angra (1608) e outro em Ponta Delgada (1671).


A vivacidade da presença religiosa regular foi acompanhada por um dinamismo espiritual laico. A maioria dos mosteiros, conventos, recolhimentos, igrejas e ermidas açorianas foram fundadas por particulares, padroeiros com objectivos diversos, desde o encaminhamento de alguns dos seus descendentes para uma vida de celibato e recolhimento até à vontade de edificar espaços funerários familiares. Por outro lado, subsistiu uma religiosidade mais formal, que o processo de reforma católica reforçou nos Açores, a par de uma espiritualidade composta de devoções populares, como é o caso do culto à Terceira Pessoa da Trindade, que ainda hoje se mantém com grande pujança nas nove ilhas dos Açores.


A centralidade do culto cristológico (comprovado pela devoção ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, em São Miguel, ou Bom Jesus, no Pico) e da devoção mariana (exemplificada pelas romarias realizadas no período da Quaresma na ilha de São Miguel) complementam uma diversidade de comportamentos religiosos que, remontando ao século XVI, ainda hoje caracterizam a prática devocional dos açorianos.











Bibliografia:
AAVV, História dos Açores. Do descobrimento ao século XX, direcção científica de Artur Teodoro de Matos, Avelino de Freitas de Meneses e José Guilherme Reis Leite, Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura, 2008, três volumes. COSTA, Susana Goulart, Açores: Nove Ilhas, Uma História / Azores: Nine Islands, One History, Berkeley, University of California, 2008.

Autor: Susana Goulart Costa