quarta-feira, 17 de abril de 2013

José Orlando Bretão






José Orlando Bretão
(Recordando o Dramaturgo e o Pintor)

Real República dos Corsários das Ilhas
Fundada em 1958
José Orlando de Noronha da Silveira Bretão nasceu em Angra do Heroísmo a 14 de Abril de 1939 e faleceu na mesma cidade a 24 de Outubro de 1998. Foi um advogado, dramaturgo e estudioso do folclore açoriano, em especial das danças de Carnaval e das Festividades do Espírito Santo. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi dirigente associativo e co-fundador da Real República Corsários das Ilhas.

Membro activo do movimento estudantil, no ano de 1962 esteve detido na prisão política de Caxias, fazendo parte do grupo de quarenta universitários presos pela PIDE em Coimbra naquele ano. Advogado em Angra do Heroísmo, foi consultor Jurídico do movimento sindical desde Janeiro de 1969 e participou desde então em todas as principais lutas reivindicativas dos trabalhadores terceirenses, antes e depois de 25 de Abril. Especialista de Direito do Trabalho, participou em vários encontros nacionais e regionais sobre Direito Laboral. Foi, nos Açores e durante vários anos, praticamente o único advogado que se dispôs a prestar serviço no movimento sindical unitário.

Foi co-fundador do Círculo de Iniciação Teatral da Fanfarra Operária, onde encenou várias peças de teatro e dirigiu cursos de formação. Sócio efectivo do Instituto Histórico da Ilha Terceira e do Instituto Açoreano de Cultura, foi Presidente da Academia Musical da Ilha Terceira, Sócio Honorário da Sociedade Recreativa Nossa Senhora do Pilar das Cinco Ribeiras e Sociedade Filarmónica Recreio de Santa Bárbara. Foi co-fundador das Cooperativas Culturais Unitas e Centelha, em Coimbra, e da Sextante e Semente, nos Açores.  

Foi Presidente da Assembleia Geral do Cine-Clube da Ilha Terceira e das Assembleias Gerais do Teatro Experimental de Angra O OUTRO TEATRO e da Associação Cultural Oficina d’Angra. Pintor naïf , está representado em  várias colecções públicas e particulares. Foi o primeiro Delegado do F.A.O.J. nos Açores, organismo que viria a dar origem às Casas da Cultura. Em Fevereiro de 1997 foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Municipal de Prata Dourada, pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Em 21 de Fevereiro de 1998, numa cerimónia que teve lugar no Museu de Angra do Heroísmo, foi celebrado um acordo entre JOSÉ ORLANDO DE NORONHA DA SILVEIRA BRETÃO e a então designada Casa da Cultura de Angra do Heroísmo, segundo o qual ficava entregue à guarda da Casa da Cultura a colecção de textos, fotografia e gravações vídeo e áudio de Danças de Entrudo, Bailinhos e Comédias do teatro popular da ilha Terceira, resultante de uma recolha efectuada pelo investigador ao longo de trinta anos. Pelo acordo assinado, a Casa da Cultura da Terceira comprometeu-se a proceder à salvaguarda da colecção recebida, facultando-a aos estudiosos da matéria para análise e investigação.

Ao ser criado o Centro de Conhecimento dos Açores, a Colecção José Noronha Bretão - Teatro Popular da Ilha Terceira, transitou para o referido Centro, estando disponível ao público interessado no fenómeno cultural do teatro popular da ilha Terceira.

A pintura de Zé Van der Hagen Bretão










Brasão dos Silveira
Willem van der Haegen, por vezes designado por Willelm van der Hagen ou Willelm van der Haagen, aportuguesado para Guilherme da Silveira, nobre flamengo que segundo James H. Guill no Livro " A History of the Azores Islands. Volume 5, pag. 140", era Neto de João I de Borgonha, que em 1470, desembarcou na Ilha do Faial a convite de Joss Van Hurtere, seu 1.º Capitão do Donatário. Liderando uma segunda vaga de povoadores, leva consigo sua família e familiares, mestres de mais variados ofícios. Sentindo posteriormente alguma má vontade e rivalidade por parte de Hurtere, decide abandonar a ilha. Hagen fixa-se nas Quatro Ribeiras, na Ilha Terceira, fazendo sua lavoura de trigo e cultivo de pastel (Isactis Tinctoria Lin.), antes produzido na Picardia e na Normandia, que exportava para a Flandres. Indo a Lisboa, encontra-se com D. Maria de Vilhena, viúva de D. Fernão Teles de Meneses e tutora de Rui Teles, seu filho. Esta cede os direitos de exploração da ilha em troca do pagamento dos direitos sobre as Ilhas das Floreiras - nome por que eram então conhecidas as ilhas das Flores e do Corvo.

"Solar dos Tiagos". Topo - São Jorge
Por volta de 1478, Hagen ter-se-á fixado na Ilha das Flores, no sítio denominado Ribeira da Cruz. Devido ao isolamento das demais ilhas e dificuldades nas comunicações, a exploração agrícola da ilha não era aliciante dada a dificuldade em exportar. Decide então abandonar a ilha, retornando para a Ilha Terceira, e desta para a Ilha de São Jorge onde se fixou definitivamente no sítio do Topo. Viveu com tanta abundância que somente de dízimo da seara que cultivava, segundo diz Gaspar Frutuoso, pagava cada ano 50 a 60 moios (Livro 6.º das Saudades da Terra). Veio a falecer cerca de 1500, estando sepultado na ermida anexa à Solar dos Tiagos, na vila do Topo, hoje em ruínas.

O apelido flamengo Haag que significa bosque, acabou por ser vertido em português por Silveira. Outra variação deturpada do seu nome é Guilherme Vanderaga.

As famílias com o apelido Silveira nos Açores, regra geral, descendem do flamengo Willem van der Hagen. Os seus descendentes espalharam-se por todas as ilhas dos Açores, embora na Ilha Graciosa surja outro ramo onde os Silveiras ali estabelecidos constituem um ramo dos Silveiras do continente português.



José Orlando Bretão

Estudioso do Teatro Popular Terceirense

Aquele que maior contribuição deu ao estudo do fenómeno terceirense que são as Danças e Bailinhos de Entrudo, apesar de já ter partido, há anos, é sempre lembrado quando chega a época do Carnaval.

Sem dúvida que José Orlando Bretão, foi quem deu o maior contributo para o seu estudo, verdadeiramente cientifico, técnico e histórico. E, igualmente quem mais divulgou esta forma de teatro popular, junto das maiores autoridades nacionais do teatro que desconheciam a força, valor e interesse desta manifestação cultural da ilha Terceira, nos Açores.

In: Bago D'Uva



terça-feira, 16 de abril de 2013

Emanuel Félix


Emanuel Félix
(Recordando)


Emanuel Félix Borges da Silva nasceu em Angra do Heroísmo a 24 de Outubro de 1936 e faleceu no dia 14 de Fevereiro de 2004 na mesma cidade. Poeta, ensaísta, autor de contos e crónicas, crítico literário e de artes plásticas. Foi considerado o introdutor do concretismo poético em Portugal, que cedo rejeitou, tendo passado pela experiência surrealista.Fundou e foi co-director da revista Gávea (1958).

Foi co-director da revista Atlântida, do Instituto Açoriano de Cultura. Iniciou os seus estudos nos Açores, tendo, porém, feito quase toda a sua preparação técnico-profissional no estrangeiro, designadamente no Instituto Francês de Restauro de Obras de Arte (Paris), na Escola Superior de Belas-Artes do Anderlecht e na Universidade Católica de Lovaina, onde se especializou no Laboratório de Estudo de Obras de Arte por Métodos Científicos do Instituto Superior de Arqueologia e História da Arte da mesma Universidade.Efectuou visitas de estudo e frequentou estágios de longa duração em institutos superiores e serviços científicos de museus de Paris, Ruão, Bruxelas, Liége, Amsterdão, Londres, Roma, Florença, etc.


Emanuel Félix estreia como poeta com o premiado título O Vendedor de Bichos,combinada com uma delicada intensidade emotiva." no qual revelava uma voz ímpar e inovadora. "O seu nome tornou-se mais do que todos uma referência incontornável na poesia escrita nos Açores, mas, muito mais do que isso, alcandorou-se aos níveis mais altos da poesia nacional. A sua poesia evidencia um fino esmero estético e uma grande maestria e pureza estilística.Da sua produção literária cita-se: Vendedor de Bichos (Poesia) Lisboa, 1965; Angra no Último Quartel do Século XVI, Angra do Heroísmo, 1967; A Palavra O Açoite (Poesia) Coimbra, 1977; A Viagem Possível (Poesia, 1965/81) Angra do Heroísmo, 1984; Seis Nomes de Mulher (Poesia) Angra do Heroísmo, 1985; António Dacosta - Esboço de um Roteiro Sentimental, Angra do Heroísmo, 1988; O Dragoeiro (Dracaena Draco da Macaronésia) Chave da Grande Obra em Jerónimo Bosch, Angra do Heroísmo, 1988; Conceito e Dinâmica do Património Cultural, Angra do Heroísmo, 1989; O Instante Suspenso (Poesia) Angra do Heroísmo, 1992; A Viagem Possível (2ª edição refundida e actualizada) Lisboa, 1993; Os Trincos da Memória (Ficção Narrativa) Ponta Delgada, 1994; Iconografia e Simbólica do Espírito Santo nos Açores, Praia da Vitória, 1995; Habitação das Chuvas (Poesia), Angra do Heroísmo, 1997. 


Por ocasião do 50º aniversário da sua estreia literária, a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo organizou uma grande exposição comemorativa. Dessa exposição foi editado o catálogo Emanuel: 50 Anos de Palavras (1952-2002).




O ano de 2003 marcou a saída de Emanuel Félix: 121 Poemas Escolhidos(1954-1997), numa edição das Edições Salamandra, uma riquíssima coletânea de seus poemas ou melhor: “ o seu testamento poético”.

domingo, 7 de abril de 2013

A Lotaria em Portugal



A Lotaria em Portugal
(Breve história)



Na idade Média as casas de jogo eram chamadas de tavolagem e os donos desses estabelecimentos eram chamados de gariteiros.

Mas nem sempre foram bem vistas pela monarquia; durante o reinado de D. Afonso IV (1325-1357), por exemplo, foram proibidas.

Em Portugal, as lotarias foram lançadas por Pedro II como remédio contra a crise ecónomica de seu reinado (1683-1706), mas, como caráter permanente e oficial só em 1946 foi organizada a Loteria Nacional Portuguesa, cujos lucros, de acordo com a tradição, revertem para a Santa Casa e outras instituições beneficientes.

Dificuldades financeiras levariam a Mesa da Santa Casa da Misericórdia a solicitar a D. Maria I a permissão de constituir uma lotaria anual. Assim, acedendo ao pedido, a Rainha D. Maria I, por decreto de 18 de Novembro de 1783, outorga a concessão de uma lotaria anual à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Os lucros, seriam repartidos em partes iguais, pelo Hospital Real, pelos Expostos e pela Academia Real das Ciências.

Os primeiros bilhetes da Lotaria Nacional foram impressos em 1784. A sua numeração foi feita à mão pelo tesoureiro da Santa Casa.

As extracções da lotaria, por Decreto de 28 de Abril de 1892, passaram a ter a designação de Lotaria Nacional Portuguesa e o monopólio da venda de bilhetes fora entregue à Companhia Aliança de Lotarias que, não podendo cumprir os compromissos assumidos com o Estado, levou à rescisão do contrato de concessão, em 6 de Abril de 1893. Por decreto dessa data, as Lotarias passaram a designar-se, novamente, de Lotarias da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Por Decreto nº 29 657 de 5 de Junho de 1939, se fixou definitivamente a designação de Lotaria Nacional Portuguesa.

Atualmente, a Santa Casa da Misericórdia gere os seguintes jogos: EuroMilhões, Totoloto, Totobola, Loto 2, Joker, Lotaria Clássica, Lotaria Popular e Lotaria Instantânea.

A falsificação ou viciação de bilhetes da Lotaria incorre em penalidades idênticas às aplicadas às notas do Banco de Portugal, como se pode ver no Art.º 267, nº1 al b. Código Penal:

a) Os títulos de crédito nacionais e estrangeiros constantes, por força da lei, de um tipo de papel e de impressão especialmente destinados a garanti-los contra o perigo de imitações e que, pela sua natureza e finalidade, não possam, só por si, deixar de incorporar um valor patrimonial;
b) Os bilhetes ou fracções da lotaria nacional; e
c) Os cartões de garantia ou de crédito.


Por insinuação do marquez de Pombal, instituiu-se em 1771, n'esta capital, uma sociedade para a subsistencia dos theatros da corte, formada pelos homens de negocio da praça de Lisboa, da qual eram directores e caixas, Anselmo José da Cruz Sobral, Alberto Mayer, Theotonio Gomes de Carvalho, e Joaquim José Estulano de Faria. Com as instrucções para o regimen dos theatros, foi ella approvada por alvará de 17 de julho do mesmo anno, referendado pelo marquez.

Esta sociedade é quem dava por empreza o theatro do Salitre e rua dos Condes, unicos que então havia para representação das operas italianas e dramas nacionaes, porque o do Bairro Alto, no pateo do Patriarcha, a S. Roque, era então para espectaculos menos artisticos.

Uns vinte annos durou a associação, mas poucos beneficios fez á arte dramatica, intuito com que a promovêra o marquez de Pombal, cujo ministerio não chegou a durar seis annos depois della creada.

Da tempera do ousado estadista era quem abriu entre nós a scena em que ainda hoje assistimos á opera.

O desembargador Manique, que, na qualidade de intendente geral da policia, tinha a seu cargo a inspecção geral dos theatros, envergonhando- se da mesquinhez dos que existiam, conseguiu em 1792, que os negociantes e capitalistas Joaquim Pedro Quintella, Jacintho Fernandes Bandeira, Polycarpo José Machado, e Anselmo José da Cruz Sobral, emprehendessem a edificação de um theatro digno da capital do reino. Foi esta a origem do theatro de S. Carlos, que estes negociantes mandaram construir á sua custa, fazendo doação da propriedade d'elle á Casa Pia, por obsequio ao mesmo intendente, fundador e director de tão util estabelecimento. Esta doação, porém, tinha a clausula de se verificar depois de reembolsados os socios da somma que dispendessem.

Ignoravamos que a Casa Pia tivesse tambem contribuido para a edificação do theatro de S. Carlos, porque apesar de haver tanta escripta a respeito d'este notavel monumento, nunca tal se mencionou. Só agora o ficámos sabendo pela declaração do proprio intendente, no officio inedito que publicámos.

Dada esta explicação para melhor intelligencia do citado officio, continuemos a historia da loteria.

Alcançando o intendente que participasse tambem a Casa Pia do benelicio que fôra concedido á Misericordia, se ficaram alternando entre estes dois estabelecimentos as loterias annuaes, fazendo cada uma d'estas administrações, separadamente, a venda dos bilhetes e a extracção dos numeros.

Em quanto Manique governou a Casa Pia, foi a loteria rigorosamente fiscalisada; mas depois as mancommunações, os roubos e extravios, foram inauditos. Cremos que outro tanto aconteceu na casa da Misericordia; mas a respeito d'essa, ainda por ora não encontrámos documento tão insuspeito como o que hoje apresentámos tocante á Casa Pia.

A tal ponto havia chegado a dilapidação do producto da loteria, que em 1833 escrevia o administrador da Casa pia ao ministro do reino o seguinte:

«Nunca me aproveitei do alheio, nem consinto, nem consentirei jámais que outrem o faça, em objectos que estiverem debaixo da minha fiscalisação. Pelo que, e de modo que possa chamar a benefica attenção de v. ex.ª para a minha conta de 25 de janeiro do anno proximo passado, torno a dizer, que os fundos destinados peça augusta piedade para a sustentação da desvalida orphandade asylada na real Casa Pia, se vão progressivamente dilapidando, pelos extravios e sua pessima administração. Conta de sacco e arbitraria, eis a maneira por que se governa este interessante estabelecimento, e uma prova d'esta asserção (entre muitos e mui escandalosos factos) oflereço á consideração de v. ex.ª no seguinte: 

O producto das loterias, que devera ser destinado para a sustentação e educação dos desgraçados orphãos, e para o pagamento dos enganados credores, se converte vergonhosamente a favor de certos interessados do dito estabelecimento. Em 1830 se dispenderam 3 378$000 réis em gratificacões; em 1831 4 729$200 réis; e em 1832 5 660$000 réis; fazendo o total 13 267$600 réis, como mais explicado se mostra na nota junta, extrahida das contas dadas pelo administrador. Cumpria-me, pois, evitar taes excessos; tirar ao administrador a arbitraria faculdade que se arrogou de dispor do dinheiro do cofre; obstar á falta de zelo com que se faz a compra dos generos; remediar o abuso de se dar pão alvo aos alumnos, quando deve ser de toda a farinha; fazer o fornecimento do pão por arrematação, e não por um ajuste particular, e perpetuamente com a mesma pessoa, etc. 

Obstando porém o regio aviso de 19 de septembro ultimo, pelo qual S.M. me ordenou que não altere em coisa alguma o estado em que se acha a Casa Pia, e a falta de deliberação da indicada conta de 25 de setembro, lanço mão do unico recurso que me resta, e é o d'esta nova representação para desencargo da minha consciencia, para que em tempo algum se possa dizer que eu consenti em taes excessos e prevaricações; convindo por isso que v. ex.ª queira fazer me a honra de levar o exposto ao soberano conhecimento de S.M. - Lisboa 8 de fevereiro de 1833. - Ill.mo e Ex.mo  Sr. Conde de Bastos.