terça-feira, 22 de outubro de 2013

Apicultura Açoriana











A apicultura nos Açores remonta ao início do século XVI segundo Carta a El-Rei por Gaspar do Rego Baldaya, em 1554, fazendo vários pedidos e queixas do Dr. Manoel Alvares ( ARCHIVO DOS AÇORES, 1878). 

Produz-se mel em quase todas as ilhas, sendo a produção mais significativa nas ilhas do Pico, S. Miguel e Terceira.







No âmbito regional os aspectos mais 
importantes da apicultura estão aliados ao seu papel ecológico, assegurando e garantindo grande parte da polinização das espécies agrícolas, ao seu papel social, sendo partilhada por todos os estratos sociais, e ao seu valor económico, uma vez que os produtos da colmeia são grande fonte de riqueza, não propriamente em termos de quantidade, mas no aspecto qualitativo. O arquipélago dos Açores possui condições naturais particularmente favoráveis para a apicultura e produção de mel de alta qualidade.














As características edafo-climáticas propiciam o desenvolvimento de uma vegetação abundante, rica e diversificada. Todavia e apesar das grandes potencialidades intrínsecas, o sector apresenta algumas dificuldades na comercialização, pela falta de infra-estruturas organizativas e tecnológicas e pela ausência de estudos aprofundados sobre a caracterização dos produtos apícolas produzidos na região. Como já foi referido anteriormente a apicultura é uma área muito abrangente e não se relaciona apenas com a produção de mel mas sim com muitas outras coisas. De todas elas a mais importante é sem dúvida a polinização de espécies vegetais, pois dela depende todo o equilíbrio ecológico.


Os Açores já produziram muito e bom mel como o atestam as descrições da História Insulana ( CORDEIRO, 1717 ): 

“O principal que rende esta bella parte de tal valle, (das Furnas) he mel, & cera, de forte que até os Padres da Companhia de JESUS tem alli colmeal taõ grande, que cada anno lhes dá hum quarto, ou meya pipa de mel, & algus annos pipa inteyra, & mais de pipa, & a cera correspondente; & affim cera, como o mel, excede na perfeyçaõ ao de qualquer outra parte; …”. 


Na Terceira, produzia-se “… tanto mel de abelhas, que diz Fructuoso haver homem no Porto, ou Posto Santo, que tem quinhentas colmeas, & o melhor pasto dellas.”. No Pico “… tem muytos colmeaes, muyto mel, & muyta cera …”, apenas faltando nas Flores “ Naõ tem esta Ilha commercio algum com outras Nacções …, senaõ com o Fayal, & com a Terceira, … & lhes levaõ muytos dos seus panos, & linhos, & algum gado, & muytas aves; & voltaõ-se com algum vinho, azeyte, mel, louças, & adubos, & o dinheyro que podem.”.

In: Fruter (Açores)











A madeira de Criptoméria apresenta uma série de vantagens sobre o Pinheiro para a construção de colmeias, pelo menos no ambiente húmido do Arquipélago dos Açores. Segundo os apicultores da região, enquanto uma caixa de madeira de Pinheiro pouco mais dura que 4 ou 5 anos, a de Criptoméria pode chegar aos 20 anos ou mais. 

Por outro lado é muito mais leve o que só facilita o maneio.






A sua conservação é feita com um banho de parafina em fusão para impermeabilizar. Regista-se um único senão: madeira demasiado “mole” para resistir ao formão do apicultor sempre que queremos separar as alças ou a prancheta, podendo até abrir buracos. Para o evitar devemos executar tal tarefa com cuidado.












Denominação de Origem Protegida

Mel de néctar obtido principalmente a partir dos néctares de incenso e multifloral. Pode apresentar-se com características diferentes (em 2 variantes):

Mel de Incenso — mel de cor variável, indo de quase incolor a levemente amarelado, com odor delicado, perfumado, com sabor típico a incenso e com consistência fluida, resultante do néctar recolhido das flores da espécie Pittosporum Ondulattum Hort, que faz parte da flora espontânea e existe em todas as ilhas dos Açores. Este mel é produzido entre os meses de Janeiro e Abril e a cresta inicia-se em meados de Maio (tem que ser produzido logo após a conclusão da floração do incenso de modo a que não possa haver contaminação polinífera);

Mel Multifloral - mel de cor castanha escura, com sabor agradável e consistência fluida, obtido da mistura de néctares de várias espécies de flores, nomeadamente de fruteiras tradicionais (pomóideas, prunóideas, castanheiro e citrinos), fruteiras sub-tropicais (bananeira, abacateiro, goiabeira, araçaleiro, physalis e maracujaleiro) e outras espécies (metrozidero, camélia, jarro, conteira, hortência, azália, eucalipto, malvão, alecrim, erva azeda, fava, etc.) que é produzido de Janeiro a Dezembro, efectuando-se a cresta de Março a Outubro.

Na cresta deixa-se sempre um pouco de mel para ajudar a sobrevivência das colmeias. Os quadros são desoperculados à faca, sendo seguidamente centrifugados. O mel é deixado em repouso em estufa à temperatura da colmeia, sofrendo ao fim de alguns dias uma bombagem superficial para retirar as impurezas sobrenadantes.


Apresentam-se comercialmente acondicionados em embalagens de vidro branco de 9,5 a 12,5 cm e peso entre 250 2 500 g. Estes frascos são embalados em caixas de cartão de dimensões adequadas para acondicionar 24 ou 48 frascos.

O mel de incenso é quase um ex libris dos Açores, sobretudo da Ilha do Pico, embora S. Miguel também o produza em quantidade apreciável.

A produção de mel de incenso está calculada em cerca de 40 ton/ano. Produzido na área geográfica constante do Despacho SRAP/94/3 do Secretário Regional de Agricultura e Pescas da Região Autónoma dos Açores. Reconhecida a Denominação de Origem pelo Despacho acima referido. O estatuto de Organismo privado de Controlo e Certificação foi reconhecido à Comissão Técnica para a Certificação (IAMA) pelo Despacho Normativo nº 259/93, de 30-12 da SRAP.

Registada e protegida a Denominação de Origem pelo Regulamento (CE) nº 1107/96, de 12-06.