quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A Cruz Vermelha Portuguesa





A Cruz Vermelha Portuguesa
(Breve história da sua origem)


A Cruz Vermelha Portuguesa foi criada em 11 de Fevereiro de 1865, pelo médico militar José António Marques que, no ano anterior, tinha representado o Rei D. Luís I na conferência internacional que deu origem à I Convenção de Genebra.





Ao longo da sua história a Cruz vermelha Portuguesa prestou auxílio em todas as guerras e grandes catástrofes que Portugal esteve envolvido. Prestou também auxílio internacional em situações de catástrofes e guerras no estrangeiro. A 15 de Novembro de 1982 foi feita Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique.








Brasão de Armas

O modelo de Brasão de Armas da Cruz Vermelha Portuguesa – aprovado pelo Governo da República Portuguesa, nos termos da alínea e) do n.º2 do artigo 44.º da Lei n.º29/82, de 11 de Dezembro – tem a seguinte descrição heráldica
“Escudo de prata, uma cruz solta de vermelho; chefe de azul carregado com cinco besantes de prata postos em sautor entre dois castelos de oiros abertos e iluminados a vermelho; Elmo de grades, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra Correia de vermelho perfilada a oiro; Paquife e virol de prata e de vermelho.”

Condecorações: circundado o escudo o colar de grande-oficial da Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Divisa: num listel de branco, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir, “Humanidade e Neutralidade”.

Simbologia e alusão das peças

A cruz e campo representam o símbolo universal da Cruz Vermelha; a cruz é composta por cinco quadrados iguais.
Os besantes – com a sua disposição em 2, 1, 2 – representam as cinco quinas da bandeira nacional.
Os castelos, símbolo de protecção, enquadram-se num dos Princípios Fundamentais da Cruz Vermelha – a Humanidade – nascido da preocupação de defender a vida, a saúde e o respeito pela pessoa humana.
O golfinho, pelo seu comportamento típico de auxílio a outros golfinhos feridos ou em dificuldade, simboliza a permanente disponibilidade para a participação em acções de socorro com vista a minimizar o sofrimento humano.
A divisa “Humanidade e Neutralidade” foi extraída dos sete Princípios Fundamentais da Cruz Vermelha, por serem considerados os que melhor caracterizam a sua actuação e reconhecimento formal dos Estados pela sua neutral capacidade de agir entre beligerantes.
A “Torre e Espada” representa a mais alta condecoração portuguesa com que foi distinguida a Cruz Vermelha Portuguesa na Primeira Guerra Mundial em resultado do apoio prestado aos soldados portugueses.
Os esmaltes significam:
  • O ouro – a firmeza e sofrimento.
  • A prata – a humildade.
  • O vermelho – a caridade e o ânimo.
  • O azul – o zelo e a lealdade.


Dr. José António Marques
José António Marques nasceu em Lisboa em 29 de Janeiro de 1822 e faleceu nesta cidade a 8 de Novembro de 1884. Era filho de António Emídio Marques e Catarina d’Assunção Marques.

Concluiu o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa aos 20 anos. Em 1842, por decreto de Agosto deste ano, foi nomeado cirurgião-ajudante e colocado no Batalhão de Caçadores n.º 30.


Subiu os vários estágios da carreira militar, sendo, em 1851, graduado ao posto de Cirurgião de Brigada.


Destacou-se não só na sua vida militar, onde desempenhou lugares de destaque na Repartição de Saúde do Estado Maior General e no Ministério da Guerra, mas igualmente como jornalista – tendo sido um dos colaboradores de uma publicação altamente científica O Jornal dos Facultativos Militares. Escholiaste Médico –, e na carreira médica civil.


É autor de inúmeros trabalhos científicos. A sua memória Aperçu historique de l'ophtalmie militaire portugaise, apresentada no congresso de oftalmologia, em Bruxelas, em 1857, conferiu-lhe os títulos de Doutor em Medicina e Doutor em Cirurgia, concedidos pela Universidade de Bruxelas.



Representou Portugal em diversos congressos da especialidade de
oftalmologia.



Por nomeação do Rei D.Luís I representou Portugal na Conferência

Internacional realizada em Agosto de 1864, em Genebra, com a finalidade de se deliberar sobre a neutralização "das ambulâncias e dos hospitais, assim como do pessoal sanitário, das pessoas que socorressem os feridos e dos próprios feridos no tempo de guerra.”

Portugal, por intermédio de José António Marques, foi um dos doze países que assinou a I Convenção de Genebra de 22 de Agosto de 1864, destinada a melhorar a sorte dos militares feridos dos exércitos em campanha.


Regressado a Portugal, este médico organizou, em 11 de Fevereiro de 1865, a "Comissão Portuguesa de Socorros a Feridos e Doentes Militares em Tempo de Guerra", primitiva designação da Cruz Vermelha Portuguesa.


Pelos serviços prestados ao país e ao Exército foram conferidas a este célebre médico, fundador e primeiro Secretário-Geral da Cruz Vermelha Portuguesa, várias condecorações de que se destacam a Comenda da Ordem de S. Bento de Aviz, Grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Cavaleiro das Ordens de Leopoldo da Bélgica e de Carlos III de Espanha.



Jean-Henri Dunnant
O Fundador



Jean-Henri Dunant (Genebra, 8 de Maio de 1828 - Heiden, Suíça, 30 de Outubro de 1910), co-fundador da Cruz Vermelha Internacional. Também era conhecido nos países lusófonos pelo nome aportuguesado de João Henrique Dunant.

Recebeu o primeiro Nobel de Paz em 1901, juntamente com Frédéric Passy.


Foi o primeiro filho de Antoinette Dunant-Colladon e seu marido, o comerciante Jean-Jacques Dunant; ambos calvinistas devotos. A casa da família ficava localizada na rua Verdaine, 12, em Genebra. Os pais de Henri possuíam grande influência na cidade e estavam engajados na vida política e social. Seu pai era membro do Conseil Représentatif, um dos ex-ramos legislativos da cidade de Genebra, e cuidava de órfãos e ex-reclusos. Já sua mãe era filha de Henri Colladon, chefe do Hospital de Genebra e prefeito de Avully.

Ela trabalhava no setor de caridade, especialmente com pobres e doentes. Um dos tios maternos de Henri foi o físico Jean-Daniel Colladon. As atividades de caridade dos pais foram refletidas na educação dos seus filhos: eles incentivaram a responsabilidade social desde cedo em Henry Dunant, e em suas duas irmãs e dois irmãos. Uma experiência marcante para Henry Dunant foi uma viagem com seu pai para Toulon, onde ele teve que testemunhar a tortura de prisioneiros numa cozinha.


Inicialmente um homem de negócios, foi representante de uma companhia genovesa. Enfrentando alguns problemas no que diz respeito à exploração das terras e numa tentativa de solução desses mesmos problemas, decidiu dirigir-se pessoalmente ao imperador francês Napoleão III, que na época se encontrava em Itália dirigindo o exército francês que juntamente com os italianos tentava expulsar os austríacos do território italiano.


Ao presenciar o sofrimento na frente de combate na Batalha de Solferino em 1859, Dunant organizou de imediato um serviço de primeiros socorros. Desta sua experiência resultou o livro Un souvenir de Solferino, publicado em 1862, onde sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda para apoiar os feridos em situações de guerra, e propunha a criação de uma organização internacional que permitisse melhorar as condições de vida e prestar auxílio às vítimas da guerra.


Em 1863, incitado por Gustave Moynier, e apoiado pelo Guilerme-Henri Dufour (o General Dufour) e os médicos Louis Appia e Théodore Maunoir - o chamado O Comité dos Cinco - criam o que chamava na altura 'omité international de secours aux blessés (Comité internacional de socorro aos feridos) reconhecida no ano seguinte pela Convenção de Genebra e o que viria a ser o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

De personalidade altruísta, Dunant não teve sorte nos seus negócios, acabando por se isolar em Heiden, na Suíça. Após adoecer, esteve internado no hospital desta vila Suíça, onde veio a falecer em 1910.

Entre outros prémios, Dunant recebeu de Portugal a Ordem de Cristo, em 1897.



Ordem de Cristo





Ordem do Infante Dom Henrique


Ordem Militar de Torre e Espada