domingo, 17 de setembro de 2017

Em Louvor do Divino

 




AS FESTAS DO ESPÍRITO SANTO NA TERCEIRA




2014-08-14 - Sobrescrito e carimbo comemorativos
do Bicentenário do Império de São Carlos



 










Império da Serreta - Terceira
Espírito Santo... Deus... Misericórdia..., assim reza o nosso povo.

          E é em louvor do Divino que vou explicar:




Império de São Sebastião - Terceira
Casa do Imperador, altar armado de cetins, lumes e flores, a coroa é feita em lata pobre, mas com a maior devoção do mundo está em destaque no cimo do altar.

À noite parentes e amigos rezam o terço, porque depois há lugar à folia numas quadras mal rimadas ao desafio ou num bailo armado onde nunca falta a chamarrita.

Ao lado tudo está pronto, porque no Domingo depois da missa todos se apressam não vá faltar lugar para comer umas sopas e saborear a alcatra bem regada com o vinho de cheiro que abundantemente circula de mão em mão em canjirão cheio e fresco.

As festas na Ilha Terceira iniciam-se no limiar do ano novo e terminam na noite de S. Silvestre.       



Império das Quatro Ribeiras
Praia da Vitória
O dia de Pentecostes é festejado popularmente em todas as Ilhas dos Açores, como sendo um dos mais importantes celebrados pelo mundo católico. Não há em todas as outras solenidades religiosas, como Natal e Páscoa, Corpo de Deus e Imaculada Conceição, o mesmo entusiasmo, a euforia, a mesma alegria comunicativa, que se regista no dia de Pentecostes e no da Santíssima Trindade sobretudo, na Terceira, os festejos populares do Espírito Santo, chegam a atingir o auge. Não sendo de uma solenidade religiosa levada a efeito na Igreja, é o povo que os promove reunindo-se, para tal fim em associações a que embora chamem irmandades, não se podem canonicamente considerar como tal por não, serem eretas, em igrejas ou capelas públicas.

É nisto, que está a maior prova da devoção pelo Espírito Santo por tais festejos não partirem da igreja, mas do povo que espontaneamente os promove, conservando assim uma tradição de séculos.





Império dos Quatro Cantos - Terceira
Como pródromo destas festas em Portugal, reportam-se os historiadores à confraria instituída por D. Isabel de Aragão, em Alenquer, a que chamaram Império, convocando no dia de Pentecostes do ano de 1296, clero, nobreza e povo, a tomarem parte nas solenidades religiosas realizadas quando da, sua inauguração. Deviam ser impressionantes todas as cerimônias realizadas nesse dia. De entre os pobres assistentes aos ofícios litúrgicos, realizados na capela real, convidou-se o mais pobre de entre eles a ocupar sobre o dossel da capela-mor, o lugar, do Rei, que lhe serviu de condestável e os áulicos de págens. Ali o pobre ajoelhou-se sobre rico almofadão destinado ao Rei e nessa postura o bispo do paço lhe colocou na cabeça a coroa real, enquanto, entoava o hino “Veni Creator Spiritus”.

Assim investido das insígnias reais, assistiu o pobre à celebração da missa, como igualmente assim se dirigiu depois ao paço real, onde lhe foi oferecido um lauto jantar servido pela Rainha.

“…  Tão tocante cerimônia encontrou eco nos fidalgos da corte, que, desejando seguir o exemplo da abnegada humildade dos seus soberanos, a quiseram pôr em prática. Com autorização do Monarca mandaram fazer coroas em tudo semelhantes à coroa do Rei, tendo no centro um medalhão com os símbolos da Santíssima Trindade, passando depois a fazer no dia de Pentecostes, cerimônias idênticas às do paço real …”

Foram precisamente essas coroas que os donatários das Ilhas dos Açores trouxeram para o Arquipélago, onde, no dia de Pentecostes passaram a usar o mesmo cerimonial iniciado na corte de D. Diniz e D. Isabel.

Presentemente as coroas já não são do mesmo tipo da época. Feitas de prata batida com relevo, assim como todo o seu conjunto, partem do largo aro, onde se vê uma pomba em relevo de asas abertas, quatro braços ou imperiais, que erguendo-se em forma convexa, se reúnem no topo, sustentando um globo sobre o qual se ergue uma cruz, ou pousa uma pomba em atitude de vôo. Quando a coroa não está na cabeça, o cetro é apoiado no aro, por entre os braços ou imperiais da coroa, descansando o todo sobre uma salva, ou seja, um prato liso de 

prata com cercadura lavrada, munida de um suporte, alargando na base, a que chamam o pé da salva e que serve para a apoiar com a coroa sobre o altar ou mesa. No lado detrás da coroa há um laço de largas fitas de seda branca, cujas pontas caiem, sobre as costas, quando a coroa está pousada na cabeça.



Coroação

Nestas Ilhas, a devoção dos fidalgos pelo Espírito Santo, passou ao povo, democratizando-se. Mas a tarefa era grande demais para um só e exigia o esforço de vários. Para a levar a cabo as populações dos diversos lugares e freguesias associaram-se, cada qual entre si, concorrendo com o seu óbolo, para que as festas do Espírito Santo em nada desmerecessem das dos fidalgos. Aqui e ali, fora de qualquer ação da Igreja, ergueram-se os impérios, espécies de capelas onde se colocam as coroas.




Os Foliões


Construídos a pedra e cal nos terreiros das freguesias, constam de uma pequena quadra de trinta metros quadrados, tendo ao centro uma porta e janela e no interior um altar com um trono. O frontispício, ergue-se em forma de ermida, cumulando com uma coroa de pedra e tem no tímpano uma pomba de pedra em relevo, com a legenda Glória ao Divino. Se a freguesia é muito dispersa e muito extensa há, por vezes mais de que um império, havendo freguesias em que se contam, dois, três e quatro impérios. Anexo ao império ou desviado dele, mas sempre nas proximidades, há a dispensa, edifício onde se arrecada o pão, a carne, o vinho e todos os utensílios do império. Junto à dispensa ergue-se um mastro ou mastaréu onde se iça uma bandeira em todos os domingos a partir do sábado, de Aleluia, até à segunda-feira seguinte ao domingo da Trindade. Estas bandeiras são de pano comum, geralmente branco e pintadas com ornamentos, que por via de regra, representam a pomba e a coroa




O Bodo no Posto Santo - Terceira
    
Nas freguesias rurais, os impérios constituem propriedades do povo desses aglomerados populacionais. Aos chefes das famílias e aos filhos varões de maior idade, compete a administração dos impérios, para os bodos e festejos a realizar nos domingos de Pentecostes e da Santíssima Trindade, havendo uma comissão para cada império.

As comissões administrativas compõem-se de um presidente e de cinco vogais. Ao primeiro dá-se o nome de Procurador e aos outros o de irmãos esmolares, mordomos ou governantes, consoante os lugares. O procurador de uma gerência futura é sempre nomeado por sorteio, segundo os nomes apresentados pelo procurador e irmãos esmoleres da gerência anterior.

 


Coroação na Rua da Sé

As coroas do Espírito Santo, há uma para cada Domingo, são sorteadas pelas casas da freguesia a título precário, cabendo aos efeitos terem uma delas em suas casas pelo espaço de oito dias no tempo que decorre desde o domingo de Páscoa até ao domingo da Santíssima Trindade. Ao chefe de família ou filho - "a quem saiu o Senhor Espírito Santo" - chamam então imperador. A este ato do sorteio chamam tirar os pelouros. O acontecimento é igualmente anunciado da porta do império em alta voz.

Terminado o período de estação da coroa numa casa, sempre num domingo depois do entardecer, o imperador, a quem toca a coroa no período seguinte, vai buscá-la, trazendo-a para casa acompanhado de um cortejo de homens e mulheres em duas alas, que seguem caminho cantando a Avé Maria.
Independentemente dos pelouros para o sorteio da coroa, há ainda o de outros cargos e encargos, que também são sorteados e anunciados, como, por exemplo, o mordomo do fogo e os seus onze companheiros, que têm a seu cuidado a aquisição dos foguetes e fogo de artifício; o encargo de se celebrar cinco missas por alma de qualquer pessoa ou pessoas à discrição do sorteado, o de concorrer para o bodo do ano seguinte com vinte pães. Todos estes pelouros são anunciados do portado império à assistência que circula em frente, gozando o arraial que se desenrola em frente no terreiro.



 
 
Fontes: Francisco Ferreira Drummond, in “Annaes da Ilha Terceira”
 
  www.portaldodivino.com


OS IMPÉRIOS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO NA ILHA TERCEIRA

Com as primeiras famílias de colonos que vieram habitar os Açores após a sua descoberta no século XV, vieram as tradições etnográficas, a religiosidade, as crenças e um conjunto de factores que devido à insularidade das ilhas não permitiu grandes alterações até aos nossos dias.




                      Império do Outeiro
    Conceição, Angra do Heroísmo (1670)
Trata-se do Império mais antigo da Ilha Terceira
 e quiçá um dos primeiros, senão o primeiro,
a ser construído nos Açores.


Neste parâmetro temos o Culto ao Divino Espírito Santo com muito poucas alterações desde esses tempos remotos. No presente, onde as ligações por barco e mais destacadamente por meio dos aviões, entre a Europa ou Américas com os Açores, não levou o povo açoriano a abandonar, como aconteceu no Continente ao longo dos séculos, esta crença e devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que foi iniciada, segundo a lenda, nos tempos da Rainha Santa Isabel, esposa do nosso Rei D. Dinis. Os açorianos souberam sempre manter bem viva esta chama na devoção ao Divino.










Mas se olharmos pela Diáspora açoriana temos a prova da preservação deste Culto dos Açores mesmo daqueles que, no século XVII, emigraram para outras terras à procura de melhor futuro. Assim, por exemplo mais marcante, no Estado de Santa Catarina, no sul do Brasil, existem cidades onde as maiores festividades estão ligadas ao Divino Espirito Santo, e muitas delas, como São José de Terra Firme, não existe diferença alguma com as que são realizadas nos Açores. Tudo, mesmo tudo, é uma cópia viva das que se realizam, nos nossos dias, por todas as ilhas açorianas, das quais destacamos as coroações, os estandartes, o Bolo de Leite, as filarmónicas, o cantar de porta em porta (por muitos conhecido por Pezinho) e outras tradições que não se diluiriam com o passar de mais de três séculos. Nos Estados Unidos da América do Norte onde as gentes açorianas se fixaram há mais de cem anos, tanto no Estado da Califórnia como na Nova Inglaterra, realizam-se por toda a parte, onde há açorianos, as festas em devoção ao culto do Divino Espirito Santo, sendo no presente a maior manifestação de fé fora do espaço físico da Região dos Açores, e que se realizam na cidade de Fall River, em Massachussets, onde anualmente se concentram mais de 150 mil devotos vindos, na sua maioria vindos, de cidades e vilas daqueles Estados à beira do Atlântico (Massachusets, Rhode Island, Connecticut, New Jersey, New York, New Humpshire e até do Canadá, principalmente das Provinciais do Ontário, Manitoba e Quebec).




Império de São Carlos
Terceira
Mas voltando aos Açores queremos dizer que em todo o arquipélago é na ilha Terceira onde as festas de devoção ao Divino Espirito Santo toma proporções maiores, tão grandes que tomamos a liberdade de afirmar que é, na prática, a continuação das celebrações da Páscoa, com o seu auge no Dia de Pentecostes onde se celebra em dois Domingos de Bodo, e do ressuscitar de Jesus, com a descida do Espirito Santo sobre os apóstolos. No entanto, em muitas freguesias daquela ilha, esta festividade é estendida para outros dias do ano.

Desde a povoação dos Açores, por gente do reino, após a sua descoberta pelos navegadores portugueses, que o Culto ao Divino foi a principal fonte da crença religiosa cristã até porque os cataclismos, na forma de terramotos e actividade vulcânica que se fazia sentir periodicamente, incutia o temor nas populações pelo que estas se refugiavam na fé e nas orações ao Divino Espirito Santo para desta forma obter a clemência do Criador e assim serem poupados da destruição e da morte.





Altar em Louvor do Divino
Por todas as ilhas existem pequenas capelas, na sua maioria na vizinhança das igrejas, onde os seus interiores são decorados sobriamente com um altar coberto por cetim imaculadamente branco e com flores frescas e aromáticas onde se encontra uma coroa de prata e ceptro que simboliza o poder da Trindade.






Mas é na ilha Terceira onde existe a maior
quantidade de Impérios, cerca de 70 se não estamos errados, com algumas freguesias com dois e três, como é, neste ultimo caso, a Ribeirinha. Todos estes Impérios começaram a ser edificados nos fins do século XVII e hoje quase na totalidade são de pedra ou bloco, materiais que substituíram os mais antigos então edificados em madeira dando-lhe uma maior consistência e segurança.

Também há algo que diferencia estes Impérios dos outros espalhados pelas restantes ilhas, pela pintura das paredes exteriores, de cores garridas e terem, todos eles, apenas duas janelas e uma porta na fachada principal sobre a qual se encontra normalmente uma coroa embora os haja com uma pomba, o símbolo do Espírito Santo.


 
 
 
 
 

Normalmente a área do interior não ultrapassa os 30 metros quadrados e muitos destes Impérios têm outra pequena adição, chamada de dispensa, onde é armazenado o pão, a carne e o vinho bem como outros materiais relevantes para os festejos.


Fonte: Carlos Morgadinho 








Arroz Doce
Em Louvor do Divino






Festas do Espírito Santo nos Açores





A Simbologia da Coroa do Espírito Santo

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Biodiversidade Açoriana





BIODIVERSIDADE NOS AÇORES


O conceito de Biodiversidade inclui a variabilidade entre os organismos vivos, incluindo os ecossistemas, e ainda a diversidade dentro de cada espécie, bem como a diversidade genética e alélica. Em julho de 2008, estavam classificados nos Açores 23 SIC (sítios de importância comunitária) e 15 ZPE (zonas de proteção especial). A Crista Média-Atlântica (CMA) atravessa o arquipélago entre as ilhas do Grupo Central e do Grupo Ocidental. As ilhas Graciosa, das Flores e do Corvo foram classificadas pela UNESCO como Reserva da Biosfera.



Biodiversidade terrestre

No arquipélago ocorrem cerca de 227 espécies de aves, 33 das quais nidificam anualmente nas ilhas, sendo um terço aves endémicas. Das espécies de avifauna mais importantes se destaca o priolo (Pyrrhula murina), uma ave terrestre rara, endémica dos Açores em perigo de extinção, cujo habitat se confina à Floresta Laurissilva existente no nordeste da Ilha de São Miguel. Esta espécie foi muito abundante no século XX, chegando a ser uma praga para a fruticultura.


O painho-das-tempestades-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi) é uma ave marinha endémica presente no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, na Ilha Graciosa. Assume particular importância o cagarro (Calonectris diomedea borealis), em que 65% da população mundial se reproduz nos Açores e o garajau-rosado (Sterna Dougallii), em que cerca de 59% da população europeia escolhe as ilhas para nidificar.

A águia-de-asa-redonda (Buteo buteo ssp. rothschildi) é única ave rapina presente em todo o arquipélago, com excepção das ilhas do Grupo Ocidental. É vulgarmente chamada de milhafre dos Açores. Em rigor, não é um milhafre (Milvus migrans) ou um açor (Accipiter gentilis). Na Ilha Terceira, é chamada de "Queimado".

O morcego-dos-açores (Nyctalus azoreum) é o único mamífero terrestre endémico dos Açores.


Espéceis infestantes

As espécies invasoras provocam grandes danos nos ecossistemas e meios urbanos e são já a segunda maior causa de extinção de espécies a nível mundial a seguir à perda de habitat.

Estão presentes três espécies de roedores - vulgarmente designados de ratos: ratazana preta ou rato de quinta (Rattus rattus), ratazana castanha ou rato de esgoto (Rattus norvegicus) e murganho ou rato doméstico (Mus musculus). A sua presença causa importantes prejuizos na produtividade agricola e pecuária e são uma ameçaça à avifauna. Estima-se que mas de 50% dos ratos das ilhas de São Miguel e Terceira são portadores da batéria Leptospirose. Esta infeção, por vezes fatal, afeta os profissionais do setor agro-pecuário.

O escaravelho japonês (Popillia japonica Newman) é um inseto introduzido acidentalmente na Ilha Terceira a partir dos EUA, muito provavelmente através da Base das Lajes. Foi identificado pela primeira vez em 1970. O inseto foi detetado na Ilha de Faial em 1996, na altura confinado apenas ao Monte da Guia, mas rapidamente se alastrou na ilha. Foi detetado nas ilhas de São Miguel (numa área restrita) em 2003, do Pico em 2006 e das Flores (no cais das Lajes das Flores) de 2007.


Atualmente, são conhecidas três espécies de térmitas nos Açores: a térmita de madeira húmida (Kalotermes flavicollis), a térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) e a térmita subterrânea (Reticulitermes grassei). A térmita de madeira seca constitui atualmente a praga urbana mais preocupante nos Açores, com impatos económicos e patrimoniais. Na cidade da Horta, poderá encontrar térmitas subterrâneas. As térmitas devoram todos os tipos de madeira, mas as menos afetadas são as madeiras mais duras. Têm suscitado uma preocupação considerável junto dos cidadãos e da comunidade científica. A sua deteção oficial só se deu em 2002, quando a praga já ocupava extensas áreas das cidades de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta. Prevê-se que nas próximas décadas, elas possam invadir outras ilhas do arquipélago. Foi encontrado um percevejo californiano (Belonochilus numenius Say) na zona do Monte Brasil, na Ilha Terceira. Em alguns casos reportados, se pode transformar numa praga. Aconselham uma elevada atenção à existência desta espécie em árvores ornamentais usadas em parques e em zonas urbanas das cidades.


A proliferação de espécies vegetais invasoras, mais do que a utilização dos solos, é a maior ameaça atual à biodiversidade nos Açores. No que respeita à flora exótica, é de salientar que a hortênsia (Hydrangea macrophylla) assume na Ilha das Flores um papel de invasora de relevo, ao contrário das restantes ilhas onde a dispersão desta espécie se encontra mais ou menos controlada, sendo a conteira ou roca-da-velha (Hedychium gardnerarum Sheppard) e o incenso (Pittosporum umdulatum) que assume o papel de invasoras mais importantes, ocupando já grandes áreas nas ilhas mais populosas do arquipélago, com especial destaque para Ilha de São Miguel. Nos últimos anos, há uma preocupação crescente com uma nova invasora evadida dos quintais e jardins, o gigante (Gunnera tinctoria) originária do Brasil. Esta está a expandir rapidamente na Ilha de São Miguel.

Estas espécies causam grandes dificuldades às plantas endémicas, devido ao seu grande desenvolvimento e competitividade. A perda de floresta endémica compromete também as espécies animais que dela dependem.

Em 2002, no porto da Horta, Ilha do Faial, foi descoberta a alga infestante caulerpa webbiana.

No litoral, a floresta laurissilva é composta principalmente por espécies como o Pau-branco (Picconia azorica) e a Faia-da-terra (Myrica faya). Após a faixa litoral, encontramos uma laurissilva termófila cujos representantes, para além do Pau-branco e Faia-da-terra, são ainda o Louro-das-ilhas (Laurus azorica), a Ginja-do-mato (Prunus azorica), o Folhado (Viburnum tinus ssp. subcordatum) e o Sanguinho (Frangula azorica). Por último, encontramos uma laurissilva de altitude a qual, para além do Louro-das-ilhas, é caraterizada pela presença do Azevinho (Ilex perado ssp. azorica). As espécies endémicas são aquelas que ocorrem apenas no arquipélago devido a processos de especiação - Neo-endemismos - ou extinção de populações noutros locais onde também ocorriam - Paleo-endemismos.

O primeiro caracol endémico foi encontrado nos Açores em 1845. Lagartixa (Lacerta dugesii)

Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica)

São fauna cinegética açoriana: coelho (Oryctolagus cunniculus), codorniz (Coturnix coturnix conturbans Hartert), galinhola (Scolopax rusticola), narceja (Gallinago gallinago), perdiz-vermelha (Alectoris rufa), patos, Pombo-das-rochas (Columba livia atlantis).

Biodiversidade marinha



Além das reservas da biosfera, o arquipélago dos Açores possui áreas classificadas e reconhecidas internacionalmente por razões ambientais e cientificas com o estatuto de Rede Natura 2000, Património Natural da Humanidade, Áreas RAMSAR e Áreas Marinhas Protegidas ao abrigo da Convenção OSPAR, e outras de âmbito nacional e internacional.

Grande variedade de espécies, quer de algas, corais de profundidade, invertebrados e peixes.
peixes pelágicos e/ou demersais


O mar dos Açores apresentam uma grande diversidade de espécies de cetáceos (ao todo 23 espécies), cuja frequência varia sazonalmente. Devido à ausência de plataforma continental é possível ver espécies pelágicas (), que em outras regiões não se aproximam tanto da costa. Durante os meses de Verão, as ilhas são uma região privilegiada para a sua observação e investigação cientifica.

O Espaço Talassa comprovou a existência de 4 espécies de cetáceos nos Açores, que não estavam incluídas na lista de espécies oficiais. São a Baleia de Bryde (Balaenoptera edeni), a Baleia piloto de barbatanas compridas (Globicephala melaena), a Baleia de bico de Blainville (Mesoplodon densirostris) e o Golfinho de Fraser (Lagenodelphis hosei). No dia 5 de janeiro de 2009, é observada uma Baleia-franca boreal (Eubalaena glacialis). Este é o primeiro registo confirmado nos Açores desde 1888, ano em que o último exemplar desta espécie foi capturado. Durante 121 anos decorridos entre estas duas ocorrências, existem apenas três observações não confirmadas da espécie, todas elas na primeira metade do século XX.

Estão registadas 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. O tubarão-baleia (Rhincodon typus) foi avistado ao largo da Ilha de Santa Maria. Vive habitualmente em oceanos quentes e de clima tropical, é a maior das espécies de tubarão e o maior peixe conhecido. Nos Açores, é também conhecido como Pintado, em virtude do seu dorso estar repleto de pequenas manchas esbranquiçadas.


De entre as espéceis marinhas costeiras consideradas perigosas, temos a caravela-portuguesa (Physalia physalis) e peixe-aranha (Echiichthys vipera).

Investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç) identificaram e capturaram três exemplares do abadejo-cometa (Benthocometes robustus) que, até agora, não estava referenciada no arquipélago. A sua presença nunca tinha sido confirmada nos mares dos Açores, embora alguns estudos efetuados em 1993 e 1997 tivessem assinalado como duvidosa a sua presença.

Registaram-se 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. A diversidade entre estas espécies é extrema, variando desde o pequeno Tubarão-anão até ao Tubarão-baleia. De um modo geral, podemos dividir os tubarões dos Açores em dois grandes grupos: espécies pelágicas e de profundidade.


Grande-tubarão-branco (Carcharodon carcharias) Tubarão-mako ou Rinquim (Isurus oxyrhinchus) Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvieri) Tubarão-touro (Carcharhinus leucas) Tubarão-de-pontas-brancas-oceânico (Carcharhinus longimanus) Tubarão-azul ou Tintureira (Prionace glauca)


Outras espécies das ilhas que mesmo não sendo endémicas estão presentes de forma constante: águia de asa-redonda (Buteo buteo rothschildi), garajau-comum (Sterna hirundo), tentilhão (Fringilla coelebs moreletti).

Ao nível das espécies foi realçada a ocorrência da toninha-brava (Tursiops truncatus) e da tartaruga-careta (Caretta caretta).

Floresta Laurissilva


Desde o ínicio do povoamento das ilhas, os Açores sofreram uma grande desforestação. A presença da Floresta Laurissilva é atualmente residual, se encontrando em manchas isoladas em todas as ilhas, sendo as maiores e mais significativas na Ilha do Pico (no Planalto Central e reserva florestal do Caveiro), na Ilha Terceira (na Serra de Santa Bárbara) e no nordeste da Ilha de São Miguel.

O ecossistema florestal com árvores de grande porte maioritariamente lauráceas - loureiro das ilhas (Laurus azorica), o vinhático e o barbusano - um autêntica relíquia viva com origem na Era Terciária.

É enorme importância nos ecossistemas oceânicos os montes submarinos (64 de grandes dimensões e 398 de menores dimensões) e as fontes hidrotermais de grande profundidade - atualmente cinco.

Os Açores têm apenas 31,8% do seu território florestado, isto é, 74,7 mil hectares. De acordo com os últimos dados das Estatísticas Agrícolas 2010, do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é um valor que está abaixo da média nacional (que é de 38,7%) e da Madeira (que atinge os 42,4%). Segundo INE, a região têm apenas 10,9% do território tem floresta natural, enquanto que na Madeira isso representa 20,15% do território. Segundo o Inventário Florestal da Região, realizado em 2007 pela Direção Regional dos Recursos Florestais (DRRF), com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG), dá 71,5 mil hectares de área florestada. Isso que reduz a área para 30% do total. E onde o INE refere 25,4 mil hectares de floresta natural, o IFR dá 22,9 mil, reduzindo-a para 9,9%.
A Ilha do Corvo é a ilha com menor espaço florestado - apenas 2,89% - enquanto que a ilha das Flores é a que tem maior espaço florestado (49,3%). Em relação à floresta natural, é de novo o Corvo com o menor espaço (apenas 0,8%), enquanto que São Jorge é que tem a maior mancha de floresta natural (17,24%).

Em termos dos espaços florestais - o total florestado menos os espaços naturais, a espécie com maior predominância é o incenso, uma planta invasora sem utilidade comercial e que impede o desenvolvimento de outras plantas na sua proximidade. Muito utilizada antigamente como sebe viva no interior das quintas (com predominância para os laranjais), acabou por ser a mais significativa espécie florestal dos Açores. O incenso ocupa 49,25% da área florestada açoriana, o que é dramatico. Para se ter uma ideia, a criptoméria japónica, que é a segunda espécie mais importante e dá às ilhas o seu estilo florestal, ocupa apenas 25,5% da área florestada.


As situações mais graves ocorrem precisamente nas ilhas onde há mais área florestada – o que lhes retira boa parte da importância. Na Ilha dss Flores, 72,67% é incenso, e na Ilha do Pico, 78,4% é imenso. Na Ilha do Corvo, esse valor atinge os 79,5%. Na Ilha de São Miguel representa apenas 23,2% da sua área florestal – o que representa apenas 15% do total.




Hidrotermalismo de grande profundidade


Atualmente, são conhecidas cinco fontes hidrotermais de grande profundidade (Lucky Strike, descoberta em 1992, Menez Gwen, em 1994, Rainbow, em 1997, Saldanha, em 1998 e Ewan, em 2006), todas elas localizadas a sul do arquipélago açoriano, e a serem alvo de estudos científicos.

Duas das fontes hidrotermais – "Menez Gwen", com uma área de cerca de 10 mil hectares, e "Lucky Strike", com mais de 19 mil hectares – foram classificadas de Sítios de Interesse Comunitário (SIC) da região biogeográfica da Macaronésia, mercê do elevado interesse científico de que se revestem, designadamente na área do estudo da biodiversidade marinha de grande profundidade.

Localizados entre 140 e 180 milhas a sudoeste da Ilha do Faial, os dois campos hidrotermais encontram-se entre os 800 e os 1700 metros de profundidade, expelindo fluidos que chegam a ultrapassar os 330 graus Celsius de temperatura, o que não impede a proliferação, nas respetivas áreas, de inúmeras formas de vida.

A fonte hidrotermal "Rainbow", com uma área de cerca de 2 215 hectares, situa-se a uma profundidade de 2 300 metros e a 40 milhas para além do limite da Zona Económica Exclusiva (ZEE), embora dentro da área de alargamento da plataforma continental portuguesa (EMEPC). A 5 de agosto de 2007, a Comissão Internacional Oslo-Paris (OSPAR) aceitou a jurisdição de Portugal sobre a fonte hidrotermal Rainbow.


Maravilhas naturais dos Açores


  • Floresta Laurisilva da Serra da Tronqueira, Nordeste
  • Gruta do Carvão, Ponta Delgada
  • Lagoa do Vulcão do Fogo
  • Lagoa das Furnas e Parque Botânico Terra Nostra
  • Área Portegida das Sete Cidades - uma das 7 Maravilhas de Portugal (zona aquática não-marinha)
  • Caldeira Velha (MNR), Ribeira Grande
  • Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico - uma das 7 Maravilhas de Portugal (grandes relevos)
  • Gruta das Torres (MNR)
  • Fajã de Santo Cristo, Ilha de São Jorge
  • Centro Histórico de Angra do Heroísmo - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Algar do Carvão (MNR)
  • Paisagem Portegida do Monte Brasil, Angra do Heroísmo
  • Rocha dos Bordões (MNR), Ilha das Flores
  • Ilha das Flores - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha do Corvo - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha Graciosa - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Caldeira da Graciosa (MNR)
  • Furna do Enxofre (MNR)
  • Pedreira do Campo (MNR), Ilha de Santa Maria
  • Paisagem Portegida do Monte da Guia
  • Caldeira do Faial (RN)
  • Vulcão dos Capelinhos, Ilha do Faial

Blocos Filatélicos 





















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