sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sociedade de Geografia de Lisboa





A Sociedade de Geografia de Lisboa é uma sociedade científica criada em Lisboa no ano de 1875 com o objectivo de em Portugal promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas. A Sociedade foi criada no contexto do movimento europeu de exploração e colonização, dando na sua actividade, desde o início, particular ênfase à exploração do continente africano.

História institucional

A 10 de Novembro de 1875, um grupo de 74 subscritores requereu ao rei D. Luís, a criação de uma sociedade, a designar por Sociedade de Geografia de Lisboa, tendo como objectivo promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas, no país.

Entre os subscritores constavam-se António Augusto Teixeira de Vasconcelos, António Enes, Eduardo Coelho, Luciano Cordeiro, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, Sousa Martins, António cândido de Figueiredo, António Lino Netto e Teófilo Braga, entre muitos outros intelectuais, jornalistas e políticos da época.

A Sociedade propunha-se realizar sessões, conferências, prelecções, cursos livres, concursos e congressos científicos e conceder subsídios de investigação destinados a viagens de exploração e investigação científica. As informações obtidas seriam publicadas e disseminadas em arquivos, bibliotecas e museus. Propunha-se ainda estabelecer relações permanentes com outras instituições europeias com as quais pudesse trocar informações e colaborações.

A partir de Dezembro de 1876 a Sociedade iniciou a publicação do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, que ainda subsiste.

Embora a actuação da Sociedade não tivesse como escopo exclusivo o continente africano, nos primeiros anos da sua existência foi criada a Comissão Nacional Portuguesa de Exploração e Civilização da África, mais conhecida por Comissão de África, com o objectivo de apoiar cientificamente o esforço colonial português em África, particularmente no contexto da crescente competição europeia na apropriação de territórios naquele continente.

A 3 de Abril de 1928 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, a 8 de Maio de 1935 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Império Colonial, a 24 de Novembro de 1950 foi galardoada com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a 12 de Junho de 1957 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem do Império, a 25 de Março de 1964 foi feita Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique e a 17 de Junho de 1983 foi feita Membro-Honorário da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.


domingo, 15 de janeiro de 2017

Touradas à Corda na Terceira





Touradas à Corda na Terceira
    (Detalhes de uma Tradição)


1904 - Bilhete Postal circulado de Angra para a Alemanha
Tourada à corda na Ladeira de São Bento.



1904 - Bilhete Postal circulado de Angra para França
Tourada à corda no Largo de São Bento


 
As touradas à corda têm início a partir de Maio e estendem-se até ao mês de Outubro tendo lugar em várias localidades da Ilha.


No que respeita à sua origem, alguns historiadores são da opinião que foram um gosto herdado dos castelhanos, quando por cá andaram no período da dominação filipina.





Na Tourada à Corda, o toiro é amarrado pelo pescoço com uma corda (razão que lhe dá o nome) antigamente feita de sisal e hoje em dia feita de nylon. A corda tem cerca de 85 a 90 metros, espessura de 1 polegada e ¾, formando na extremidade inferior uma pequena argola de 6 a 10 centímetros de diâmetro, chamada bolsa ou nó. Esta argola destina-se a ser enfiada no gancho da gaiola, impedindo que o toiro ao ser recolhido apanhe os pastores desprevenidos.

Na corda usam-se sempre 9 homens, chamados pastores, distribuídos da seguinte forma: atrás estão os cinco pastores da pancada ou da ponta da corda, sendo o do extremo denominado da bolsa ou nó e o da frente da pancada e aos restantes três intermédios.



A 35 ou a 40 metros do toiro, estão colocados os chamados pastores do meio da corda, sendo o da frente o mestre, precedido de 2 intermédios e por último o rodador, que tem por missão puxar a corda para junto dos outros três e sempre que necessário, dar corda para virar e possibilitar ao mestre mudar de lado.  

 

O mestre da corda orienta toda a manobra, transmitindo por sinais, quase imperceptíveis, ao pastor da pancada, as suas ordens, dependendo muitas vezes desse silencioso entendimento o êxito das corridas.



São os pastores do meio da corda que manobram o toiro de forma a evitar que salte a lugares com pessoas, nomeadamente mulheres e crianças, obstando situações catastróficas, ou pelo contrário, procuram alcançar algum toureiro improvisado que em rasgo de intencional ousadia ouse desfeitear o matuto, pondo em perigo os brios da ganaderia.

            

Os pastores trajam camisolas de linho branco, calças de cotim cinzento e calçam sapatos de lona, tendo a cobrir-lhes a cabeça, chapéus tipo andaluz, também designados por chapéus à mazantini.




Antigamente vinham descalços e na cabeça usavam chapéus de feltro e aba larga e copa em forma cónica, originada por quatro amolgadelas.

O número de toiros corridos numa tourada à corda nunca excede os quatro, sendo o tempo de actuação de cada toiro de 20 a 30 minutos, havendo um intervalo no final do segundo, com as entradas e saídas assinaladas pelo estalar de um foguete, à excepção do último que ao ser recolhido é precedido de um girândola a marcar o final da tourada.

Antigamente, os toiros vinham para o local da corrida em manadas junto com as vacas bravas, designando-se vaca do sinal à que caminhava à frente e ao chegarem ao local da corrida davam entrada num recinto tapado com madeira, o chamava “touril”, armado à entrada de um caminho secundário (canada), onde aguardavam o momento de serem corridos.

No “touril” estava instalado o caixão, grande caixa construída em madeira, onde os toiros eram introduzidos para a embolação e amarração, operações que consistem, a primeira, em revestir as pontas dos chifres de uma protecção metálica, a terminar em bolas, ou numa espécie de copos revestidos de cabedal, enquanto a segunda como o seu nome indica, destinava-se a amarrar o toiro.

Actualmente, quando termina a tourada a comissão organizadora da tourada oferece um jantar aos pastores.

Hoje em dia, os toiros são transportados em camionetas, alojados em gaiolas, desapareceram os touris e os caixões, servindo as próprias gaiolas de caixões, sendo os toiros amarrados e embolados por uma abertura rasgada na parte superior da gaiola, onde uma tranca atravessada não os deixa atingir o nível superior da referida abertura.

Uma corda, passada por baixo do pescoço do toiro, é puxada de encontro à tranca imobilizando-lhe a cabeça, de forma a permitir que ele seja trabalhado sem risco algum.

A tourada à corda é um espectáculo alegre, onde centenas de homens descontraídos desfilam mirando balcões, muros e janelas das mais belas raparigas das freguesias.
Explode o foguete e toda agente dispersa-se à frente do toiro, numa correria louca, desenfreada.

Surge, então, um afoito capinha, (nome que lhe é atribuído, pois antigamente o artista tauromáquico tinha esta designação por usar o capote – também conhecido por capa – e desta forma por, por analogia, passou-se a designar de “capinhas” aos indivíduos que nas touradas à corda brincam com os toiros) que vão lidando o toiro, o que não é tão fácil como parece, pois requer, para além de muita agilidade, uma certa habilidade e sobretudo muita prática, havendo muitas vezes, um entendimento táctico entre dois capinhas.

Da habilidade e intencionalidade de alguns capinhas, depende, muitas vezes, o êxito ou o fracasso de uma ganadaria.

A tourada à corda é um espectáculo alegre, onde centenas de homens descontraídos desfilam mirando balcões, muros e janelas das mais belas raparigas das freguesias.
Explode o foguete e toda agente dispersa-se à frente do toiro, numa correria louca, desenfreada.


Surge, então, um afoito capinha, (nome que lhe é atribuído, pois antigamente o artista tauromáquico tinha esta designação por usar o capote – também conhecido por capa – e desta forma por, por analogia, passou-se a designar de “capinhas” aos indivíduos que nas touradas à corda brincam com os toiros) que vão lidando o toiro, o que não é tão fácil como parece, pois requer, para além de muita agilidade, uma certa habilidade e sobretudo muita prática, havendo muitas vezes, um entendimento táctico entre dois capinhas.

Da habilidade e intencionalidade de alguns capinhas, depende, muitas vezes, o êxito ou o fracasso de uma ganadaria.

Como boa festa terceirense não podiam faltar os “comes e bebes”. Para tal, existem as chamadas tascas. A tasca é um estabelecimento improvisado, característico das nossas touradas à corda que, antigamente, eram armadas num cerrado, nos baixos de uma casa ou prédio. Hoje em dia, as tascas são em pequenas carrinhas, para se poderem mover, ou seja, para irem a diversas touradas.


As iguarias que lá se podem encontrar vão desde:

·         Favas Escoadas;
·         Favas de Molho de Unha;
·         Chicharros e Cavala de Molho Cru;
·         Caranguejos Cozidos;
·         Ovos Cozidos;
·         Lapas;
·         Cracas;
·         Linguiça frita.






Para finalizar comemora-se o quinto toiro na casa de algum amigo ou familiar, onde os petiscos, a boa disposição e o clima festivo da tourada continuam a reinar.




Texto de Isabel Fagundes in: Açores - Quiosques de Turismo







quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ferreira Drummond (1796-1858)


FRANCISCO FERREIRA DRUMMOND

Edificada em 1455



Brasão de Armas
da família Drummond
Francisco Ferreira Drummond nasceu na vila de S. Sebastião (Terceira), a 21 de Janeiro de 1796, tendo sido baptizado, na respectiva Matriz, a 27 desse mesmo mês.

Era filho de Tomé Ferreira Drumond, lavrador abastado, e Rita de Cássia, ambos residentes na Vila de S. Sebastião, em cuja Matriz foram também baptizados.

A família Drumond estava, então, intimamente ligada ao magistério primário e à governança da Vila de S. Sebastião, tendo a presidência da Câmara sido ocupada por seu pai (em 1821). O seu irmão, o capitão de ordenanças José Ferreira Drumond, dominou a vida política local durante várias décadas.



Ferreira Drumond desde a infância que revelou decidida vocação para as letras e para a música. Depois da instrução primária, estudou latim, lógica e retórica (disciplinas próprias do ensino da mocidade culta de então e as únicas disponíveis na sua vila natal). Muito estudioso, procurou constantemente aumentar a sua instrução literária e artística, o que lhe foi facilitado pelo meio familiar em que viveu.


Com apenas 15 anos, foi nomeado para o cargo de organista da Matriz da Praia.

Cedo aderiu à causa liberal, tendo sido eleito pelo novo sistema constitucional, em 1822, secretário da Câmara Municipal de S. Sebastião. Tal eleição valeu-lhe grandes dissabores, tendo, para escapar às perseguições dos absolutistas, fugido da Terceira, durante a noite, numa embarcação que o levou à ilha de Santa Maria, de onde passou a Ponta Delgada, dali partindo, com passagem pela Madeira, para Lisboa.

Depois de um ano de exílio voltou à Terceira, tendo participado activamente em todo o desenrolar da guerra civil nesta ilha, que depois tão bem descreveu nos seus Anais da Ilha Terceira.

Desempenhou, ainda em S. Sebastião, os cargos de escrivão dos órfãos, secretário da Administração do Concelho, e tabelião. Em 1836 foi eleito Presidente da referida Câmara, tendo desempenhado essas funções até 1839. Nesse ano foi eleito Procurador à Junta Geral.

Exerceu também, durante vários anos, o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia.

Distinguiu-se na luta contra a extinção do concelho de S. Sebastião, extinção que, em boa parte graças à sua actividade, apenas se consumou em 1 de Abril de 1870, apesar de decretada em 24 de Outubro de 1855.

Algumas das mais importantes obras da antiga Câmara de S. Sebastião foram iniciativa sua, nomeadamente a captação das nascentes do Cabrito e o seu aproveitamento para moagem, naquela época a maior obra hidráulica da Terceira e uma das maiores dos Açores.

Monumento no Rossio
Vila de São Sebastião




Faleceu em 11 de Setembro 1858, contando 63 anos incompletos de idade, na casa que tinha aforado da Santa Casa da Misericórdia, na Travessa da Misericórdia, onde hoje está a lápide comemorativa. 

Francisco Ferreira Drumond foi homenageado em 1951 com um pequeno monumento localizado no Rossio, Vila de S. Sebastião.

O seu trabalho histórico ocupa um lugar cimeiro na historiografia açoriana, sendo a base de boa parte das obras sobre a história dos Açores, em particular sobre a história da ilha Terceira.







Obras publicadas



Memória Histórica da Capitania da Praia da VitóriaEditado pela Câmara Municipal da Praia da Vitória em 1846, Praia da Vitória. A obra foi reeditada inserta na colectânea Memória Histórica do Horrível Terramoto de 15.VI.1841 que Assolou a Vila da Praia da Vitória, edição e da Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1983.

Anais da Ilha Terceiraobra escrita segundo o critério cronológico típico dos Anais, cobrindo o período desde a descoberta e povoamento da ilha até 1850. Foi oferecida à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que a editou em 4 volumes, contendo 510 de documentos. O volume I foi publicado em 1850; o vol. II em 1856; o III em 1859; e o IV, póstumo, em 1864. Reeditado, em fac-símile da edição original, pela Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1981.

Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos, para a História das Nove Ilhas dos Açores - obra inacabada deixada em manuscrito. Após um conturbado percurso, a obra foi editada em 1990 pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo.







quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

História da Moeda Portuguesa


MOEDA PORTUGUESA
(Breve História)

D. Afonso Henriques - Dinheiro
As primeiras moedas portuguesas terão sido produzidas ainda no reinado de D. Afonso Henriques, certamente depois de em 1179 ter sido reconhecido pelo Papa como rei. São pequenos espécimes feitos de bolhão, uma liga de cobre e de prata: o dinheiro e a medalha, esta valendo metade de um dinheiro. O dinheiro continua a tradição do denário romano, que servira de união monetária do vasto Império e que os Bárbaros mantiveram depois da queda de Roma, em espécimes profundamente adulterados.


D. Afonso Henriques
Dinheiro - Cruz Comprida
 Nos reinos da Europa Medieval corriam moedas idênticas ao dinheiro, que se manteve em circulação até ao final da primeira dinastia portuguesa. A palavra mealha, de onde vem a palavra mealheiro deixou de fabricar-se a partir de D. Afonso II (1211-1223), mas manteve-se engenhosamente na prática. Como a mealha era metade de um dinheiro, ao precisarem dela para trocos, cortavam aquele em duas metades... Essas moedas de bolhão tinham numa das faces a Cruz da Ordem do Templo.


D. Sancho II - Bolhão
D. Afonso III - Bolhão
A partir de D. Sancho I, a cruz passou a ser cantonada por quatro cravos, evocando a que teriam pregado Jesus. Descobrem-se também nestas moedas os chamados sinais ocultos destinados a impedir a falsificação. Este tipo de moeda, como dissemos, foi comum aos reinos e condados da Cristandade. Os nossos dinheiros sofreram influência de um modelo borgonhês trazido pelos que vieram para a Península lutar contra os Muçulmanos, integrando as Cruzadas do Ocidente.

No tempo de D. Afonso Henriques continuavam a circular moedas romanas, denários e áureos, assim como moedas leonesas e muçulmanas, estas últimas principalmente de prata e ouro, os dirheme e o dinar.


Morabitino Português

Os morabitinos são uma resposta à moeda de ouro muçulmana, o dinar. A descoberta de ouro nos túmulos egípcios, na sequência da expansão árabe trouxe um afluxo daquele metal precioso para a Europa, com reflexos nos reinos muçulmanos da Espanha. Isto teve repercussões nos Estados Cristãos.


O morabitino continuou a fabricar-se nos reinados nos reinados de D. Afonso II e D. Sancho II tendo reduzido o seu formato e terminado as emissões naquele reinado.A partir de D. Afonso III aumentou consideravelmente a produção de dinheiros de bolhão, o que ficou a dever-se à política económica deste rei, criado feiras e mercados.
D. Dinis - Bolhão

Também D. Dinis continuou esta política incrementando o número de feiras e aumentando os privilégios aos feirantes e o numerário em circulação, indispensável ao comércio. Criou uma moeda de prata, o tornez decorado no anverso com uma cruz feita com cinco escudetes e no reverso pela cruz dos Templários, que neste reinado foram integrados na Ordem de Cristo, nascida por iniciativa de D. Dinis.

Nos reinados seguintes continuam a fabricar-se dinheiros de bolhão, o que mostra a carência de metais nobres em Portugal. No tempo de D. Afonso IV, o dinheiro passou a ser conhecido por alfonsim. A primeira grande revolução numária portuguesa ocorreu com D. Fernando, no final da Primeira Dinastia. O cronista Serevim de Faria esclarece:
D. Fernando - Pilar
“Quando El-Rei D. Fernando fez a guerra de Castela serviam El-Rei D. Henrique, o obre (Castelhano) muitos soldados franceses que vinham armados de celadas, a que eles chamavam barbudas e traziam lanças com pendões, que chamavam graves; e traziam consigo pages para as celadas, a que chamavam pilares. E querendo El-Rei deixar memória desta empresa pôs estes nomes e insígnias nas moedas, que mandou lavrar de novo.”

D. Afonso V - Ceitil
Porém , esta operação não foi limpa e ficou conhecida por operação das barbudas. Ainda hoje, a palavra ser para designar um lucro não honesto. O rei com uma moeda velha conseguia fazer várias das novas moedas, usado uma liga de cobre e prata, o bolhão. Por vezes a moeda de cobre levava só um banho de prata. Cada uma das novas e brilhantes moedas valia entre sete a nove das velhas, feitas só de prata. O Rei com esta operação arruinou muitos dos seus vassalos pois fez moedas de grande preço e de pouco peso com a agravante de serem ligadas (Sousa Viterbo), isto é, serem feitas de uma liga e não de prata.Chama-se barbuda ou celada ao elmo com viseira caída.


D. Fernando - Grave

Foi o reinado de D Fernando que pela primeira vez foram vistos em Portugal cavaleiros com o rosto coberto de ferro.Dentro da série de barbudas aparecem submúltiplos, as meias barbudas e os quartos de barbuda. Para recordar os escudeiros que vinham com os cavaleiros barbudos, o Rei cunhou o pilarte.

Para distinguir os porta-bandeiras fez bater o grave, no anverso do qual imprimiu um F significado Fernando e, no reverso, as armas do rei. Pela primeira vez, a cidade do Porto emitiu moeda; graves meias, meias barbudas, barbudas e tortezes, identificados pela letra P no campo do anverso.


D. Fernando - Barbuda
A D. Fernando deve-se o forte de prata, que valia cento e vinte dinheiros e tiha as dimensões da barbuda. Neste reinado aparece também o real de prata que valia cento e vinte dinheiros. Porém, o mais interessante na série fernandina são as cunhagens de ouro, a dobra-gentil, em que o Soberano aparece sentado no trono em atitude majestática e a outra moeda, a dobra-pé-terra, onde se vê D. Fernando em atitude bélica, levando a mão direita erguido o gládio.



Rara é uma dobra-gentil emitida no Porto. D. Beatriz, filha de D. Fernando e casada com D. João I de Castela, cunhou em Santarém um real de prata com a sua efígie e no reverso, as armas de Leão e Castela e as de Portugal. A partir de D. Fernando o real passou a ser uma constante na numária portuguesa, praticamente uma moeda de conta ou de referência.


D. João I - Real
D. João, Mestre de Avis, filho ilegítimo de D. Pedro I, alcançou o poder dando o que tinha e prometendo o que não tinha ( Fernão Lopes). Deixou uma vasta e variada Dinastia. Mandou bater moedas de prata, de bolhão e de cobre. Os reais pretos forma a primeira moeda portuguesa de cobre. Mandou cunhar os quartos de real de dez soldos em bolhão e outras moedas em liga como o rela branco, o que expressa a desvalorização da moeda. Vencida a crise e estabilizado o reino forma emitidas moedas de prata, o real de dez soldos e o real de dez reais brancos. O real preto aparecido em 1415, altura da conquista de Ceuta tinha escrito Adjutorium nostra, significando Senhor, sê nosso auxilio.


D. João III - Real
O inicio da expansão ultramarina portuguesa, em 1415, foi memorizado com a criação de uma nova moeda, o ceitil de ( Ceuta). Os primeiros aparecem com a abreviatura de João ( IHNS), coroada e com a legenda em caracteres arábigos. Na série joanina predominam as moedas conhecidas como reais que expressam a sucessiva desvalorização da moeda de prata e de bolhão. São o real preto, o real cruzado, o real branco, o real de dez soldos. O real de prata nasceu com D. Fernando numa época de crise.

Com este real se pretendia criar uma moeda credível, uma espécie de moeda de conta, o que não deve confundir-se com moeda de conto, ou coto para contar, de que falaremos adiante.


D. Duarte - Real Preto
Os sucessores de D. João I prosseguiram com estas emissões, privilegiando os reais e os ceitis. No reverso destes continuara a imprimir os castelos de Ceuta e o mar. D. Afonso V introduziu uma nova moeda, o espadim de prata. No campo vê-se uma mão segurando uma espada pela lâmina. Outra moeda foi o chinfrão, equivalente a doze reais brancos.

É de prata mostrando no anverso a coroa real e a letra A (Afonso). O real grosso lembra o chinfrão mas é de maior diâmetro. Foram também emitidos reais de prata. Neste reinado aparece pela primeira vez o escudo e o meio escudo em ouro, possivelmente por inspiração francesa.

O de D. Afonso V é conhecido como escudo de Toro, pois liga-se à pretensão deste rei de Leão e Castela e à batalha de Toro. São belas peças que mostram os benefícios alcançados com a expansão ultamarinna. O ouro veio inicialmente da Mina, de Cantor, de Arguim, da Serra Leoa, da Guiné e de Sofala.

D. Manuel I - Tostão de Prata

Os portugueses pretendiam, contornado a costa Nororeste da África chegar aos grandes mercados auríferos, que desde o Sudão vinham até à bacia do Níger e eram animados pelos muçulmanos e tinham nascido sob égide dos grandes Impérios africanos. Infelizmente quando os portugueses levantaram a fortaleza da Mina, registava-se já o esgotamento da exploração do ouro e a decadência dos mercados ocidentais muçulmanos, que entretanto se deslocaram para o Egipto e Médio Oriente. Quanto à prata, a maior quantidade veio da Alemanha no séc. XVI, em troca da pimenta e de outras especiarias e do açúcar da Madeira. A maior inovação no domínio numismático foi o cruzado de ouro, assim chamado pela representação de uma cruz simples no reverso.

D. Afonso V - Ceitil
D. Afonso V, ao lançar esta moeda, pretendeu bater os ducados italianos, imprimido-lhes maior toque e gravado-lhe a cruz em resposta ao apelo à Cruzada contra os Turcos pregada pelo Papa Calisto III. Sem o ouro de Aguim não teria sido possível fabricar estas moedas.


D. João II - Ceitil
Com D. João II nasceu o vintém conhecido igualmente por real. Valia vinte reais brancos e eram de prata. Em ouro cunhou o justo, que apresenta no reverso o Rei sentado no Trono, empunhando a espada da Justiça. Conhece-se um exemplar raríssimo do justo cunhado no Porto. A época de D. Manuel I marca o apogeu da Expansão Marítima. O que se reflecte na variedade e riqueza dos espécies numismáticos, comprovando a estabilidade monetária portuguesa que se acentuou a partir de D. Afonso V e perdurou por mais de oitenta anos.Os ceitis de cobre com os castelos e o mar de Ceuta continuaram a ser produzidos em grande variedade. O real de cobre aumentou de tamanho e o cinquinho de prata, uma pequena moeda com variantes circulou ao lado de meio vintém de prata e do vintém de prata, identificado o reinado pelo M coroado.


D. Manuel I - Índio

Uma novidade de então foi o índio de prata, uma moeda que evoca a descoberta do caminho marítimo para a Índia. No reverso apresenta o escudo real, e, no anverso, a cruz da Ordem de Cristo financiadora da expansão portuguesa.

D. Manuel I - Português


O português de ouro continuou a emitir-se vigoroso, regulando o curso monetário no norte da Europa até quase aos finais do Séc. XVI.








São Vicente

D. Sebastião aumentou o numário de cobre e de prata (tostões e meios tostões) e continuou a produzir moedas de ouro, S. Vicentes.





Com D. Henrique, após Alcácer Quibir, começou a decadência, cunhando-se apenas moedas de prata.

Em 1580, antes da União das duas Coroas e o domínio filipino, Portugal teve à frente um grupo de Governadores, que emitiu reais e tostões de prata e uma moeda de 500 reais de ouro.

D. António - 20 Reais
D. António - com Açor







Carimbos Açor batidos em Angra


D. António Prior do Crato foi apoiado pelo sentimento independentista do Povo ao reivindicar o Trono de Portugal chegado a ser aclamado Rei. Cunhou moeda de cobre em Angra do Heroísmo e de prata em Lisboa (vinténs e tostões). Mandou contramarcar moedas de reis anteriores, imprimindo-lhes a figura de um Açor. Filipe II ao herdar, comprar e conquistar Portugal, reinando de facto, mandou destruir as moedas de D. António.

Moedas de Conto para Contar



D. Afonso V
Conto para Contar
As moedas de conto, ou contos para contar, apareceram no reinado de D. Afonso III (1248-1279), exactamente aquele em que o comércio em Portugal se começou a desenvolver com as feiras e mercados e os concelhos ganharam mais autonomia passando a Ter representação nas Cortes. Estes contos para contar persistiram desde D. Afonso III até ao reinado de D. Sebastião. Qual a importância destas pseudo-moedas?


D. João II
Conto para Contar
Durante a primeira Dinastia e grande parte da Segunda, os cristãos não usavam os algarismos árabes. As operações eram feitas segundo o sistema romano do ábaco ou contador. A introdução dos algarismos árabes permitiu a rapidez das operações, especialmente através da numeração decimal.


D. Manuel I
Conto para Contar
 Os Judeus usavam nos seus cálculos os algarismos árabes, o que lhes dava vantagens e rapidez nas operações levando a que os cristãos considerassem que dispunham dum segredo cabalístico.

A introdução dos algarismos árabes em Portugal foi tardia, ocorrendo praticamente só o séc. XVII. Até lá, para fazer os cálculos financeiros, usavam o ábaco e peças metálicas semelhantes a moedas, chamadas contos para contar, ou moedas de conto. A sua colocação no ábaco correspondia a valores convencionais. Estas peças monetiformes eram feitas de cobre ou de latão e podemos considera-las como antepassados da contabilidade mecânica.


D. Sebastião
Conto para Contar
A utilização dos algarismos árabes operou uma verdadeira revolução na contabilidade pública e privada. O sistema do ábaco e o seguimento dos algarismos romanos foram os responsáveis pela decadência financeira de Portugal a partir de D. João III que levou ao encerramento da feitoria da Flandres devido aos onerosos erros de cálculo cambial. A má gestão da casa da Índia deveu-se à incapacidade de controlo contabilístico e financeiro por falta duma contabilidade capaz.


D. João IV - Tostão
Curiosamente, só a partir de D. João IV (1640-1656) os algarismos árabes apareceram nas moedas portuguesas, inclusivamente contramarcando as moedas de ouro e prata de Segunda Dinastia e alterando-lhes o valor nominal em algarismos.

Os contos para cotar assemelham-se às moedas correntes as sua época, mas distinguem-se bem. Oportunamente, a partir de D. João II, a esfera armilar irá figurar no reverso destas peças ao longo de vários reinados.
D. João IV - 400 réis
A revolução de 1640 pôs no troo o Duque de Bragança, que continuou a cunhar moedas de prata e cruzados também de prata. Esta moeda manteve-se até á última dinastia e evoluindo com a adopção do sistema decimal do reinado de D. Maria II. D. João IV produziu também moedas de ouro, cruzados ( um, dois e quatro). No seu reinado, a Senhora da Conceição foi consagrada Padroeira de Portugal, pelo que lhe dedicou uma moeda-medalha de prata conhecida por Conceição. D. João IV retomou a série das moedas de cobre, reis e reais, interrompida pelos Filipes.



D. Afonso VI - Cruzado
D. Afonso VI prosseguiu idêntica política embora o seu tempo a quebra da moeda, levasse a contramarcar com um cunho ou carimbo os espécimes em circulação, alterando-se o valor. Isto se fez principalmente com as patacas espanholas.



Com Pedro II ainda Regente, as moedas começaram a ser serrilhadas por cunhagem mecânica. Procurou-se assim evitar que as moedas de prata e de ouro fossem cerceadas. Como o seu corte era irregular, os agiotas limavam-nas retirando-lhes a prata, ou ouro em pó, reduzindo o seu valor intrínseco.



D. Pedro II - Cruzado
O cruzado de prata distingue-se como uma das mais belas moedas portuguesas, quer pelos cunhos quer pelas dimensões. As faces mostram no anverso, as armas reais e, no reverso a cruz de Cristo com a legenda adoptada já desde o tempo de D. João III: IN HOC SIGNO VINCES (com este sinal vencerás!).



D. Pedro ainda regente, cunhou também moedas de ouro mas o período mais brilhante da nossa numária em termos auríferos, foi o período de D. João V, devido à exploração das minas do Brasil.

D. João V - Dobrão
No reinado de D. João V continuaram a cunhar-se moedas de cobre e de prata por processos mecânicos. Nessa altura aparece a maior e mais pesada moeda portuguesa de ouro , o dobrão que valia 24.000 réis e se subdividia no meio dobrão. Estava ornamentada com a cruz de Cristo, canhonada por quatro MM ( Minas Gerais). Cunhou também moedas do Rio de Janeiro, Baía, Lisboa e Porto: cruzadinhos de ouro, os escudos, os meios escudos, meias peças, peças e dobras. A execução dos cunhos da série de escudos, que acompanham estas moedas, é de grande perfeição e beleza.


D. José I


D. José I continuou com a cunhagem de cobre e prata, limitado a de ouro às peças, mais peças, escudos, quartinhos e cruzados novos de ouro, conhecidos por pintos, que são as mais pequenas moedas de ouro daquele tempo.





D. Maria I e D. Pedro III
Sua filha D. Maria I continuou a bater algumas destas moedas de ouro, a mais pequena o cruzado de ouro e a maior a peça. Porém, a decadência aurífera tinha começado. As séries de prata prosseguem limitadas aos tostões, vinténs e cruzados de prata. Dos vinténs o mais falado foi a pequena moeda de três vinténs, que, pela sua dimensão levou a ser comparado na linguagem popular à virgindade feminina. Perde-la era perder os três vinténs.


D. Maria I - Peça
A decadência da exploração das minas de ouro do Brasil ocorreu ao mesmo tempo que se registava em Portugal e nos nossos territórios um crescimento considerável do comércio e dos encargos do Estado. A consequência imediata da queda da exploração aurífera reflectiu-se na diminuição do fabrico da moeda de ouro e da sua ausência na circulação. Tal facto levou a que fosse contraído um empréstimo de doze milhões de cruzados entre 1756-1757, ao juro de 5 a 6%.

Apólice de 1$200,00 réis
Esta situação levou à emissão de Apólices do Real Erário, com valores que iam desde 1.200 réis até aos 20..000 réis. Durante quase dez anos, o total das apólices equivaliam a moedas de metal nobre e podiam ser transaccionadas como tal. Porém meses depois da emissão, passaram a ser impostas como moeda, embora sujeitas a uma taxa de desconto. Com estas apólices nasceram as notas de Banco. Será uma ideia original portuguesa? Não.
O papel moeda apareceu na China cerca de 860 anos a. C., embora o seu período mais famoso fosse o de 1368 a 1393, d. C., na época Ming.

pagamento em dinheiro com real valor intrínseco e convencional, ouro ou prata, ao portador daqueles documentos ou notas. Na Europa foi a Suécia o primeiro emissor. O Banco da Suécia que as emitiu em 1661, anos depois ia à falência porque as notas não tiveram garantia do Erário Nacional. O primeiro banco que emitiu de forma permanente estes documentos foi o Banco de Inglaterra, a partir de 1694.


D. João VI
O primeiro Banco criado em Portugal e seus territórios, data de 1808, na regência de D. João VI.


As evasões napoleónicas, a fuga da família real para o Brasil e a Guerra Peninsular lançaram Portugal numa grave crise política, económica e social, que levou à Revolução de 1820, à Independência do Brasil em 1822 e à Guerra Civil entre Liberais e Absolutistas, que embora tendo terminado em 1834, deixou instabilidade político-partidária e confrontos até meados do Séc. XIX.

1828 - D. Pedro IV - Cruzado

D. Pedro IV e D. Miguel continuaram com as cunhagens mecânicas de cobre, prata e ouro, semelhantes às de seu pai, D. João VI. Nestes reinados distinguem-se os pesados patacos (40 réis) de bronze, tão pesados que serviram de arma de arremesso...



D. Maria II - Maluco
Em 1829 os refugiados liberais fundiram em Angra do Heroísmo, a partir de um sino, uma grosseira moeda de 80 réis, em nome da Rainha D. Maria II. Esta moeda ficou conhecida por maluco.







Pataco de Lóios
1847 - Carimbo GCP



Mais tarde, em 1847, para regularizar a circulação dos patacos imprimiram-lhes um carimbo circular com as letras G.C.P., que significam Governo Civil do Porto. Desde o reinado de D. João V que não se cunhavam moedas no Porto.



D. Maria II - 1000 réis
D. Maria II - A Degolada





Em 1835, D. Maria II, pela lei de 24 de Abril, adoptou o sistema decimal, passando a haver moedas de 5, 10, e 20 (vintém) réis, de cobre e tostões de prata no valor de 100, 200, 500 e 1000 réis de prata. Em ouro coroas (5.000 réis), meias coroas e um quinto de coroa.


1850 - D. Pedro V
D. Pedro V cunhou moedas de cobre
 mas somente usou a prata e o ouro



1886 - D. Luís - 5.000 réis
D. Luís I relançou a moeda de cobre
 e continuou as emissões de prata e ouro

D. Manuel II
Guerra Peninsular



D. Manuel II
Marquez de Pombal

Com D. Carlos I desapareceram de Portugal as cunhagens de moedas de ouro. Porém, no seu reinado iniciou-se em 1898 a pratica das moedas comemorativas, ao assinalarem o IV Centenário da descoberta do caminho Marítimo para a Índia.

D. Manuel II, com esta pratica, homenageando em 1910 o Marquês de Pombal e lembrando a guerra Peninsular.
A partir de então criou-se em Portugal o hábito das moedas comemorativas.

Hoje, o nosso pais é aquele onde mais se cultiva e abusa dessa pratica, mantida pelo consumo dos coleccionadores o que leva a condenáveis especulações.










REPÚBLICA PORTUGUESA 

A Implantação da República deu lugar a que se cunhassem novas moedas sem interromper o sistema decimal. Na altura da Primeira Guerra Mundial. 1914-1918, aparece em Portugal, em 1917 a moeda de um centavo de bronze e a de 4 centavos em cuproníquel.
1914 - 5 Outubro de 1910


1915 - 1$00 (Prata)
Em 1918 emite-se uma moeda de dois centavos de ferro. A crise financeira provocou em 1924 o nascimento da moeda de um escudo de prata, emitidas sob a égide da República Portuguesa em 1914 ( comemorativa do 5 de Outubro) e as de 1915 e 1916.



1924 - 1$00 (Bronze)
1927 - 1$00 (Cupro-Níquel)


1935 - 1$00 (Cunhagem para os Açores)

A História do Escudo de 1935

Segundo o que se vem discutindo desde à muito tempo, o escudo de 35 tem tido diversas histórias. Uns dizem que a moeda foi cunhada para circular nas ilhas dos Açores, que nesse período estavam com falta de moeda mas até agora não existe nenhum documento que o refira como o diz Trigueiros na sua Obra “A Grande História do Escudo Português.

Face aos dados fornecidos e tendo em conta a necessidade de haver uma reserva de moeda cunhada para emissão quando fosse oportuno, o Ministério das Finanças ordena que se conclua a amoedação dos $50 e se arredonde a conta da cunhagem do escudo para 15 mil contos (ou seja, mais 54.300 exemplares).”

Ora bem, 15 mil contos são 15 milhões de moedas.

Se nós somarmos as moedas cunhadas nos anos anteriores: 1927, 1928, 1929, 1930 e 1931 temos: 14.945.700 moedas (1.917.000+7.462.355+1.616.645+1.911.000+2.038.700).

O tal arredondamento para os 15 mil contos é fácil de calcular: 15.000.000-14.945.700=54.300




2001 - 1$00 (Latão)



Fonte: História da Moeda Portuguesa