Açores - Correio Aéreo

A AVIAÇÃO E CORREIO NOS AÇORES
(Breve história da sua origem)


Encontrando-se o arquipélago dos Açores em posição estratégica no oceano Atlântico, entre a Europa e a América do Norte, assumiu papel fundamental desde o início da navegação aérea transatlântica.



A Primeira Guerra Mundial

   
1818-19 - Hidroaviões no Porto de Ponta Delgada (São Miguel)


No contexto da Primeira Guerra Mundial a cidade da Horta, na ilha do Faial, sofreu bombardeamento por parte do Império Alemão (dezembro de 1916).

No ano seguinte, a cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, foi bombardeada pelo "Deutschland ", um submarino alemão classe U-115 (4 de julho de 1917).




A "1st. U.S. Aeronautical Company" em Ponta Delgada
(
21 de janeiro de 1918), uma das primeiras unidades completamente
 equipadas da aviação dos EUA
a operar além-mar durante a Primeira Guerra.
Desse modo, já em 1918, tendo os Estados Unidos ingressado no conflito, Ponta Delgada passou a sediar uma base aeronaval da US Navy, guarnecida por 150 fuzileiros, duas peças de artilharia de costa, navios, submarinos e 8 hidroaviões Curtiss HS2L, com a missão de identificar e combater os U-Boots da Marinha da Alemanha que incursionavam em águas do arquipélago.

O primeiro destes aviões levantou vôo no dia 23 de fevereiro de 1918 junto ao Forte de São Brás de Ponta Delgada.

O Curtiss NC-3, um dos três hidroaviões
 sob o comando de Read,
 em Ponta Delgada (19 de maio de 1919).
Ainda no contexto do conflito, e nos anos subsequentes, a Marinha Portuguesa projetou instalar na Horta um Centro Aero-Naval, que entretanto jamais chegou a se materializar. Do mesmo modo, em 1919, a Real Força Aérea britânica projetou adquirir uma ilha nos Açores, para instalação de uma base terrestre para prover apoio às operações aéreas no meio do Atlântico.

O período entre-Guerras


Nesse período uma verdadeira corrida pela travessia aérea do Atlântico teve lugar, graças ao incentivo de periódicos como o londrino "Daily Mail", que promoveu um concurso com um prémio de dez mil libras esterlinas ao aviador que conseguisse fazer o primeiro voo sem escalas, em menos de 72 horas, entre os Estados Unidos, o Canadá,, ou a Terra Nova e as Ilhas Britânicas.

O hidroavião Curtiss NC-4
Albert Cushing Read celebrizou-se ao
conseguir realizar o 1º voo transatlântic
o
Nesse contexto, uma esquadrilha de três hidroaviões quadrimotor da Marinha dos Estados Unidos da América intentou a primeira travessia do Atlântico Norte, por etapas.

Para esse fim partiu de Nova Iorque para a Terra Nova, de 16 para 17 de maio de 1919. Duas das aeronaves (NC1 e NC2) necessitaram fazer uma amaragem de emergência na altura da ilha das Flores. A NC1 acabou por ficar completamente danificada e a NC2 logrou alcançar o porto de Ponta Delgada, a 19 de maio, mas estava incapacitada para prosseguir o voo. Apenas a NC4, batizada como "Liberty", sob o comando do capitão-tenente Albert Cushing Read, conseguiu completar o percurso, tendo feito escala na baía da Horta a 17 de maio, seguindo para Ponta Delgada, onde fez escala a 20. Após uma semana de repouso, partiu na madrugada do dia 27 em direção a Lisboa, tendo fundeado nessa noite nas águas do rio Tejo.

Ainda nesse ano (1919), um hidroavião que viajava entre a Inglaterra e os Estados Unidos da América, fez escala na baía da Horta. A partir de então, as travessias oceânicas passaram a suceder-se com frequência cada vez maior, utilizando as ilhas dos Açores como escala, nomeadamente com amaragens na baía da Horta.

1924 - Zeppelin sobre a cidade
de Angra do Heroísmo

Com o advento do dirigível, o arquipélago foi sobrevoado em 1924 (Angra do Heroísmo), 1927 e 1930, pelos Zeppelin que faziam a ligação entre a Alemanha e os Estados Unidos.

Em abril de 1926 partiu de Lisboa o vôo do hidroavião Fokker, batizado como "Infante de Sagres", pilotado pelo tenentes da Marinha Portuguesa, Moreira de Campos e Neves Ferreira, às ilhas da Madeira e dos Açores., tendo chegado a Ponta Delgada em 9 de maio.

Hidroavião Savoia-Marchetti S-55.
No ano seguinte (1927), o marquês Francesco De Pinedo, coronel da Força Aérea Italiana, foi forçado a amarar a cerca de 200 km da ilha das Flores, após ter partido da Terra Nova. O hidroavião Savoia-Marchetti S.55, batizado como "Santa Maria II", foi rebocado para a Horta, onde chegou a 13 de maio e sofreu reparações.

Zeppeling sobrevoando a
Igreja da Misericórdia em
Angra do Heroísmo
No mesmo ano, em novembro, um hidroavião Junkers D 1230, pilotado pela austríaca Lilly Dillenz (primeira mulher a voar sobre o Atlântico) e um Heinkel D 1220 fizeram escala também na Horta, onde encontraram a pioneira da aviação estadunidense Ruth Elder, que tentava imitar o feito de Charles Lindbergh pilotando o monoplano "American Girl", acompanhada pelo piloto, capitão George Haldeman, que fora forçada a amarar na costa norte da ilha Terceira devido a problemas mecânicos, tendo a aeronave se incendiado.

Em 1928 escalam na Horta o inglês Frank T. Courtney, pilotando um Dornier Wal G-CAGI (junho) e o tenente da Marinha da França De Paris, num pequeno hidroavião, o "La Frégate" (julho).

Na Graciosa registou-se um acidente fatal quando, ao anoitecer de 13 de julho de 1929 um biplano Amiot 123 capotou durante uma aterragem de emergência, tentada nuns campos próximos do lugar da Brasileira. A aeronave, tripulada pelos aviadores polacos Ludwik Idzikowski e Kazimierz Kubala, tinha descolado na madrugada daquele dia do campo de Le Bourget, nos arredores de Paris, com destino a Nova Iorque, na segunda tentativa polaca de fazer o primeiro vôo transatlântico de leste para oeste.

O major Idzikowski faleceu no acidente e o co-piloto, Kazimierz Kubala, sofreu ferimentos ligeiros. A aeronave foi consumida pelas chamas durante a operação de resgate quando alguém aproximou um archote dos destroços. Atualmente um cruzeiro marca o lugar do acidente.


1930 - Biplano AVRO 504 K - AÇOR
Ainda em 1929, as forças armadas portuguesas apoiam a construção do Campo de Aviação da Achada, na Terceira, com uma pista de 600 metros de extensão por 70 metros de largura, e de onde, a 4 de outubro de 1930, descola o primeiro avião, o biplano monomotor Avro 504 K "Açor", pilotado pelo Capitão Frederico Coelho de Melo.

Neste período, em vôo de regresso dos Estados Unidos para a Alemanha, o gigantesco Dornier Do X amarisou na Horta, na freguesia da Ribeirinha (21 de maio de 1932.

1929 - Porto da Horta (Faial)
Dornier DO X
Entre 1930 e 1933, a companhia de aviação estadunidense Pan American World Airways (PanAm) realizou testes na baía da Horta para a implantação de uma base de apoio para a operação de uma rota comercial transatlântica. Nesse contexto, Charles Lindbergh acompanhado por sua esposa, Anne Morrow, a serviço da PanAm, aí amarou a 21 de novembro de 1933, com um monoplano Lockheed 8 Sirius.



 Na base que aí foi implantada, de 1937 a 1944, foram atendidos os Boeing 314 Clipper ("Flying Boat") que faziam a rota Nova Iorque - Marselha e Nova Iorque - Londres, ambas com escala em Lisboa.

O Lockheed 8 Sirius "Tingmissartog",
 de Charles e Anne Morrow Lindbergh.
Nesse período entre as décadas de 1930 e década de 1940, diversas companhias aéreas passaram a utilizar as águas das ilha, nomeadamente o canal entre as ilhas do Pico e do Faial, como ponto de apoio para as suas rotas entre a Europa e a América do Norte.


Boeing 314 Clipper "Flying Boat".
Em abril de 1931, no contexto da Revolta das Ilhas, a baía da Horta foi a base de três pequenos hidroaviões da Marinha Portuguesa, que se deslocaram à Terceira com a missão de sobrevoar Angra do Heroísmo e o Monte Brasil, lançando panfletos convidando os militares sublevados a render-se.

Em 1933, chegou ao arquipélago a esquadrilha do italiano Italo Balbo, integrada por 24 hidroaviões, nove dos quais amerissaram no porto da Horta, seguindo os restantes para Ponta Delgada, onde um deles se perdeu, vindo a falecer o respectivo piloto.

Anos mais tarde, a 19 de maio de 1938, amerisou nas águas do porto de Ponta Delgada uma esquadrilha francesa de quatro trimotores de reconhecimento aéreo Breguet-Bisert, pertencentes à 1ª Esquadra Ligeira do Atlântico. De Ponta Delgada uma aeronave partiu rumo à Horta e outra rumo a Angra do Heroísmo.

1939 - CLIPPERS da PANAM no Porto da Horta (Faial)

Charles Lindbergh
Gago Coutinho
A deslocação de Charles Lindbergh à Europa relacionava-se com o estudo para a implementação de rotas que a PAN AM pretendia estabelecer. No caso português esses contactos prévios foram estabelecidos com o Almirante Gago Coutinho para a concessão de direitos de tráfego aéreo para o Continente e o arquipélago dos Açores. 

Estas negociações com o Governo Português continuaram, quando a Pan Am na primavera de 1937 cria a Divisão do Atlântico tendo em vista a Linha Aérea que ia ser operada pelos Boeing 314 em construção.

A 16 de Agosto de 1937 a PAN AM é autorizada a efectuar o voo de ensaio, New York – Bermudas – Faial (Açores) – Lisboa – Marselha - Southampton e regresso a Port Washinton utilizando um hidroavião modelo Sikorsky S-42 – 16736 de nome Pan American Clipper III. A frota de hidroaviões da PAN AM até à entrada operacional dos Boeing 314 era das marcas Sikorsky e Martin e dispunham já de equipamento de rádio, para comunicarem entre si e as bases operacionais.

Quando da exploração da linha FAM 14 do Pacífico atribuída à PAN AM iniciada em 22 de Fevereiro de 1935, e operada com hidroaviões Sikorsky, a companhia verificou as más condições de recepção e por vezes zonas de silencio devido à deficiente cobertura radioeléctrica.


A solução encontrada foi a compra de uma escuna de quatro mastros em 1937, que devidamente equipada iria funcionar como Estação Móvel de Comunicações para nas longas distancias sobre o mar, auxiliar as comunicações como estação retransmissora entre os hidros e as estações fixas.

Foi a partir de um CLIPPER, nome dado a um veleiro comercial rápido, que a companhia se socorreu para na rota dos hidroaviões melhorar as comunicações rádio, funcionando o barco como estação relé. (Mobile airway station). Este veleiro só actuou no Oceano Pacífico.

Por decisão da PAN AM todos os hidroaviões passaram assim a ser baptizados tendo como segundo nome a palavra Clipper.


Com a conclusão das negociações com Portugal a PAN AM inicia a construção de infra-estruturas, e ao abrigo desse acordo constrói no Porto da Horta instalações aeroportuárias, de telecomunicações terra/avião equipadas com Rádio goniómetro. Em Lisboa /Cabo Ruivo são instalados equipamentos idênticos. 





Fonte: Fernando M. Oliveira in "CFP"




A Segunda Guerra Mundial


Aeroporto de Santana
São Miguel
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a Marinha Portuguesa instalou um Centro Aero-Naval em Ponta Delgada. Ao mesmo tempo, ao norte da ilha, foi implantado o Aérodromo Militar de Santana, o primeiro aeroporto na ilha de São Miguel, no lugar de Santana, em Rabo de Peixe, no Concelho da Ribeira Grande. Operou como aeroporto militar, de 1939 a 1945, quando constituiu a Base Aérea nº 4.

Na Primavera de 1941, quando era iminente um avanço das tropas alemãs sobre a península Ibérica, Oliveira Salazar ponderou a retirada do governo português para os Açores, com o apoio da Grã-Bretanha

Foi nesse contexto que se constituiu o grupo de trabalho luso-britânico com a incumbência de estudar e projetar a construção de bases aéreas no arquipélago.

O primeiro-ministro britânico, Wiston Churchill desejava a instalação destas bases - essenciais para o controlo das rotas Central e Meridional no oceano Atlântico, essenciais às operações de abastecimento às forças aliadas em operação no Norte de África e no mar Mediterrâneo -, antes que a Alemanha Nazi o fizesse ("Operação Félix"/"Projekt Amerika"). As bases fechariam este setor do Atlântico, denominado estratégicamente de "Azores gap", permitindo que o Atlântico Norte ficasse abrangido pela proteção aérea.

Junker Ju 52
Ao mesmo tempo, partiu de Lisboa no vapor "Mirandela" (4 de junho de 1941) uma carga de 30 biplanos Gloster SS.37 (Gloster Gladiator), 5 monoplanos de transporte Junkers Ju 52, material de apoio e pessoal em direção aos Açores. Em São Miguel, a 7 de junho foram desembarcados 15 Gloster e os 5 JU 52, constituindo-se a Esquadrilha de Caça Expedionária nº 1 na BA-4; as demais aeronaves seguiram para a Terceira, onde constituíram a Esquadrilha de Caça Expedionária nº 2 da Aeronáutica Militar (BA-5).

Caça Curtiss P-36


Ainda nesse ano, a Grã-Bretanha enviou para São Miguel 12 caças Curtiss P-36 Hawk, que passaram a constituir a Esquadrilha de Caça Expedicionária nº 3.






 A Ordem Geral de Operações das Forças Expedicionárias para a ilha de São Miguel previa:
"I - Situação
A hipótese mais desfavorável será a de um ataque em força contra o porto de Ponta Delgada, conjugado com uma ação aérea e terrestre contra o campo de aviação e com tentativas de desembarque em outros pontos da ilha. (...)
II - Missão
A missão das forças expedicionárias em S. Miguel é defender a ilha, pelo menos por um período de tempo suficiente para ser socorrida do exterior (...)."

O efetivo deslocado para o arquipélago atingiu os 32.500 homens e as bases aéreas eram apoiadas por elementos de Infantaria e de Artilharia. Com a mesma finalidade de apoio, ainda em 1941 foram estabelecidos três postos de rádio do Exército: um no Comando Militar dos Açores (CMA), um no aérodromo de Santana e um no das Lajes, sendo estudada a instalação de um quarto, na Horta. A missão da Aeronáutica Militar nos Açores assentava nos reconhecimentos à distância, com a finalidade de informar acerca da presença e dos movimentos de forças navais ou aéreas, da sua nacionalidade, natureza e direção, bem como da atuação contra aviões que sobrevoassem as ilhas ou as suas águas territoriais e que não respeitassem os sinais de identificação. Para esse fim, era necessário que, nos aeródromos, uma patrulha de aeronaves estivesse permanentemente em prontidão para levantar vôo, seguindo-se, no estado de alerta, a mobilização de toda a aviação e pessoal em terra, de forma a descolar de imediato com todo o material disponível. Em situação de alarme, as aeronaves deveriam estar em condições de assegurar as comunicações entre o CMA e os comandos militares subordinados, bem como de executar as seguintes tarefas por ordem de prioridade:
  1. ataque à aviação inimiga que exercesse qualquer ação hostil contra as ilhas abatendo, em ordem de combate, aviões de transporte de tropas, caças, aparelhos de bombardeamento e, por fim, aviões de reconhecimento;
  2. ataque a navios inimigos com prioridade para os de transporte de tropas;
  3. ataque a forças de desembarque por via marítima em cooperação com as forças terrestres nas ilhas guarnecidas;
  4. ataque a objetivos terrestres nas ilhas não guarnecidas que eventualmente viessem a ser ocupados por forças inimigas e,
  5. proteção de transportes de tropas portuguesas e seu desembarque, na eventualidade de terem que mudar de ilha, bem como a proteção dos navios da Marinha de Guerra nacional em missões de reconhecimento e combate.



1940 - Comando Militar dos Açores
Em termos estratégicos, no caso específico da ilha de São Miguel, após o porto de Ponta Delgada, a infraestrutura mais importante a ser defendida era o aeródromo militar de Santana. Seria a partir desta base que, em caso de um ataque à ilha (considerado iminente entre os finais de 1940 e 1943), deveria ser ativado um dos vários sistemas de alerta à população em geral: o voo de um caça. Sobrevoando toda a ilha, este deveria dar, com uma determinada sequência, um ciclo de tiros de metralhadora de modo a avisar toda a população: militares aos seus postos, civis às respectivas áreas de segurança. A defesa do aeródromo foi inicialmente constituída pela 5ª Bateria, equipada com peças Vickers-Armstrong de 94 mm, unidade reinstalada em 1942 em Belém, nos arredores de Ponta Delgada. Foi então melhorada com a instalação de defesa antiaérea composta por canhões Bofors 40 mm, e reforçada, a partir de 1943, por peças de artilharia de 75 mm apoiadas por metralhadoras pesadas de 79 mm e super pesadas de 127 mm.

O ataque a Pearl Harbor, no oceano Pacífico, por parte de forças do Japão (dezembro de 1941), levou a rever as diretrizes portuguesas em estudo com os britânicos, paralisando temporariamente as atividades do grupo de trabalho. Em 1942, Humberto Delgado foi nomeado representante do Ar para as negociações com a Grã-Bretanha para a cedência de bases nos Açores. Por sua eficiência nessa comissão, o governo britânico, mais tarde, veio a condecorá-lo com a Ordem do Império Britânico, salientando que Delgado arriscara a sua carreira e o seu futuro pela causa dos Aliados e da liberdade.



Desde 1918
Com a criação do Comando da Aeronáutica e da Defesa Terrestre Contra Aeronaves dos Açores (1942) separaram-se as áreas técnica (instrução e manutenção), a cargo do Comando Geral de Aeronáutica, por intermédio do Comando de Aeronáutica dos Açores, e operacional, a cargo do Comando Militar dos Açores. Em fevereiro do mesmo ano a esquadrilha estacionada em Santana foi reforçada com uma patrulha de bombardeiros trimotores Junkers Ju 52, e, no ano seguinte (1943) registaria a baixa do 2º Sargento Manuel Cardoso, piloto expedicionário da Aeronáutica Militar, que após ter levantado voo na tarde de 13 de maio, não mais regressou. Acionados os mecanismos de busca por intermédio da aviação de terra e naval, foi encontrado às 14 horas do dia 18 seguinte, morto nas ferragens da aeronave, que, por causas desconhecidas, colidiu com o pico da Vara.



De 15 a 18 de maio de 1943 teve lugar a Conferência Trident, na qual foi aprovada a estratégia dos Aliados para os Açores. Nesse mesmo ano, de 11 a 30 de agosto, teve lugar a 1ª Conferência de Quebec, na qual o presidente estadunidense Theodore Roosevelt e o primeiro ministro britânico Wiston Churchill concordaram em que a Grã-Bretanha entraria nos Açores com a autorização de Portugal, seguida dos Estados Unidos, duas semanas mais tarde.



Caças Hawker Sea Hurricane
 em formação (1941).
Nesse contexto, a 18 de agosto de 1943, Portugal assina um acordo que concede à Grã-Bretanha facilidades na Base Aérea nº 4 (Campo da Achada) e na das Lajes, visando utilizá-las como bases para a luta anti-submarina no Atlântico Norte, recebendo em troca a cessão de seis esquadrilhas de caças Hawker Hurricane. Desse modo, a 10 de setembro uma força combinada britânica, sob o comando do marechal-do-ar G. R. Bromet, parte de Liverpool rumo à ilha Terceira.

Aqui, com relação ao Campo da Achada, essa pista tinha a sua operação prejudicada pelo nevoeiro que a encobre durante parte do ano, e a solução encontrada foi deslocar as operações para a planície das Lajes, construindo-se uma nova pista.

Desembarque no Porto de Pipas
Angra do Heroísmo
Em 8 de outubro de 1943 desembarcou no porto de Pipas, em Angra do Heroísmo, um contingente de três mil militares ingleses, rumando para as Lajes, onde iniciaram imediatamente os trabalhos de terraplenagem da pista de aviação, no lugar de Terra Chã. Antes do fim desse ano, o Grupo de Esquadrilhas nº 247 da Royal Air Force Coastal Command, afundou o primeiro submarino alemão na região.

Ainda ao final desse ano, a 18 de dezembro, foi assinado o acordo provisório que permitiu aos Estados Unidos utilizar a base aérea das Lajes.

Içar das bandeiras Portuguesa
e Inglesa na Ilha Terceira
Por ele, no início de 1944 desembarcava, em Angra e em Praia da Vitória, um efetivo de 1400 homens transportando 1700 toneladas de equipamento para nova ampliação e reforço da pista das Lajes. As unidades eram:
Mais tarde, ainda em 1944, a 28 de novembro, foi assinado o acordo para a construção, pelos Estados Unidos, de um aeródromo na ilha de Santa Maria. Este foi feita sob a orientação da PanAm, uma vez que o Estado Português, sem querer despertar a ira da Alemanha Nazi, apenas acatou o projeto a pretexto de tratar-se de uma instalação civil. As obras iniciaram-se ainda em 1944, juntamente com as de um hospital de campanha, para prover assistência aos feridos da frente europeia em trânsito para os Estados Unidos.




1943 - Linhas aéreas Açores/Europa




1943 - Linhas aéreas Estados Unidos/Açores/Europa



1943 - Chegada da RAF às Lajes - Terceira
1943/1945 - RAF nas Lajes - Terceira

1943/1945 - RAF nas Lajes - Terceira

1944 - "Blimps" dos EUA que passaram pelas Lajes,
 em patrulha anti-submarina


1945 - Aeroporto de Santa Maria

Findo o conflito, em 1946, o aeródromo de Santana foi convertido em aeroporto civil, com duas pistas relvadas, uma com 1500 metros de extensão e outra com 100 metros, fazendo ligação com o Aeroporto Internacional de Santa Maria e com o Aeroporto das Lajes, na Terceira. Foi desativado com a inauguração do Aeroporto de Nordela em Ponta Delgada, tendo operado até 10 de Agosto de 1969.




BEECHCRAFT  UC-45B EXPEDITOR, de registo CS-TAA
baptizado de “Açor” , o primeiro avião da SATA

Desde a década de 1940 a Transportes Aéreos Portugueses opera vôos regulares para os Açores. Entretanto, a operação regular civil dos aeroportos construídos no arquipélago durante a Segunda Guerra - na Terceira, em São Miguel e em Santa Maria -, iniciou-se a partir da entrada em operação da Sociedade Açoriana de Transportes Aéreos (SATA).





1944 - Carta circulada e censurada entre ADEN (1) e a Ilha Terceira onde, à data,
 se encontrava a RAF, Force "M"
Conheça da história de ADEN em -> ADEN


Com a saída dos Ingleses da Ilha Terceira em 1946 chegaram os Americanos.

1950 - US AIR FORCE nas Lajes-Terceira

Voos inaugurais de e para os Açores


1948 - Barcelona -> Santa Maria -> New York

1962 - Lisboa -> Santa Maria -> Lisboa

1969 - Santa Maria -> New York

1970 - Boston -> Santa Maria

1970 - Santa Maria -> Boston

1971 - Funchal -> Ponta Delgada

1971 - Lajes -> Lisboa

1980 - Lajes -> New York

1984 - FDC, com carimbo,comemorativo dos 50 anos do Porto de Escala
na Horta. Voo inaugural 

1984 - Carimbo comemorativo da chegada à Horta
de Charles Lindbergh


1985 - Carimbo comemorativo do voo inaugural
da TAP. Horta -> Lisboa



1991 - Carta circulada, com registo, da Direcção de Filatelia dos
 Correios de Portugal, para a Nova Zelandia, franqueada com a série

"Os Açores na História da Aviação".



A história continua.

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1998 - TAP - Dia de Honra
Aeroporto de Lisboa -> Ponta Delgada