D. António I (1580-1583)


Dom António I, Rei de Portugal
(Nasceu em Lisboa em 1531 e faleceu em Paris a 26 de Agosto de 1595)
Pretendente ao trono durante a crise sucessória de 1580 Rei de Portugal (durante um breve espaço de tempo em 1580, no continente), e desde então, até 1583, reconhecido como rei nos Açores.

1580 - D. António I
20 Reais

1582 - D. António I
Real de Angra
Real de Angra


Quis a História, que Angra fosse o lugar onde as últimas moedas do Portugal livre quinhentista, vissem a luz do dia.

O Prior do Crato, tido em Angra como D. António I, teve nestas ilhas o último reduto da sua causa, onde terá feito vários lavramentos e carimbado.


Foi muita dela destruída quando D. Álvaro de Bazán a mandou queimar em cadafalso instalado na praça da cidade (Praça Velha), aos oito dias do mês de Agosto do ano de 1583.


Sobreviveram, apesar de tudo, vários exemplares hoje considerados raros, entre os quais esta «jóia», um Real, em cobre, batido em Angra.

1582 - D. António I
Carimbo AÇOR
Açor faz subir valor das moedas


Durante o curto reinado de D. António, Prior do Crato, no período da resistência nos Açores, a partir de 1582, com a falta de meios para fazer face às despesas de guerra, foi ordenada a aposição de um carimbo com um AÇOR (ave parecida com o gavião, símbolo e origem da designação do arquipélago dos Açores, po aí existir em grande número) sobre inúmeras moedas, algumas sa primeira dinastia e outras estrangeiras. Esse carimbo destinava-se, em príncipio, a "restituir o primitivo valor das moedas", mas, na verdade, fez inúmeras daquelas peças circular pelo dobro do seu valor.



1582 - D. António I
Cruzado - Carimbo Açor
1582 - Carimbos Açor


1582 - Carimbo Açor



1582 - Carimbos Açor


1582 - D. António I
O Calvário
Calvário este que simboliza a religiosidade de D. António Prior do Crato.


Nas últimas moedas que D. António lavrou em Angra, em 1583, repete-se a figuração da cruz comprida, a mais antiga esculpida nos primeiros dinheiros de D. Afonso Henriques. Tinha o valor de 3 Reais.

1583 - D. António I
Cruz de Santiago
A Cruz de Santiago, com o formato de um punhal, figura nos 4 reais de D. António, moeda batida em Angra.




Antes morrer livres que em paz sujeitos


1582 – Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos

Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (Alcochete – Paris), conde da vila de São Sebastião (por D. António I) distinguiu-se como corregedor dos Açores durante a crise de sucessão de 1580, tendo governado o arquipélago durante o período conturbado que se seguiu à aclamação nas ilhas de D. António, Prior do Crato como rei de Portugal.

A ele se deve a fortificação e organização da defesa da ilha Terceira que levou à vitória na batalha da Salga.


Biografia


Ciprião de Figueiredo era natural de Alcochete, filho de Sebastião Gomes de Figueiredo e de D. Antónia Fernandes de Vasconcelos, filha do arcebispo de Lisboa D. Fernando de Meneses Coutinho e Vasconcelos. Por este lado descendia dos Meneses da rainha Leonor Teles.

Em 1576 foi nomeado por D. Sebastião para o cargo de corregedor dos Açores.

A divisa dos Açores, que reza


Antes morrer livres que em paz sujeitos,


é retirada de uma carta escrita a 13 de Fevereiro de 1582 por Ciprião de Figueiredo, então corregedor dos Açores, a Filipe II de Espanha.

Naquela missiva recusa a sujeição da ilha Terceira em troca de mercês várias, dizendo: ...

As couzas que padecem os moradores desse afligido reyno, bastarão para vos desenganar que os que estão fora desse pezado jugo, quererião antes morrer livres, que em paz sujeitos. Nem eu darei aos moradores desta ilha outro conselho... porque um morrer bem é viver perpetuamente...

D. António em prémio da fidelidade do corregedor, quando o chamou a Paris, agraciou-o com o condado da vila de São Sebastião, localidade em cujos arrabaldes se travou a batalha da Salga.


Desembarque da Armada Espanhola no Porto Judeu

Brianda Pereira (Vila de São Sebastião, c. 1550 — Vila de São Sebastião, c. 1620) foi uma mulher açoriana elevada pela historiografia da Batalha da Salga e dos acontecimentos que a rodearam ao papel de heroína da resistência da ilha Terceira contra Filipe II de Espanha. Embora sem base histórica que o sustente, a figura de Brianda Pereira foi mitificada pelo movimento romântico a partir de finais do século XIX, sendo elevada ao estatuto de heroína pela propaganda do Estado Novo, no contexto da afirmação do nacionalismo português dos açorianos. A figura popularizou-se, sendo feita matrona de diversas instituições e dando origem a múltiplas peças de teatro popular, cantigas e danças de Carnaval.

Brianda Pereira nasceu provavelmente na cidade de Angra (ou alternativamente no Porto Judeu ou na vila de São Sebastião, conforme a tradição popular), filha de Álvaro Anes de Alenquer e de Maria Pereira de Sousa. O pai foi juiz ordinário da Câmara de Angra em 1553 e descendia de Pero Anes de Alenquer, um dos primeiros colonos da ilha Terceira e, tal como a mãe, tinha ascendentes nobres.

Casou com Bartolomeu Lourenço, indo residir para o vale da Salga, na zona litoral da vila de São Sebastião, onde o casal era dono de terras e tinha uma abastada casa agrícola. Residiam nesse local quando a 25 de Julho de 1581, no contexto da luta entre partidários de Filipe II de Espanha e de D. António I de Portugal, se travou na baía da Salga, em cuja arriba se situava a casa do casal, a batalha da Salga.

batalha iniciou-se pelo desembarque de uma força espanhola que de imediato incendiou as searas e as casas existentes nas imediações, entre as quais muito provavelmente a de Brianda Pereira, aprisionando os homens que encontrou. Entre os prisioneiros figurava Bartolomeu Lourenço, que se encontraria ferido.


 

As fontes da época são omissas quanto ao papel de Brianda Pereira na contenda, havendo apenas menção a uma Ângela Pereira (Brianda tinha uma irmã com este nome) numa Relação coeva, de autor anónimo, a qual diz:

Vivia ali um Bartolomeu Lourenço com mulher e filhos; a mulher andava em corpo, sendo mulher nobre e moça, e seu marido lavrador rico entre a gente da terra, dizendo que ela fugira de entre as mão deles [os soldados do partido espanhol] cuidando que seu marido fizera o mesmo, e que o já tinham cativo ferido, fugindo um seu filho que o viera contar. A pobre mulher andava como doida, e os soldados da armada de posse de sua casa e de toda a sua fazenda [...]

Quando a pobre mulher, por nome Ângela Pereira, viu arder a sua casa e os frescais da eira, e seu marido cativo e ferido, e sua casa e fazenda em poder dos soldados, e ela com pressa em saia escapou, parecia uma doida e com as lástimas que dizia animava os portugueses para que melhor pelejassem, e a tinham por mão porque se queria ir meter em sua casa: e porque era moça e nobre e bem parecida, e mulher muito galharda, sem falta sua honra e vida por resistir seria acabada. E a fizeram recolher, com outras mulheres a cima a uma igreja de São João.

Foi a partir desta descrição, já que o outro relato contemporâneo dos acontecimentos que se conhece, devido a frei Pedro de Frias, a não menciona, que se iniciou a mitificação da heroína Brianda Pereira.

A construção do mito deve-se em boa parte a Francisco Ferreira Drumond, que nos Anais da Ilha Terceira, aparentemente fazendo fé na tradição oral da sua vila natal, já a descreve como uma nova Lucrécia:

... onde se achava, e ainda existe, a quinta, ou casa, de Bartolomeu Lourenço, lavrador abastado, que nela vivia com sua mulher Brianda Pereira, moça nobre e assaz formosa, da qual tinha filhos. Parece que a sua beleza fora nos dias antecedentes objecto da curiosidade dos castelhanos, porque foi o primeiro despojo que eles quiseram saquear de sua casa. Felizmente pode esta nova Lucrécia escapar-se às mãos dos soberbos Tarquínios que a pretendiam, e já levavam prisioneiro ao marido, a quem haviam ferido gravemente, e a um filho; e achando-se já senhores da casa, e de tudo que nele havia, saqueavam, destruíam e convulsavam à sua vontade todos os móveis, chegando finalmente ao excesso de largarem fogo aos frescais de trigo que estavam na eira..


A partir daqui estava lançado o mote:
Brianda Pereira era a heroína, a ela se atribuindo os mais diversos feitos, desde participar na peleja até ter sido a autora da estratégia de enviar vacas em tropel sobre os espanhóis. José Joaquim Pinheiro, nas suas Épocas Memoráveis da Ilha Terceira, já diz que Brianda Pereira:

... mostrou o seu ânimo varonil, armando com dardos as mulheres que tinham corrido à peleja com seus maridos e filhos, e persuadindo com argumentos de virtuosa esposa e mãe desvelada a gente terceirense, leva as do seu sexo a carregarem sobre o inimigo com tal denodo que puderam alcançar a salvação do prisioneiro ancião e de se filho, ambos bastante feridos. Só não pôde esta heróica espartana evitar o incêndio que lavrava na casa e na eira... 



1980 - Medalha comemorativa do
4º. centenário da resistência à
ocupação filipina na Terceira
O capítulo final da glorificação de Brianda Pereira é escrito por Gervásio Lima, que na sua prosa inflamada a alpendura aos píncaros da virtude e da heroicidade nacionalistas. Os escritos de Gervásio Lima, que gozaram de grande popularidade até meados do século XX, com a posterior ajuda da bem oleada máquina de propaganda do Estado Novo, fizeram de Brianda Pereira um figura popular, particularmente por apelar à heroicidade dos habitantes da ilha Terceira e assim alimentar o sentimento bairrista que ali se viveu.


Durante os anos todas as referências à história e a heroicidade da Terceira, incluíam obrigatoriamente uma vénia a Brianda, o arquétipo da heroína da portugalidade. Foram escritas e representadas algumas centenas de peças de teatro popular e danças de Carnaval tendo como assunto a acção de Brianda Pereira. Embora na Terceira, o assunto tenha caído num relativo esquecimento, nas comunidades de origem açoriana parece continuar a ser popular, com o seu apelo nacionalista e ao bairrismo terceirense.
Brianda Pereira deu o nome a uma das escolas do Porto Judeu (no Porto Judeu de Cima, hoje extinta) e a uma das sociedade recreativas daquele freguesia, com a respectiva filarmónica.





Violante do Canto (Angra, Agosto de 1556 —Lisboa, 17 de Novembro de 1599) foi uma aristocrata açoriana.

No contexto da crise de sucessão de 1580, distinguiu-se entre os principais apoiantes de António I de Portugal na luta contra Filipe II de Espanha.

Recorrendo à sua grande fortuna e prestígio social, financiou o partido Antonino em Angra, proporcionando-lhe os recursos e a credibilidade necessários para o manter dominante na fase mais adversa da resistência angrense à união com a Espanha.




1584 - Primeiro Mapa conhecido com todas as Ilhas dos Açores