D. João III (1521-1557)




AÇORES 


Breve História do Descobrimento 


Mapa dos Açores (“Insulae Tercerae alias Açores”). Gravura a cobre colorida à mão,
 da obra “Geographiae Universalis", de Pierre Du Val (1500-1558), Nurnberg, J. Hoffmann, 1679.

Oeste de Portugal continental, de sueste para noroeste, o arquipélago dos Açoresé formado por nove ilhas de origem vulcânica organizadas em três grupos: um grupo oriental com as ilhas de São Miguel e Santa Maria; um grupo central com as ilhas Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial;e um grupo ocidental, composto pelas ilhas das Flores e Corvo.




 
 







A descoberta das ilhas dos Açores está envolta em muitas dúvidas e poucas certezas pois são praticamente inexistentes documentos régios que o comprovem ou assinalem as circunstâncias e as datas de cada descoberta. Mesmo a cartografia existente, pela sua diversidade, apenas contribui para aumentar a incerteza sobre este acontecimento.

Segundo Gaspar Frutuoso, cronista açoriano do século XVI, os Açores foram descobertos por Gonçalo Velho Cabral que, a mando do Infante D. Henrique, teria chegado à ilha de Sta. Maria em 1432 e a S. Miguel em 1444.












Durante o século XIX alguns estudiosos defenderam que este arquipélago já seria conhecido, tendo apenas os navegadores do Infante D. Henrique reencontrado estas ilhas. Estas conclusões baseavam-se na interpretação de alguns mapas de século XIV onde estão representadas várias ilhas a ocidente de Portugal e que só podiam ser os Açores
Teorias mais recentes refutam a ideia de os Açores já serem conhecidos nesta altura uma vez que as ilhas representadas nessess mapas estavam muito próximo de Portugal continental, muito mais do que realmente estão os Açores, e com uma disposição geográfica distinta da deste arquipélago, não passando provavelmente de ilhas imaginárias.


Aliada a esta interpretação, surge também a ideia de que no século XIV não haveria ainda conhecimentos técnicos para navegar até aos Açores. No entanto, segundo Verlinden, para se efectuar esta rota não seriam necessários instrumentos de navegação novos, bastando para tal apenas o conhecimento dos ventos conjugado  com a navegação por estima e a navegação astronómica primitiva. Ora, atendendo a que a navegação para os Açores implicaria um afastamento da costa, a maioria dos estudiosos é da opinião que tal só terá ocorrido no século XV, com a ajuda das cartas de marear em conjunto com a bússola.






 
A carta de 1439 do catalão  Gabriel de Valsequa
apresenta dados mais precisos sobre a descoberta do arquipélago açoreano uma vez que surge já, com algum rigor, a representação dos Açores, em cuja legenda se afirma que estas ilha teriam sido descobertas por um Diego de ?, não sendo possível identificar o segundo nome. De acordo com a leitura feita por Damião Peres, este Diego seria Diogo de Silves. Assim, e à falta de mais dados convincentes para a atribuição do descobridor dos Açores, crê-se que realmente estas ilhas teriam sido descobertas por Diogo de Silves, marinheiro do Infante D. Henrique, no ano de 1427.

 

As circunstâncias que possibilitaram a descoberta dos Açores continuam no entanto por clarificar. Alguns estudiosos admitem que a sua primeira abordagem por marinheiros do Infante D. Henrique terá sido casual, na sequência das viagens de regresso da costa africana no séc. XV, onde se desenvolve a navegação que tira partido dos ventos dominantes e das correntes favoráveis.


No mais antigo documento régio referente aos Açores, que data de 2 de Julho de 1439, é dada permissão ao Infante D. Henrique para mandar povoar e lançar ovelhas nas sete ilhas dos Açores, pressupondo que, apesar de as viagens entre o continente e as ilhas terem ocorrido desde 1427 até 1439 com Gonçalo Velho, o povoamento só se terá iniciado em 1439. Neste documento apenas são referidas sete das nove ilhas dos Açores uma vez que as Flores e o Corvo só terão sido descobertas por Diogo de Teive e seu filho João de Teive no ano de 1452.

A carta régia de 5 de Abril de 1443 atesta o desenvolvimento registado nos primeiros anos de povoamento dos Açores. Nesta carta o regente D. Pedro isenta os seus habitantes por cinco anos do pagamento da dízima e portagem dos géneros vindos do arquipélago para o Reino. Quatro anos depois os moradores de S. Miguel são dispensados do pagamento de direitos do pão, vinho, pescado, madeira, legumes e outros produtos que exportassem para o continente. Assim não restam dúvidas de que em 1443 a colonização já havia feito progressos na ilha de Sta. Maria e com certeza na ilha de S. Miguel. No entanto, a colonização das restantes ilhas era ainda  bastante lenta e cheia de dificuldades, só mais tarde vindo a usufruir do benefícios das cartas de privilégios de 1443, 1444 e 1447.

A Gonçalo Velho terá sido delegada pelo Infante D. Henrique a função de dirigir os trabalhos de povoamento da ilha de Sta. Maria, em conjunto com dois sobrinhos, Nuno Velho e Pedro Velho, e um grupo de colonos.
Muitas dúvidas pairam sobre o povoamento da Ilha Terceira, no entanto está comprovado que o flamengo Jácome de Bruges foi nomeado capitão desta ilha, por doação do infante D. Henrique, em 1450,  tendo encetado uma acção pioneira incentivando o seu povoamento.


Mais tarde passam a existir duas capitanias na ilha Terceira, a de Angra e da Praia, ficando Jácome de Bruges na capitania de Angra e Álvaro Martins na capitania da Praia.
A capitania de S. Jorge foi doada em 1483 a João Vaz Corte Real, acreditando-se no entanto que em data anterior a esta já existisse população nesta ilha.










 

 
 




Este povoamento deverá ter-se seguido ao povoamento da ilha Terceira, uma vez que a localidade das Velas já era referida em 1460 no testamento do Infante D. Henrique. Do mesmo modo a doação da capitania da Graciosa terá sido precedida do seu povoamento.



O povoamento das restantes ilhas ter-se-à feito com lentidão num processo moroso e difícil, não tendo sido fácil aliciar gente de condição ou mesmo do povo a fixar-se numa ilha distante, desconhecida e deserta, onde a incerteza pairava sobre tudo o que pudesse constituir atractivo para mudança.




Fonte: Catarina Garcia






Bibliografia

ALBUQUERQUE, Luís de, Os Descobrimentos Portugueses, Lisboa, Publicações Alfa, 1985.


ARRUDA, Manuel Monteiro Velho “Ensaio Crítico”, in Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada,1989, p. LXII.


CAMPOS, Viriato, Sobre o Descobrimento e Povoamento dos Açores, Lisboa, Europress, 1983.


LISBOA, Luís João, “Açores”, in Luís de Albuquerque (dir.), Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, vol. I, Lisboa, Círculo de Leitores, 1994, pp. 12-15.


MONTEIRO, Jacinto, “Descobrimentos das Flores e Corvo”, in Os Açores e as dinâmicas do Atlântico – do Descobrimento à II Guerra Mundial, Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1989, pp. 247-255.




















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D. João III

( O Piedoso)

Reinou de 1521 a 1557






Carta régia de D. João III, de 21 de Agosto de 1534, elevando à categoria de cidade a vila de Angra, na ilha Terceira

Dom Joham etc. Aquantos esta minha carta virem faço saber que vemdo eu como na Ilha Terceyra de noso Senhor Jesu Christo a villa d'Amgra he ahora tam acrescentada em povoaçam e asy nobrecyda, noso Senhor seja louvado, homde bem mereeseser cydade avemdo a yso respeito e asy aos muytos serviços que dos moradores da dita villa tenho recebydos asy nos socorrose provimentos que dam a minhas armadas e naos da India quando ao porto da dita villa vam ter, como em outros serviços em que me sempre servem quamto delles he necesaryo como boons e leaes vasalos que sam; e I temdo por muy certo que sendo feita cydadee tendo os privilegios e liberdades que tem as outras cydades de meus Regnos ainda muito mays nobrecerá per onde eureceberey dos moradores della muytos mais e querendo a acrescentar asy por os ditos serviços que deles tenho recebydoscom pelos que ao diante espero receber e por lhe fazer graça e merce eu de meu propio moto, certa cyemcia, poder reall e absoluto, sem elles mo requererem nem outrem por elles, ey por bem de a fazer e per esta faço a dita villa d'Amgra cydade e quero e me praz que daquy em diamte seja cydade e se chame a cydade d'Amgra e lhe dou e concedo todos os privilegios, lyberdades e e premynencias que tem e sam dadas e outorgadas ás outras semelhantes cydades de meus Regnos e aos (sic) cydadãos della gazaram deles asy e tam inteyramente como tem e gozam os outros mais cydadãos das ditas semelhantes cydades. E porem mamdo aos corregedores que oram sam e aos diante forem das minhas Ilhas dos Açores e a quaes(quer) outras justiças oficiaes e pesoas a que esta mynha carta for mostrada e o conhecimento della pertemcer, que ajam a dita villa d'Amgra daquy em diante por cydade e asy a nomeem e lhe guardem e façam inteiramente comprir e guardar todos os privilegios, liberdades, preminencias que sam dadas e outorgadas ás outras semelhantes cydades, por quanto por esta minha carta a faço cydade como dito he, a qual pera mays firmeza lhe mandey dar asynada por mim e asellada do meu sello de chumbo pera a terem por sua guarda. Fernam da Costa a fez em a cydade d'Evora a XXI (21) dias do mes d'agosto, anno do nacymento de noso Senhor Jezu Christo de myll B. c XXXIIII (1534) annos.

Fonte: Chancelaria de D. João III, Liv. 7, pág. 235v.


Sé de São Salvador do Mundo
Diocese de Angra e Ilhas dos Açores


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Papa Paulo III
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Papa Clemente VII
A pedido de D. João III de Portugal, o papa Clemente VII  criou o bispado de São Miguel (1533), mas faleceu antes da bula respectiva ter sido expedida. No ano seguinte, o recém-eleito papa Paulo III pela bula Aequum reputamus erigiu o bispado de São Salvador do Mundo, dando-lhe por catedral a igreja do mesmo nome na cidade de Angra.





 



Pedra de Armas

O Forte de São Sebastião, também referido como Castelo de São Sebastião ou simplesmente Castelinho, localiza-se no porto de Pipas, freguesia de Nossa Senhora da Conceição, na cidade e concelho de Angra do Heroísmo, na costa sul da ilha Terceira, nos Açores.

Edificado numa pequena colina que forma o extremo ESE da baía de Angra, em pleno centro histórico da cidade, foi a primeira grande fortificação marítima na cidade. Cruzava fogos com a Fortaleza do Monte Brasil, na defesa do porto de Pipas, à época o mais importante ancoradouro e estaleiro da ilha onde escalavam as embarcações da Carreira da Índia e as frotas do Brasil, em trânsito para o Reino de Portugal. A importância de sua posição decorria da facilidade com dela se podia fechar militarmente a baía de Angra.




O estudo para a defesa das ilhas do arquipélago dos Açores, contra os assaltos de piratas e corsários, atraídos pelas riquezas das embarcações que aí aportavam, oriundas da África, da Índia e do Brasil, iniciou-se em meados do século XVI. Bartolomeu Ferraz, em uma recomendação para a fortificação dos Açores apresentada a João III de Portugal em 1543, chama a atenção para a importância estratégica do arquipélago:



"E porque as ilhas Terceiras inportão muito assy polo que per ssy valem, como por serem o valhacouto e soccorro mui principal das naaos da India e os francesses sserem tão dessarrazoados que justo rei injusto tomão tudo o que podem, principalmente aquilo com que lhes parece que emfraquecem seus imigos, (...)."



E nomeadamente sobre Angra: "(...) e porque a ilha da Angra he a mais importante nesta dobrar mais a força."



Portão de Armas





Ainda sob o reinado de D. João III (1521-1557) e, posteriormente, sob o de Sebastião I de Portugal (1568-1578), foram expedidos novos Regimentos, reformulando o sistema defensivo da região, tendo se destacado a visita do arquiteto militar italiano Tommaso Benedetto ao arquipélago, em 1567, para orientar a sua fortificação. Como Ferraz anteriormente, este profissional compreendeu que, vindo o inimigo forçosamente pelo mar, a defesa deveria concentrar-se nos portos e ancoradouros, guarnecidos pelas populações locais sob a responsabilidade dos respectivos concelhos.








Breve História de Angra





O local escolhido pelos primeiros povoadores foi uma crista de colinas, que se abria, em anfiteatro, sobre duas baías, separadas pelo vulcão extinto do Monte Brasil. Uma delas, a denominada "angra", tinha profundidade para a ancoragem de embarcações de maior tonelagem, as naus. Tinha como vantagem a proteção de todos os ventos, exceto os de Sudeste.

As primeiras habitações foram erguidas na encosta sobre essa angra, em ruas íngremes de traçado tortuoso dominadas por um outeiro. Neste, pelo lado de terra, distante do mar, foi iniciado um castelo com a função de defesa, à semelhança do urbanismo medieval europeu: o chamado Castelo dos Moinhos.


Álvaro Martins Homem

Por carta passada pela Infanta Dna. Beatriz em 2 de abril de 1474, a capitania de Angra foi doada a Álvaro Martins Homem, que ao tomar posse dela deu início aos trabalhos da chamada Ribeira dos Moinhos, aproveitando a forças de suas águas e lançando as bases para o futuro desenvolvimento económico da povoação. A partir da proteção propiciada pelo Castelo dos Moinhos (atual Alto da Memória), o casario acompanhou a Ribeira dos Moinhos até à baía, primitivamente por ruas e vielas sinuosas - ruas do Pisão, da Garoupinha, de Santo Espírito, das Alcaçarias - cuja toponímia conservou a memória de suas actividades económicas. Martins Homem deu início à chamada Casa do Capitão, posteriormente acrescentada por João Vaz Corte Real, que também procedeu à canalização da Ribeira, à construção do primitivo Cais da Alfândega, da muralha defensiva da baía de Angra e do Hospital de Santo Espírito.





Ao mesmo tempo, liberava a àrea do vale para que, de acordo com os princípios do urbanismo do Renascimento, pudessem ser abertas ruas obedecendo a um plano ortogonal, organizadas por funções, de acordo com as necessidades do porto que crescia com rapidez. Nesse plano ortogonal serão abertas as ruas da Sé e Direita, ligando os principais elementos da cidade: o porto e a casa do capitão nos extremos do braço menor, os celeiros do Alto das Covas e a Câmara Municipal nos do braço maior. Ao longo do século XVI a cidade crescerá até ao Alto das Covas e a São Gonçalo, embora com ruas de traçado mais irregular.



Desse modo, em poucos anos, desde 1478, a povoação fora elevada à categoria de vila e, em 1534, ainda no contexto dos Descobrimentos, foi a primeira do arquipélago a ser elevada à condição de cidade. No mesmo ano, foi escolhida pelo Papa Paulo III para sede da Diocese de Angra com jurisdição sobre todas as ilhas dos Açores.



As razões para esse vigoroso progresso deveram-se à importância do seu porto como escala da chamada Carreira da Índia, centrado na prestação de serviços de reabastecimento e reaparelhamento das embarcações carregadas de mercadorias e de valores. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas, com essa função e a de apoiar a chamada Armada das ilhas. Posteriormente, no contexto da Dinastia Filipina, a estes vieram justar-se os galeões espanhóis carregados de ouro e prata, oriundos das Índias Ocidentais, numa rota que se estendia de Cartagena das Índias, passava por Porto Rico e por Angra, e alcançava Sevilha. Para apoiar essas fainas, foram implantados os primeiros estaleiros navais, na Prainha e no Porto das Pipas, e as fortificações que fecham a baía: o chamado Castelo de São Sebastião e o de São João Baptista.

A Cidade, mais de uma vez, teve parte ativa na história de Portugal: à época Agosto de 1580 a 6 de Agosto de 1582. O modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil em 1641 valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade", outorgado por João IV de Portugal.


Posteriormente, aqui esteve Afonso VI de Portugal, detido nas dependências da fortaleza do Monte Brasil, de 21 de Junho de 1669 a 30 de Agosto de 1684.



Posteriormente Angra constitui-se na capital da Província dos Açores, sede do Governo-geral e em residência dos Capitães-generais, por Decreto de 30 de Agosto de 1766, funções que desempenhou até 1832. Foi sede da Academia Militar, de 1810 a 1832.




No século XIX, Angra constitui-se em centro e alma do movimento liberal em Portugal. Tendo abraçado a causa constitucional, aqui se estabeleceu em 1828 a Junta Provisória, em nome de Maria II de Portugal


Foi nomeada capital do reino por Decreto de 15 de Março de 1830. Aqui, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), Pedro IV de Portugal organizou a expedição que levou ao desembarque do Mindelo e aqui promulgou alguns dos mais importantes decretos do novo regime, como o que criou novas atribuições às Câmaras Municipais, o que reorganizou o Exército Português, o que aboliu as Sisas e outros impostos, o que extinguiu os morgados e capelas, e o que promulgou a liberdade de ensino no país.






Em reconhecimento de tantos e tão destacados serviços, o Decreto de 12 de Janeiro de 1837 conferiu à cidade o título de "mui nobre, leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo"e condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.

A cidade sempre teve forte tradição municipalista, e a sua Câmara Municipal foi a primeira do país a ser eleita, já em 1831, após a reforma administrativa do Constitucionalismo (Decreto de 27 de Novembro de 1830).











Em Angra encontraram refúgio Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular, e a rainha Maria II de Portugal entre 1830 e 1833, durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834).

Por aqui passou Charles Darwin, a bordo do "HMS Beagle", tendo aportado a 20 de Setembro de 1836. Darwin partiu daqui para a ilha de São Miguel em 23 de setembro, após fazer um passeio a cavalo pela ilha, onde entre vários locais visitou as Furnas do Enxofre, tendo na altura afirmado que a nível biológico "nada de interessa encontrar". Mais tarde, e reconhecendo o seu erro, pediu a vários cientistas, nomeadamente a Joseph Dalton Hooker, a Hewett Cottrell Watson e a Thomas Carew Hunt que lhe enviassem espécimes da flora endémica da Macaronésia e também amostras geológicas.


Bilhete Postal comemorativo
do 25º aniversário de Angra do Heroísmo
Património da Humanidade
A classificação pela UNESCO da zona central de Angra do Heroísmo como Património da Humanidade já em 7 de Dezembro de 1983 - a primeira cidade no país a ser inscrita na lista - reflete a sua importância histórica e cultural.

Bilhete Postal comemorativo
do 25º aniversário de Angra do Heroísmo
Património da Humanidade


Bilhete Postal comemorativo
dos 475 anos da elevação de Angra a Cidade


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dos 475 anos da elevação de Angra a Cidade


Câmara Municipal de Angra do Heroísmo


Paços do Concelho até 1849


O edifício dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo localiza-se no centro histórico da cidade e Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores. Destacam-se por constituirem-se, no país, num dos raros exemplos de um edifício camarário construído de raiz para a função que ocupa.


A sua implantação, na praça principal e mais central da cidade, contribuiu para que sempre houvesse sido o mais importante edifício civil da cidade, aí tendo se mantido ao longo de mais de 450 anos. Considerado o mais belo palácio municipal dos Açores, em suas salas encontram-se peças de inestimável valor histórico e patrimonial.



Aspecto da Praça e Casa da Câmara primitiva de Angra.
(na carta de João Hugo Linschoten, elaborada em 1589).

A Câmara Municipal de Angra ocupou três edifícios ao longo da História. O primeiro Senado de Angra data de 1474, tendo sido estabelecido por João Vaz Corte Real. O seu edifício situava-se sensivelmente no mesmo local do actual, com uma pequena praça defronte, como se pode reconhecer pela carta de Jan Huygen van Linschoten, em fins do século XVI.




terramoto de 1608 causou enormes prejuízos no casario da cidade e, como consequência, a Praça onde se situava o edifício foi ampliada, e o edifício da Câmara remodelado em 1610. Em meados do século XIX o edifício foi uma vez mais remodelado, tendo sido escolhida a data da comemoração do 20º aniversário da Batalha da Praia, 11 de Agosto de 1849, para o lançamento da pedra fundamental. A inauguração solene ocorreu no mesmo dia, em 1866.


 


Angra do Heroísmo - Património Mundial

              Breve História da Praia



Igreja Matriz da Praia da Vitória
Fundada em 1456, erguida pelo primeiro capitão do donatárioJácome de Bruges, que aqui se fixou. Foi sagrada em 24 de Março de 1517 pelo bispo D. Duarte, que veio de visita aos Açores. Na ocasião, D. Duarte depositou várias relíquias numa caixa, na parede do altar-mor.

Reconstruída em 1577, nesta ocasião o rei D. Sebastião ofereceu-lhe as magníficas portadas de mármore em estilo manuelino. Sofreu alterações posteriores, nomeadamente em 1810 e 1842, em função dos grandes terramotos que assolaram a ilha em:

Ficheiro:Igr s cruz pr vitoria 4.jpg
Portal Manuelino
Do terrremoto de 1614, o padre António Vieira recordou, em sermão proferido na Bahia, em 1637:
"...tudo destruiu, com excepção do púlpito da Matriz, a Cadeia e o Hospital; símbolos da Verdade, da Justiça e da Misericórdia."
O seu órgão de tubos foi construído em madeira de mogno em 1793 por António Xavier Machado e Cerveira, tendo sofrido intervenção de restauro em 1991 sob os cuidados de Dinarte Machado.


Câmara Municipal da Praia da Vitória
PRAIA DA VITÓRIA

Instalados definitivamente os primeiros povoadores na ilha Terceira, passou Jácome de Bruges, primeiro capitão do donatário da ilha, ao lugar da Praia, onde fixou a sua residência, juntamente com seu lugar-tenente Diogo de Teive. A Praia constituiu-se assim na sede da capitania da Terceira entre 1456 e 1474, ano em que a ilha foi dividida em duas capitanias, pelo desaparecimento do donatário, ficando a capitania da Praia a cargo de Álvaro Martins Homem.


A região desenvolveu-se com rapidez, graças à cultura do pastel e do trigo. Desse modo, a Praia foi elevada a Vila, sede de Concelho, em 1480, ainda ao tempo de Álvaro Martins Homem.

No último quartel do século XVI, Gaspar Frutuoso assim descreve a vila:
"(...) e logo está a vila da Praia, nobre e sumptuosa e de bons edificios, edificados por muito bom modo, cercada de boa muralha, com os seus fortes e baluartes toda em redondo, povoada de nobres e antigos moradores, como uma das mais antigas povoações da ilha, rodeada de fermosas e ricas quintas de nobres e grandiosos fidalgos, com uma freguesia e sumptuosa igreja de três naves, com a capela-mor de abóbada e portais e pilares bem lavrados de pedra mármore, toda cercada de capelas de grandes morgados (...) sua invocação principal é de Santa Cruz (...)."

"(...) onde há casa de Misericórdia e hospital, com duas igrejas, uma do hospital do Espírito Santo e outra de Nossa Senhora, com uma nave pelo meio (...); e um fermoso mosteiro de S. Francisco em que continuamente residem dez ou doze religiosos, onde há muitas capelas de morgados semelhantes aos acima ditos; três mosteiros de freiras, o mais principal dos quais é de Jesus (...), de quarenta freiras de véu preto e os dois, um de Nossa Senhora da Luz e outro das Chagas, da obediência e da observância de S. Francisco, em que há menos religiosas." (FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra (Livro VI). Cap. I, p. 15.)
No contexto da Dinastia Filipina, aqui se travou a batalha da Salga (1581). Foi na Praia que o pretendente ao trono de Portugal, D. António Prior do Crato, foi aclamado rei aquando do seu desembarque nesta localidade em 1582

Posteriormente, no contexto da Restauração da Independência Portuguesa, foi na Praia que se deu a aclamação de João IV de Portugal, quando da chegada de Francisco Ornelas da Câmara à Terceira.


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A povoação foi arrasada pelo grande terramoto de 1614, tendo o mar tragado as que lhe ficavam mais próximas. Durante o século XVII foi reconstruída, continuando presa de diversos abalos sísmicos menores.
No decorrer da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), aqui se travou ainda a batalha da baía da Praia (11 de Agosto de 1829), quando frustrou a tentativa de desembarque de uma esquadra de tropas miguelistas. Esta vitória levou a que, por carta régia de 12 de Janeiro de 1837, como reconhecimento, lhe fossem outorgados os títulos de "Mui Notável" e "da Vitória" pela soberana.


A sua importância económica permaneceu, apesar do grande terramoto de 15 de Junho de 1841 (a chamada "Caída da Praia") que a destruiu parcialmente. A sua reconstrução, a partir dos meados do século XIX deveu-se à iniciativa do Conselheiro José Silvestre Ribeiro. O padre Jerónimo Emiliano de Andrade, que viveu em meados do século XIX, refere:


"Apenas o viajante sai da freguesia do Cabo da Praia tem logo à vista a magnífica e majestosa Vila da Praia da Vitória, que lhe fica a uma distância de pouco mais de um quarto de légua. (...)"



A vila foi elevado à categoria de cidade a 20 de Junho de 1981, tendo se designado Vila da Praia da Vitória até 1983.



Fonte; Wikipédia