D. João III (1521-1557)



D. João III

( O Piedoso)

Reinou de 1521 a 1557
 


 
Retrato de D. João III de Portugal, no Museu de São Roque. O retrato representa D. João III (1502-1557), Rei de Portugal entre 1521 e 1557. D. João é representado com cabelo curto, uma barba densa e castanha que está a alourar, envergando roupa preta e um barrete da mesma cor.







Dom João III
Rei de Portugal e Algarves
13 de dezembro de 1521 – 11 de junho de 1557

 



 









































 


 


Mapa do Império Português no reinado
de Dom João III

 




 






                            

 
 
 


Carta régia de D. João III, de 21 de Agosto de 1534, elevando à categoria de cidade a vila de Angra, na ilha Terceira

Dom Joham etc. Aquantos esta minha carta virem faço saber que vemdo eu como na Ilha Terceyra de noso Senhor Jesu Christo a villa d'Amgra he ahora tam acrescentada em povoaçam e asy nobrecyda, noso Senhor seja louvado, homde bem mereeseser cydade avemdo a yso respeito e asy aos muytos serviços que dos moradores da dita villa tenho recebydos asy nos socorrose provimentos que dam a minhas armadas e naos da India quando ao porto da dita villa vam ter, como em outros serviços em que me sempre servem quamto delles he necesaryo como boons e leaes vasalos que sam; e I temdo por muy certo que sendo feita cydadee tendo os privilegios e liberdades que tem as outras cydades de meus Regnos ainda muito mays nobrecerá per onde eureceberey dos moradores della muytos mais e querendo a acrescentar asy por os ditos serviços que deles tenho recebydoscom pelos que ao diante espero receber e por lhe fazer graça e merce eu de meu propio moto, certa cyemcia, poder reall e absoluto, sem elles mo requererem nem outrem por elles, ey por bem de a fazer e per esta faço a dita villa d'Amgra cydade e quero e me praz que daquy em diamte seja cydade e se chame a cydade d'Amgra e lhe dou e concedo todos os privilegios, lyberdades e e premynencias que tem e sam dadas e outorgadas ás outras semelhantes cydades de meus Regnos e aos (sic) cydadãos della gazaram deles asy e tam inteyramente como tem e gozam os outros mais cydadãos das ditas semelhantes cydades. E porem mamdo aos corregedores que oram sam e aos diante forem das minhas Ilhas dos Açores e a quaes(quer) outras justiças oficiaes e pesoas a que esta mynha carta for mostrada e o conhecimento della pertemcer, que ajam a dita villa d'Amgra daquy em diante por cydade e asy a nomeem e lhe guardem e façam inteiramente comprir e guardar todos os privilegios, liberdades, preminencias que sam dadas e outorgadas ás outras semelhantes cydades, por quanto por esta minha carta a faço cydade como dito he, a qual pera mays firmeza lhe mandey dar asynada por mim e asellada do meu sello de chumbo pera a terem por sua guarda. Fernam da Costa a fez em a cydade d'Evora a XXI (21) dias do mes d'agosto, anno do nacymento de noso Senhor Jezu Christo de myll B. c XXXIIII (1534) annos.

Fonte: Chancelaria de D. João III, Liv. 7, pág. 235v.




Sé de São Salvador do Mundo
Diocese de Angra e Ilhas dos Açores

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Papa Paulo III

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Papa Clemente VII
A pedido de D. João III de Portugal, o papa Clemente VII  criou o bispado de São Miguel (1533), mas faleceu antes da bula respectiva ter sido expedida. No ano seguinte, o recém-eleito papa Paulo III pela bula Aequum reputamus erigiu o bispado de São Salvador do Mundo, dando-lhe por catedral a igreja do mesmo nome na cidade de Angra.





 


 
O Forte de São Sebastião, também referido como Castelo de São Sebastião ou simplesmente Castelinho, localiza-se no porto de Pipas, freguesia de Nossa Senhora da Conceição,
na cidade e concelho de Angra do Heroísmo, na costa sul da ilha Terceira, nos Açores.

Pedra de Armas

Edificado numa pequena colina que forma o extremo ESE da baía de Angra, em pleno centro histórico da cidade, foi a primeira grande fortificação marítima na cidade. Cruzava fogos com a Fortaleza do Monte Brasil, na defesa do porto de Pipas, à época o mais importante ancoradouro e estaleiro da ilha onde escalavam as embarcações da Carreira da Índia e as frotas do Brasil, em trânsito para o Reino de Portugal. A importância de sua posição decorria da facilidade com dela se podia fechar militarmente a baía de Angra.


O estudo para a defesa das ilhas do arquipélago dos Açores, contra os assaltos de piratas e corsários, atraídos pelas riquezas das embarcações que aí aportavam, oriundas da África, da Índia e do Brasil, iniciou-se em meados do século XVI. Bartolomeu Ferraz, em uma recomendação para a fortificação dos Açores apresentada a João III de Portugal em 1543, chama a atenção para a importância estratégica do arquipélago:


 
"E porque as ilhas Terceiras inportão muito assy polo que per ssy valem, como por serem o valhacouto e soccorro mui principal das naaos da India e os francesses sserem tão dessarrazoados que justo rei injusto tomão tudo o que podem, principalmente aquilo com que lhes parece que emfraquecem seus imigos, (...)."
 
E nomeadamente sobre Angra: "(...) e porque a ilha da Angra he a mais importante nesta dobrar mais a força."


Portão de Armas



Ainda sob o reinado de D. João III (1521-1557) e, posteriormente, sob o de Sebastião I de Portugal (1568-1578), foram expedidos novos Regimentos, reformulando o sistema defensivo da região, tendo se destacado a visita do arquiteto militar italiano Tommaso Benedetto ao arquipélago, em 1567, para orientar a sua fortificação. Como Ferraz anteriormente, este profissional compreendeu que, vindo o inimigo forçosamente pelo mar, a defesa deveria concentrar-se nos portos e ancoradouros, guarnecidos pelas populações locais sob a responsabilidade dos respectivos concelhos.